CHEVROLET CAPTIVA SPORT ECOTEC 2.4 16V

 
 

Nas trilhas da razão
Chevrolet Captiva Sport Ecotec tem menos potência e requinte, mas mantém boa relação custo/benefício



AutoPress
Texto: Julio Cabral
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

Quando lançou o Chevrolet Captiva Sport no Brasil, em setembro passado, a General Motors surpreendeu o mercado. A boa relação custo/benefício e o alto nível de equipamentos logo forçou os concorrentes a “se mexerem” – e baixarem seus preços. Nas primeiras semanas, a procura pelo crossover da Chevrolet chegou a gerar ágio nas concessionárias. Mas o ímpeto inicial acabou antes do Natal. Dezembro e janeiro foram meses de queda nas vendas. E foi nesse momento crítico que a Chevrolet lançou a nova versão mais simples e menos potente, mas R$ 10 mil mais barata. Por R$ 86.990, o Captiva 2.4 16V Ecotec vem apenas com tração dianteira e nível de requinte explicitamente reduzido em relação à 3.6 V6. Mas por outro lado, está bem mais adequada à prática dos consumidores de utilitários esportivos, que só costumam usar seus veículos no asfalto. Esta é a mesma “trilha” dos concorrentes Hyundai Tucson, Kia Sportage e Honda CR-V, que oferecem versões de entrada apenas com tração dianteira e motor quatro cilindros.
O sobe-e-desce no mercado de veículos torna difícil detectar se a chegada da nova versão efetivamente salvou as vendas da Captiva. Mas o fato é que já no primeiro mês de comercialização, fevereiro, o Captiva Ecotec respondeu por 526 unidades, ou 44% do total de 1.184 unidades. Em janeiro, o crossover tinha vendido 29% menos, ou 846 exemplares. Os planos iniciais eram que a nova versão ampliasse em 50% as vendas do modelo, mas ainda assim, a performance não foi ruim. Conseguiu, no mínimo, impedir uma queda mais aguda nas vendas em um cenário em que os rivais cortaram seus preços em até 20%.
O motor Ecotec 2.4 16V tem um projeto moderno, com comando das válvulas variável e bloco, cabeçote e cárter em alumínio. O propulsor gera 171 cv de potência a 6.500 rpm e 22,2 kgfm de torque a 5.100 rpm. Números que parecem pouco impressionantes diante dos 261 cv e 32,9 kgfm do motor Alloytec 3.6 V6, principalmente quando se leva em consideração os 1.678 kg da versão Ecotec, que pesa 107 kg a menos que a V6 FWD. A velocidade máxima, limitada eletronicamente, é de 180 km/h. Acoplada ao novo motor, vem uma caixa automática de quatro marchas, contra uma transmissão de seis velocidades do 3.6 V6.
Os detalhes na cor da carroceria e os cromados abundantes do Captiva V6 deram lugar ao plástico escuro, aplicado nos para-choques, nas molduras das caixas de rodas e nas maçanetas. As rodas de alumínio aro 17 mantiveram as medidas – com pneus 235/60 –, mas sem acabamento cromado. A saída do escapamento, antes dupla, tornou-se simples. Em contrapartida, a direção hidráulica das versões V6 foi descartada em favor de uma com assistência elétrica, mais moderna e econômica.
Em linhas gerais, o novo acabamento externo até reforça a agressividade original do modelo, que tem pequena área envidraçada, grade bipartida, capô elevado, faróis com recorte na porção inferior e as falsas saídas de ar nos para-lamas dianteiros. O espaço para cinco passageiros é garantido pela distância entre-eixos de 2,70 metros e pela largura de 1,85 m, com 4,57 m de comprimento e 1,70 m de altura.
O pacote de equipamentos, por sua vez, não sofreu profundas alterações, mas perdeu alguns requintes. O Ecotec chega do México com ar-condicionado analógico no lugar do digital e perde as regulagens elétricas de altura e lombar no banco do motorista, que passam a ser manuais. Mas tem ainda direção e trio elétricos, volante multifuncional com ajuste de altura e sistema de som com rádio CD/MP3 – sem disqueteira.
Na área de segurança, preserva os seis airbags de série – frontais, laterais e do tipo cortina – freios a disco ventilados nas quatro rodas, com ABS e EBD e controles eletrônicos de tração e de estabilidade. O modelo conta ainda com de cintos de três pontos para todos ocupantes, encostos de cabeça ativos nos bancos dianteiros, controle da pressão dos pneus e sistema Isofix de fixação de cadeiras infantis. Ou seja: o Captiva ficou mais simples, mas detalhes essenciais foram mantidos.
Instantâneas
# Em relação à versão V6 FWD, o Captiva Sport Ecotec perde ar-condicionado automático, retrovisor interno eletrocrômico, acionamento remoto do motor e do ar-condicionado na chave e volante revestido em couro.
# Os detalhes cromados externos, como maçanetas e rodas, estão disponíveis como acessórios em concessionária.
# O sistema de trocas sequenciais por interruptores na manopla do câmbio também foi adotado pelo Captiva Sport V6 2009/2010, tal como o computador de bordo e o limite de velocidade estendido a 180 km/h – o primeiro lote parava de acelerar aos 160 km/h.
# O computador de bordo tem informações sobre temperatura externa, consumo médio, bússola, pressão dos pneus e vida útil do óleo.
# Os ângulos de entrada é de saída são pouco aventureiros: respectivamente 18,2º e 22,7º, com 20 cm de altura livre do solo.
# A versão está disponível em quatro cores: preto sólido e as metálicas prata, cinza e azul.
# O acabamento interno em tecido possui tonalidade cinza, com exceção dos modelos de cor preta, cujo interior vem na cor bege.
# O estepe do modelo é do tipo temporário, com pneus 135/70 e rodas aro 16.
Ficha técnica - Chevrolet Captiva Sport Ecotec 2.4 16V
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 2.384 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo no cabeçote e comando de válvulas variável. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio automático de 4 marchas à frente e uma a ré, com opção de trocas sequenciais. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 171 cv a 6.500 rpm.
Torque máximo: 22,2 kgfm a 5.100 rpm.
Diâmetro e curso: 88 mm X 98 mm. Taxa de compressão: 10,4:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com barra de torção e amortecedores hidráulicos. Traseira independente, com braços múltiplos e amortecedores hidráulicos. Barras estabilizadoras nos dois eixos. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Discos ventilados na dianteira e na traseira. Possui ABS e EBD.
Carroceria: Crossover em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Com 4,57 metros de comprimento, 1,85 m de largura, 1,70 m de altura e 2,70 m de entre-eixos. Oferece airbags duplos frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina.
Peso: 1.678 kg. Carga útil máxima: 433 kg.
Capacidade do porta-malas: 821 litros até o teto/1.586 l até o teto com o banco traseiro rebatido.
Tanque de combustível: 72 litros.
Ponto a ponto
Desempenho – O motor 2.4 16V, com 171 cv 6.500 rpm, apenas dá conta do recado e impulsiona os 1.678 kg da versão sem grandes complicações, embora não apresente o mesmo vigor e celeridade da versão V6. A aceleração de zero a 100 km/h é cumprida em 11,7 segundos. O torque de 22,2 kgfm é alcançado plenamente apenas às 5.100 rpm, mas os comandos de válvulas variáveis entregam uma boa força em baixas e médias rotações, com a retomada de 60 a 100 km/h em terceira marcha cumprida em 8,7 s. Além da potência contada para o peso do veículo, o que limita o desempenho é o câmbio automático de quatro marchas, cujas passagens são um tanto lentas e calibradas para o conforto, mesmo com o recurso do modo sequencial. Nota 6.
Estabilidade – A despeito do sobrenome Sport, o Captiva não foi criado como um modelo de alto desempenho dinâmico. A altura elevada da carroceria, o alto peso e a suspensão calibrada para o conforto não estimulam abusos em manobras ou curvas. O rolamento da carroceria é acentuado e os controles eletrônicos de estabilidade e de tração não tardam a agir em uma condução mais entusiasmada. O comportamento em frenagem é equilibrado, graças ao sistema ABS com EBD, embora a transferência de peso para a dianteira seja explícita em desacelerações fortes. Em velocidades maiores, a direção elétrica transmite segurança, com um peso correto tanto em curvas quanto em retas. Acima de 120 km/h a frente do crossover flutua um pouco, o que exige pequenas correções ao volante. Nota 7.
Interatividade – A ergonomia é eficiente, com comandos bem sinalizados e ao alcance das mãos. Alguns equipamentos foram suprimidos ou simplificados face à versão mais cara. O ar-condicionado é analógico e os ajustes dos banco do motorista são manuais, mas de fácil acesso e incluem regulagem do apoio lombar. A tarefa de encontrar a melhor posição de direção só é dificultada pelo volante, que possui ajuste apenas em altura. Há uma plataforma bem definida para o repouso do pé esquerdo do condutor. A calibração da direção em baixa velocidade facilita em muito as manobras de estacionamento, tal como a visibilidade proporcionada pelos amplos retrovisores externos. A visão traseira é prejudicada pelo pequeno vidro. O computador de bordo tem comando mal localizado, no painel, atrás do volante, mas agrega a interessante função de indicar a pressão dos pneus. Nota 8.
Consumo – A equação carro pesado e motor pouco potente cobra um preço alto: média de 5,4 km/l de gasolina em percurso 2/3 cidade e 1/3 estrada. Índice elevado, semelhante até ao constatado na versão V6. Não faz juz ao nome Ecotec. Nota 5.
Conforto – O Captiva pode ter perdido em acabamento, mas ainda tem bom nível de equipamentos, ótimo espaço interno, a facilidade de condução e o conforto de rodagem. A suspensão absorve bem as imperfeições do piso. O habitáculo acomoda bem passageiros de todas estaturas. Os bancos dianteiros sustentam bem os ocupantes e contam com apoios de braço. No banco traseiro pode se levar três passageiros sem muito aperto. Só o motor, mais exigido, produz muito ruído, que invade sem cerimônias o habitáculo. Nota 8.
Tecnologia – O motor Ecotec conta com comando variável de válvulas, bloco, cabeçote e cárter feitos em alumínio. As suspensões são atuais, McPherson na dianteira e com múltiplos braços na traseira, com barras estabilizadoras. Osfreios têm ABS com EBD, controles eletrônicos de tração e de estabilidade, além de seis airbags. Em conforto e conveniência, a versão perdeu algumas bossas, como o banco do motorista elétrico, o câmbio automático de seis marchas, controle eletrônico do ar-condicionado e a singular partida à distância. Nota 8.
Habitabilidade – Os acessos ao interior são bons, embora a altura elevada do solo – 20 cm – dificulte um pouco. Há uma boa quantidade de porta-trecos e porta-copos, ao gosto americano. Segundo a marca, o porta-malas ostenta 821 litros em uma praticamente inútil medição até o teto. Nota 8.
Acabamento – O modelo utiliza plásticos de qualidade, que passam uma boa impressão. O painel é bicolor, em preto na parte superior e cinza na inferior, com acabamento emborrachado. Os tecidos utilizados nos revestimentos parecem ser resistentes. Nota 8.
Design – A parte frontal do Captiva traz a nova identidade internacional da Chevrolet, dominada pela grade bipartida horizontalmente. A substituição dos para-choques na cor da carroceria e da maioria dos cromados por plástico escuro deram ao crossover um ar mais aventureiro e robusto, que acaba agregando agressividade ao desenho. Nota 9.
Custo/Benefício  – Na época do lançamento, em setembro, o Captiva tinha uma ótima relação custo/benefício. Mas a dinâmica do mercado tratou de acabar com a vantagem do crossover da Chevrolet. O preço de R$ 86.990 coloca o Captiva Ecotec acima dos concorrentes sulcoreanos Hyundai Tucson e Kia Sportage e na mesma faixa do mexicano Honda CR-V, nas versões básicas com motor 2.0 16V e sem tração integral. Nota 7.
Total – O Captiva Sport 2.4 Ecotec somou 74 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir - Para manter as aparências
Os quase 90 cv a menos do 2.4 Ecotec em relação ao V6 3.6 Alloytec fazem falta. Ainda assim, o Captiva Sport não pode ser classificado como pesadão. Mais sossegado talvez, sem a mesma empolgação da motorização maior que, com 261 cv, conta com uma grande reserva de potência e força, com 33,9 kgfm a apenas 2.100 rpm. Os 171 cv de potência a 6.500 giros e o torque de 22,2 kgfm a 5.100 rpm são suficientes para dar ao modelo respostas típicas de um sedã médio bem comportado. Em acelerações, o crossover faz de zero a 100 km/h em 11,7 segundos, com a retomada de 60 a 100 km/h em Drive cumprida em 10,1 s. O único senão vai para o câmbio de quatro marchas, cujas passagens apresentam uma pequena defasagem entre a ordem e a realização da troca. Em acelerações mais vigoras e em velocidades acima de 110 km/h, o ruído do motor invade com força o habitáculo.
O desempenho dinâmico é atrapalhado pelas características do modelo, com 1.678 kg e com 1,70 metro de altura. A suspensão independente na dianteira e na traseira foram calibradas para o conforto e, com isso, permitem que a carroceria aderne em curvas. Embora não gere insegurança, graças aos largos pneus 235/60 com rodas aro 17 e ao aparato de controles eletrônicos, torna desconfortável a condução mais esportiva. A comunicação entre as rodas e o volante é direta. Mérito da boa calibragem da direção elétrica.
O que falta em apuro dinâmico, sobra em conforto de rodagem. O convívio com o modelo é prazeroso, graças à dirigibilidade amigável. As dimensões avantajadas penalizam o condutor apenas em manobras de estacionamento, quando faz falta um sensor de obstáculos traseiro, disponível apenas como acessório em concessionária.
O interior perdeu um pouco do recheio das versões superiores, mas não o suficiente para causar uma sensação de despojamento. O ar-condicionado possui botões giratórios de bom tamanho e fácil ajuste. O CD Player/MP3 com seis alto falantes é fiel nas reproduções. O computador de bordo indica, além do trivial, o nível de pressão em cada pneus e a vida útil do óleo. O volante de três raios abriga botões do controle de cruzeiro e de volume do som. O painel em duas cores dá um toque de requinte ao acabamento correto, de encaixes cuidadosos.
Os revestimentos são agradáveis visualmente e, junto com o amplo espaço interno, transformam o Captiva Sport em um simpático companheiro de viagens. O porta-malas comporta oficialmente 821 litros de bagagem até o teto – até a altura do vidro, deve ficar em torno dos 600 litros. De qualquer forma, é suficiente para levar as “tralhas” de quatro passageiros, que viajam com bastante conforto – um quinto elemento só é bem-vindo em trajetos curtos.



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