CHEVROLET MALIBU

 
 

O sétimo sedã
GM importa o norte-americano Malibu e engorda sua lista de três volumes no mercado brasileiro



Auto Press
Texto: Luiz Humberto Monteiro Pereira
Fotos: Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias

Santa Monica/Estados Unidos – No Brasil, ninguém vende sedãs como a General Motors. Talvez porque uma das diversões do pessoal de marketing da marca é imaginar modelos de três volumes para cada segmento do mercado consumidor. Sua linha nacional de sedãs começa no espartano Classic e vai até o Vectra, passando pelo Prisma e pelos meio esquecidos Corsa sedã e Astra sedã. Acima do Vectra, a opção foi importar da Austrália o Holden Commodore, que por aqui foi rebatizado como Chevrolet Omega – cuja importação está temporariamente suspensa, mas será retomada em breve. Entre Vectra e Omega resta uma “lacuna” que, nos últimos anos, foi amplamente dominada pela arquirrival Ford, com o Fusion importado do México, e que também assistiu ao crescimento do Hyundai Azera. Por isso, a GM resolveu juntar aos atuais seis sedãs de sua linha um sétimo: o norte-americano Malibu, que por coincidência está em sua sétima geração. Ele chega na segunda quinzena de junho por R$ 89.900, mais perto dos R$ 75.572 do Vectra Elite que dos R$ 122.400 do Omega.
Em 2008, a sétima geração do Malibu apresentou mundialmente a atual identidade visual da marca, introduzida no Brasil pela minivan Meriva e pelo crossover mexicano Captiva, em 2008. Lá está a avantajada grade trapezoidal com bordas cromadas, cortada por uma grossa barra horizontal que ostenta a indefectível gravata dourada. A frente é bastante robusta e tem um visual agressivo, com seus faróis angulosos e esculturais. O conjunto ótico dianteiro se integra à lateral, onde cintilam frisos, maçanetas e soleiras das portas cromadas. O perfil, valorizado pelas vistosas rodas de alumínio aro 18 calçadas com pneus 225/50, evoca os bons e velhos tempos do maior ícone esportivo da marca: o Corvette. O conjunto ótico traseiro – composto por parábolas que fazem lembrar o perfil do Pão-de-Açúcar – também remete às gerações passadas do Corvette, assim como o corte em ângulo reto da tampa do porta-malas e as ponteiras de escape cromadas. O “conjunto da obra” é um sedã que pode até não ser uma unanimidade estética, mas tem um aspecto clássico, másculo e imponente. Além de um evidente orgulho de ser General Motors.
 
A novidade que reforça o “fetiche” da GM pelos modelos de três volumes chega numa única versão de acabamento, a “top” LTZ. Com revestimentos de aparência requintada, o painel com três grandes mostradores redondos é obviamente inspirado em esportivos de outrora. Os bancos, com regulagens elétricas e aquecimento, são revestidos em couro. Apliques em madeira e iluminação em tom azul – batizada de “Ice blue” – reforçam o requinte de um modelo que chega bem “recheado”: ar-condicionado digital, computador de bordo, direção com assistência elétrica, sensor crepuscular, rádio/CD/MP3 com entrada USB, oito alto-falantes Bose e bússola no espelho interno, além de itens de segurança como ABS, EBD, assistente de frenagem de emergência e seis airbags.
 
Para mover tudo isso, sob o capozão está o motor Ecotec 2.4 de quatro cilindros a gasolina, acoplado a um câmbio automático de seis velocidades, com opção de trocas de marchas sequenciais através de borboletas no volante. Bloco, cabeçote e cárter são em alumínio e o duplo comando de válvulas é variável. O motor é o mesmo da Captiva, mas, segundo a marca, no Malibu ele oferece mais torque em menor rotação, para proporcionar retomadas mais rápidas. No sedã, o 2.4 Ecotec fornece 171 cv de potência a 6.400 giros e torque máximo de 22,1 kgfm a 4.500 rpm.
 
“O Malibu chega para reforçar a tradição da marca no segmento de sedãs, que começou com o Opala, passou pelo Monza e chega aos atuais Vectra e Omega”, empolga-se José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors do Brasil. Mas as pretensões para o Malibu passam longe de se tornar um “best-seller” como Opala e Monza. A expectativa da marca é comercializar 200 unidades por mês no mercado nacional. Talvez para que a discrepância com os expressivos volumes de vendas dos concorrentes Fusion e do Azera não “intimide” o Malibu, a GM optou por apontar como principais “alvos” de seu novo sedã o Honda Accord e o Toyota Camry, ambos com pouca vendagem no Brasil.
Instantâneas
# Segundo a GM, as caixas de rodas do Malibu são produzidas num composto mais denso, para reduzir o barulho proveniente do contato dos pneus com o solo.
# Além dos para-brisas, os vidros laterais também são laminados para, segundo a marca, melhorar a acústica e reduzir os ruídos.
# O primeiro Malibu surgiu em 1964, como a versão “top” do Chevelle. O nome é uma referência ao elitizado balneário californiano, onde é comum encontrar residências que custam dezenas de milhões de dólares. Em 1978, o Chevelle deixou de existir e virou Malibu.
# O Malibu é produzido na fábrica de Fairfax, no Kansas, mas a partir de 2012 sua nova geração começará a ser produzida na fábrica de Detroit-Hamtramck, a mesma que irá montar o Chevrolet Volt.
# O Malibu obteve nota máxima em seu segmento nos “crash-tests” dos institutos norte-americanos NHTSA e IIHS.
# Dos seis airbags do Malibu, dois são frontais, dois são laterais e dois são do tipo cortina, que protegem as cabeças dos ocupantes da frente e de trás.
# São 570 concessionárias Chevrolet no Brasil, mas apenas as principais vão ter o Malibu em suas vitrines.
Ficha técnica
Chevrolet Malibu LTZ
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 2.384 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto seqüencial.
Transmissão: Câmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 171,3 cv a 6.400 rpm.
Torque máximo: 22,1 kgfm a 4.500 rpm.
Diâmetro e curso: 88,0 mm X 98,0 mm. Taxa de compressão: 10,4:1
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com amortecedores telescópicos hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira independente com quatro braços articulados, molas helicoidais, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Discos ventilados na frente e atrás. Oferece ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência.
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,87 metros de comprimento, 1,78 m de largura, 1,45 m de altura e 2,85 m de distância entre-eixos. Oferece airbags duplo frontal, laterais e de cortina.
Peso: 1.582 kg, com 426 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 428 litros.
Tanque de combustível: 61,7 litros.
Produção: Fairfax, Estados Unidos.
Lançamento da atual geração: 2007 nos Estados Unidos. Lançamento no Brasil: 2010.
Ponto a ponto
Desempenho – Os 171 cv de potência e 22,1 kgfm de torque do motor 2.4 Ecotec encaram com bravura e aparente desembaraço a tarefa de mover mais de tonelada e meia de sedã. As respostas do propulsor são otimizadas pelo câmbio de seis marchas e pela opção de acionamento sequencial no volante, que ajuda a deixar o comportamento do carro mais esportivo. Embora o rigoroso policiamento californiano não recomendasse maiores ousadias, as retomadas se mostraram vigorosas e permitiram ultrapassagens sem sustos. Segundo a General Motors, o modelo faz o zero a 100 km/h em 10,9 segundos e atinge a velocidade máxima de 194 km/h. Nota 8.
Estabilidade – O teste foi efetuado nas grandes retas que ligam as praias de Santa Monica e Malibu, no litoral californiano, o que não favoreceu uma apreciação mais profundada da rigidez torcional ou do equlíbrio dinâmico do Malibu nas curvas. No que foi possível perceber, o sedã transmite sensação de consistência. Nas freadas, o modelo se mostrou bastante equilibrado, sem mergulhar a frente. Nota 8.
Interatividade – A ergonomia é bem estudada e todos os comandos estão ao alcance do motorista. As regulagens de banco e volante facilitam a tarefa de encontrar uma boa posição de dirigir. A visibilidade frontal é correta, a retrovisão é apenas razoável e a direção é suave e precisa. O quadro de instrumentos é generoso e permite visualização rápida e precisa. Nota 8.
Consumo – A General Motors fala em consumo de 9,4 km/l na cidade e 14,5 km/l na estrada, com média de 11,2 km/l. Ao final do teste de apresentação de quase 100 quilômetros, em velocidade praticamente constante de 55 milhas por hora – 88 km/h –, o computador de bordo apontou a média de 24,8 milhas por galão. Algo perto de 10,5 km/l. Nota 7.
Tecnologia – A plataforma do Malibu é recente, de 2007. O motor Ecotec também é moderno. Segundo a GM, o câmbio de seis velocidades tem uma calibração que permite que ele se adapte a vários de tipos de condução. Ar-condicionado digital, computador de bordo, direção com assistência elétrica, sensor crepuscular e CD-player/rádio/MP3 com entrada USB ajudam a tornar mais aprazível a vida a bordo. O sensor de estacionamento é opcional, mas bem que mereceria ser de série em um automóvel de quase R$ 90 mil. Pelo menos ABS, EBD, assistente de frenagem de emergência, seis airbags e sistema Isofix para cadeiras de criança são de série e dão o necessário reforço à segurança. Nota 8.
Conforto – O habitáculo oferece generosos e aconchegantes espaços para todos os ocupantes. A suspensão filtra com eficiência as eventuais irregularidades da pista. Já o isolamento acústico é um dos pontos altos do carro e reforça a sensação de bem estar. Espelhos internos e externos são eletrocrômicos, o que reduz os riscos de ofuscamento. É estranha a ausência de um apoio de cabeça para um possível terceiro passageiro no banco central traseiro, o que não recomenda que adultos viajem ali. Nota 8.
Habitabilidade – Bem de acordo com o “north american way”, a GM não economizou porta-objetos no Malibu. Não faltam espaços para colocar copos e garrafas, além de nichos práticos para guardar traquitanas como celulares ou abridores de garagem. Os acessos ao carro são fáceis, tanto na frente quanto atrás. O porta-malas comporta 428 litros, bom para o segmento. Nota 8.
Acabamento – O padrão de acabamento do Malibu é elevado, de acordo com a exigência do consumidor norte-americano. Os materiais, texturas e cores utilizados nos revestimentos internos são muito bem estudados e aparentam qualidade e requinte coerente com o segmento. Não foram percebidos sinais de rebarbas. Nota 8.
Design – A nova identidade visual da Chevrolet tem lá os seus fãs, mas também há quem ache a grade frontal um tanto abrutalhada. Embora já existam planos para lançar a oitava geração até 2012, o Malibu ainda é um modelo atual, com seu estilo que mistura tendências contemporâneas com citações retrô. Com suas linhas fluidas e o corte abrupto na traseira, expressa as características da marca em diversos aspectos. Nota 7.
Custo/benefício – Mais um carro caro num país de carros caros, o Malibu será lançado no Brasil com o preço de R$ 89.900. Mas o valor não destoa da concorrência e fica próximo das versões com equipamentos similares de Fusion, Azera, Accord e Camry. Nota 7.
Total - O Chevrolet Malibu LTZ somou 77 pontos em 100 possíveis.
                                         Primeiras impressões - Carro de passeio
 
Além de reforçar o “fetiche” da GM brasileira pelos três volumes, o Malibu recebeu a função de vir ao Brasil para acabar com a “farra” do Ford Fusion e do Hyundai Azera no segmento de sedãs médios-grandes – no mercado norte-americano, os mesmos modelos são considerados sedãs médios. Durante o teste de avaliação pelo litoral californiano – inclusive pela praia que lhe deu nome –, o Malibu teve de conter bastante seus ímpetos esportivos, já que a velocidade máxima no trecho era de 55 milhas por hora – 88 km/h – e os policiais locais não têm fama de serem camaradas com motoristas infratores.
 
Apesar desse “inconveniente”, o Malibu causou uma boa impressão inicial. Já antes de entrar no carro, a chave com display impressiona. Ela permite ativar o motor e o condicionador de ar remotamente e checar dados como nível de combustível e a calibragem de cada pneu – dados também disponibilizados no computador de bordo. Depois de se ajeitar ao volante – tarefa facilitada pela boa ergonomia e os múltiplos ajustes de volante e banco –, chega a hora de rodar. A sensação inicial é que o Malibu gosta bastante de acelerar – foi uma tarefa árdua mantê-lo dentro da velocidade limite.
 
Além da instigante possibilidade de passar as marchas através de borboletas no volante, os comandos do computador de bordo e do som também podem ser acionados sem que se tire as mãos do volante, o que é um importante fator de conforto e segurança. Nas contidas arrancadas que foi possível produzir em virtude do policiamento, a passagem das marchas foi imperceptível e o carro retomou velocidade de forma constante e progressiva. Num dos raros cruzamentos do trajeto, quando a parada repentina de um carro à frente obrigou a freiar mais forte, o sedã reagiu de forma bastante elegante e equilibrada.
 
Na versão que irá ao Brasil, a suspensão será elevada em 25 mm e os amortecedores e molas serão recalibrados, para terem melhores chances nas esburacadas vias nacionais.
Como opcionais, haverá DVD para o banco traseiro e sensor de estacionamento, que poderia ser de série num carro desse preço. Outra virtude do Malibu surge sem fazer alarde: a eficiência do isolamento acústico, bem combinada com a alta qualidade do sistema de som Bose. O conforto acústico impressiona.



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