VOLKSWAGEN PASSAT CC

 
 

Para fazer bonito
Além de tecnologia e requinte, Passat CC se destaca pelo design, algo raro nos modelos da Volkswagen



Auto Press
Texto: Fernando Miragaya
Fotos: Luiza Dantas/Carta Z Notícias

Ser dona de marcas como Audi, Lamborghini, Bugatti e Bentley, além de parceira da Porsche, traz diversos benefícios. Só que a Volkswagen costuma lançar mão muito mais da tecnologia e dos motores potentes de suas subsidiárias. No design, a marca alemã raramente é dada a ousadias. Mas, na exceção, a montadora abusa. Caso do Passat CC, que foge dos padrões comportados – inclusive da linha Passat – e segue um estilo mais arrojado. De quebra, o cupê quatro portas – cuja sigla CC significa “confort cupê” – é um 2+2 que ainda reúne um conjunto mecânico moderno, com a consagrada caixa Tiptronic de dupla embreagem, um motor V6 com injeção direta e uma tração integral, todos herdados das modernas parceiras do grupo germânico.
O visual instigante tem seu cartão de visitas na parte frontal. O Passat CC tem capô curto e inclinado, com linhas predominantemente lisas e apenas dois discretos vincos que se pronunciam até a ponta e formam a “moldura” da grade trapezoidal. O conjunto ótico ostenta faróis com desenho irregular, extremidades pontiagudas, contornos arredondados na parte inferior e cortes retos na parte superior.
Visto de perfil, a agressividade do modelo fica mais em evidência pela linha de cintura e pelo vinco da carroceria em cunha acentuada. O caimento em arco do teto reforça a proposta cupê do carro da Volkswagen. Na traseira, o vidro inclinado praticamente se une à tampa do porta-malas com as extremidades levemente abauladas em um desenho fluido. A ponta da tampa do bagageiro forma uma espécie de arco e as lanternas horizontalizadas abusam dos contornos arredondados.
No visual, o Passat CC parece uma leitura da Volks para o Audi A5 Sportback. E na estrutura o modelo também usa e abusa da tecnologia que costuma embarcar suas marcas premium. Para começar, o conjunto mecânico conta com o motor V6 3.6 FSI com injeção direta, 300 cv de potência a 6.600 rpm e 35,6 kgfm de torque máximo entre 2.400 e 5.300 giros. O propulsor trabalha com a transmissão Tiptronic – herança da Porsche – de seis velocidades DSG, com embreagem dupla – “emprestada” da Audi – e com a tração integral 4Motion – semelhante à Quattro, também usada pela Audi.
Na parte de equipamentos, a Volkswagen caprichou para que o carro tenha condições de brigar no seleto nicho de cupês quatro portas. Na segurança, airbags frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina, bloqueio eletrônico do diferencial, sensores de monitoramento da pressão dos pneus e de obstáculos dianteiros e traseiros, controle eletrônico de estabilidade, freios com ABS e EBD, faróis de xênon direcionais, retrovisores eletrocrômicos, entre outros. No conforto, previsíveis ar dual zone, direção eletro-hidráulica, trio, revestimento em couro, bancos dianteiros elétricos com memória para o do motorista, rádio/CD/MP3 com disqueteira e entrada auxiliar, volante com ajustes de altura e de profundidade, sensor de chuva, computador de bordo e controle de cruzeiro, entre outros.
Nesta configuração, o Passat CC custa R$ 174.290. Com o único opcional, o teto-solar panorâmico – que só abre na função basculante –, vai a R$ 179.446. Peca em alguns detalhes, como o som não oferecer entrada para USB, SD Card ou Bluetooth, itens encontrados até no Gol, ou ajuste elétrico da coluna de direção. É verdade que fica bem mais barato que o A5 Sportback, seu colega de grupo, que custa R$ 254.500, ou que o Mercedes-Benz CLS 350, de R$ 319 mil. Mas é  o preço de ser uma marca que se tornou mundialmente conhecida por fabricar carros populares.
Instantâneas
# O Volkswagen Passat CC foi apresentado oficialmente no Salão de Detroit de 2008 e chegou ao Brasil no ano seguinte.
# O modelo usa a mesma plataforma da linha Passat.
# Além do motor 3.6 V6, na Europa o cupê quatro portas tem uma versão com propulsor 1.8 TFSI turbo de 160 cv, outra com 2.0 TFSI também turbo de 200 cv e duas turbodiesel 2.0, de 140 cv e 170 cv.
# Os pneus do Passat CC são da Continental e contam com a tecnologia ContiSeal, que promete vedação interna instantânea para furos de até 5 mm.
# O freio de estacionamento do modelo é elétrico, acionado através de um botão do lado esquerdo do painel.
# A transmissão DSG com embreagem dupla começou a ser produzida em 2004, concebida inicialmente para veículos de competição da Audi com tração integral Quattro.
Ficha técnica
Volkswagen Passat CC 3.6 V6 FSI
Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 3.597 cm³, seis cilindros em “V”, quatro válvulas por cilindro e comando duplo no cabeçote. Injeção direta de combustível e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático de seis velocidades à frente e uma a ré com sistema de embreagem dupla e sistema seqüencial manual com trocas na manopla do câmbio ou através de borboletas na coluna de direção. Tração integral nas quatro rodas. Controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 300 cv a 6.600 rpm.
Torque máximo: 35,6 kgfm entre 2.400 rpm e 5.300 rpm.
Diâmetro e curso: 89,0 mm X 96,3 mm. Taxa de compressão: 11,4:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais integradas e amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados a gás. Traseira independente, com braço transversal e longitudinal, molas helicoidais e amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados a gás. Controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Discos ventilados na frente e atrás. ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência.
Pneus: 235/40 R18 em rodas de liga leve.
Carroceria: Cupê em monobloco com quatro portas e quatro lugares. Com 4,79 metros de comprimento, 1,85 metro de largura, 1,43 metro de altura e 2,71 metros de distância entre-eixos.
Peso: 1.632 kg em ordem de marcha com 478 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 452 litros.
Capacidade do tanque de combustível: 68 litros.
Produção: Emden, Alemanha.
Lançamento mundial: 2008. Lançamento no Brasil: 2009.
Ponto a ponto
Desempenho – A performance do Passat CC, além de vigorosa, é praticamente linear. Méritos de um conjunto perfeito integrado pelo voluntarioso motor V6 de 300 cv, pela tração integral e pelo câmbio de dupla embreagem, que torna as arrancadas do cupê quatro portas ágil, sem qualquer tranco, delay ou buraco entre uma marcha e outra. Graças a isso, o modelo precisa de apenas 5,8 segundos para sair da inércia e alcançar os 100 km/h. Nas retomadas, o carro também se mostra disposto. O motor enche já aos 2.400 giros e mantém os 35,6 kgfm disponíveis até as 5.300 rpm. Ou seja, em quase qualquer faixa de giro basta pisar no acelerador para ter repostas rápidas e efetuar ultrapassagens com segurança. E o ímpeto e a desenvoltura do CC permanecem até a máxima de 245 km/h, obtida em trecho plano e livre. Nota 10.
Estabilidade – O cupê da Volks é muito bem acertado e equilibrado. A carroceria torce o mínimo nas curvas e a tração 4X4, em conjunto com a suspensão bem acertada e os controles de estabilidade, mantém o modelo grudado no chão, mesmo em velocidades pouco civilizadas. Nas retas, alguma sensação de flutuação só surge depois dos 200 km/h. Nas freadas bruscas, nada de mergulhos exagerados da carroceria. E nem mesmo os vigorosos 300 cv do propulsor fazem a frente empinar na hora das arrancadas. Nota 9.
Interatividade – O interior do Passat CC parece envolver o motorista e tem vários comandos ao alcance dos olhos e das mãos do motorista. O banco oferece ajustes elétricos com o do motorista com memória integrada aos retrovisores. A regulagem da coluna de direção, contudo, é manual, mas os bons ângulos de profundidade e de altura se adequam a diferentes estaturas dos motoristas. O quadro de instrumentos tem leitura fácil e objetiva, o volante é multifuncional e só mesmo os comandos do ar-condicionado são pouco intuitivos. A visibilidade dianteira é boa, mas as largas colunas centrais e traseiras atrapalham na hora de estacionar e de atravessar um cruzamento. Pelo menos, o modelo oferece sensores de obstáculos dianteiros e traseiros. Nota 9.
Consumo – O modelo fez a média de 7,8 km/l com uso 2/3 na cidade. Nada assustador para um V6 de 300 cv com tração integral. Nota 7.
Tecnologia – Trata-se de um projeto moderno, de 2008, que usa uma eficiente transmissão com dupla embreagem. Além disso, o carro ainda conta com uma conceituada tração integral, um motor V6 de 300 cv e uma quantidade elogiável de itens de segurança. Os itens de conforto são previsíveis, mas faltam ao rádio uma interface com iPod, entradas USB e SD Card e conectividade Bluetooth. Nota 9.
Conforto – Apesar de ser um 2+2 com espaço bem definido para os ocupantes, os viajantes da frente têm uma vida melhor. Os bancos esportivos abraçam motorista e carona e os seguram até mesmo na hora de fazer aquelas curvas mais acentuadas. O espaço para pernas e cabeças na frente também é vasto. Quem vai atrás, contudo, sofre um pouco. Os bancos são um tanto duros, o assoalho força uma articulação maior dos joelhos em uma posição mais cansativa e o vão para cabeças é ruim. O isolamento acústico é perfeito, mas a suspensão merecia uma calibragem mais realista – e macia – para as esburacadas ruas brasileiras. Nota 8.
Habitabilidade – Entrar no CC não é tarefa simples. A altura diminuta – 1,43 m – e os assentos mais rebaixados obrigam motorista e passageiros a certos contorcionismos. Há práticos porta-copos nos consoles centrais, tanto da frente como atrás, mas os porta-objetos das portas poderiam ser menos rasos. O porta-malas acomoda bons 452 litros. Nota 7.
Acabamento – O habitáculo do cupê quatro portas da Volks prima pela qualidade dos materiais. As texturas são agradáveis aos olhos e ao toque, os encaixes e fechamentos são precisos e os detalhes em aço escovado e cromados dão um “quê” a mais. Só que, para um carro de mais de R$ 174 mil, o Passat CC merecia uma dose de sofisticação a mais e um design mais arrojado dos painéis e quadro de instrumentos. Nota 9.
Design – O Passat CC é uma grata surpresa no universo de carros óbvios e sem graça da Volkswagen. Mescla linhas fluidas, com faróis angulosos e um traço inconfundível e estiloso de cupê. Nota 9.
Custo/benefício – É um carro pouco prático para o dia a dia, seja pelo conforto a bordo ou pelas dimensões generosas. Mas, sem dúvida, atrai olhares por onde passa. Por R$ 174.900, apesar de ficar mais barato que Mercedes CLS ou Audi A5 Sportback, fica no preço de outros modelos de marcas premium, como Série 3, Classe C e A4. Nota 6.
Total – O Passat CC somou 83 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Elegância vigorosa
As linhas modernas e arrojadas do Passat CC já sugerem um desempenho instigante. Só que o cupê quatro portas da Volkswagen surpreende ainda mais quando o motorista liga o carro e pisa com vontade no pedal do acelerador. Os 300 cv despejados nas quatro rodas respondem imediatamente e colam o corpo do motorista no banco esportivo nas arrancadas.
O mais surpreendente, porém, é que esse apetite não sofre qualquer interferência do câmbio Tiptronic DSG de seis velocidades. As mudanças de marcha são praticamente imperceptíveis, graças à caixa de dupla embreagem. Enquanto uma engata uma marcha, a outra embreagem já deixa a próxima pré-engatada. Ou seja, nada de delays, buracos ou trancos.
Esse eficiente conjunto também privilegia a performance do Passat CC na hora de encarar trechos de subida e em ultrapassagens. Os 35,6 kgfm de torque máximo já se oferecem aos 2.400 giros. Com isso, o motor enche rápido em uma ampla faixa de rotações –  até as 5.300 rpm – e otimiza as retomadas. O 60 km/h a 100 km/h em quinta sequencial, por exemplo, pede apenas 4,9 segundos. A condução na serra fica mais divertida ao fazer as mudanças de velocidade no seletor de marchas do volante. Com isso, o motorista tem uma maior interação com o carro ao fazer reduzidas ao seu bel-prazer.
Nas curvas, aliás, o CC demonstra seu equilíbrio impecável. A ótima rigidez torcional, a tração nas quatro rodas e os dispositivos eletrônicos de estabilidade e tração mantêm o modelo comportado, sem fazer qualquer menção de desgarrar, mesmo em velocidades altas. Nas retas, a comunicação entre rodas e volante se mantém precisa até os 200 km/h. Nas frenagens bruscas, o ABS e o EBD ajudam a manter o carro na trajetória e a o carro mergulha o mínimo necessário.
Como todo cupê, o Passat CC peca pelos acessos. Apesar das portas amplas, a altura diminuta e os bancos rebaixados dificultam a entrada dos ocupantes. Por dentro, o modelo oferece ergonomia correta, com a maioria dos comandos bastante intuitivos e sem exigir desvios de atenção do condutor. Os bancos acomodam bem os passageiros da frente, que ainda contam com ajustes elétricos dos assentos. O espaço para pernas também é satisfatório para motorista e carona, mas os passageiros de trás têm menos sorte, com pouco vão para cabeças e pernas. Detalhes negativos inerentes a um cupê, contudo, que o belo design e o charme desse tipo de carro parecem “abafar”.



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