RENAULT SANDERO AUTHENTIQUE 1.0 16V FLEX

 
 

Verso e reverso
Versão básica Authentique 1.0 do Renault Sandero tem preço baixo, mas peca no custo/benefício



Auto Press
Texto: Diogo de Oliveira
Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

O mercado brasileiro de automóveis é majoritariamente movimentado pelos hatchs de entrada. A razão é evidente: os preços baixos. No caso do Renault Sandero, a lógica é a mesma. A versão mais básica do modelo, a Authentique 1.0 16V flex é vendida a partir de R$ 29.290. Sua função é muito mais "propagandista". Aparece sempre estampada em letras garrafais "a partir de..." nos anúncios publicitários do carrinho, para atrair consumidores que buscam o menor custo. Apesar de funcionar como isca de anzol, a configuração responde por apenas 13% das vendas do hatch produzido em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba.
Na lógica do preço inicial, a versão Authentique 1.0 flex do Sandero se mostra excessivamente carente em conteúdo e acabamento. A lista de série, por exemplo, é bastante enxuta. São oferecidos para-choques na cor do veículo, alarme de advertência dos faróis acesos, banco traseiro rebatível, preparação para som, temporizador do limpador do para-brisas, vidros verdes, protetor do cárter. Os retrovisores externos não contam nem com comando interno. Para ajustá-los, é preciso meter o dedo diretamente nos espelhos.
Para se ter alguns itens para tornar o modelo mais interessante, como ar quente, desembaçador, limpador e lavador do vidro traseiro, calotas, hastes de regulagem interna dos retrovisores laterais e ar-condicionado, é preciso pagar um pacote que adiciona R$ 4.280 ao preço final – a direção hidráulica sequer é oferecida nesta configuração básica. Com todos os poucos opcionais e uma pintura metálica, que custa R$ 790, o preço da versão avaliada Authentique 1.0 atinge R$ 34.360.
Já diante dos rivais, o Sandero Authentique 1.0 fica competitivo no preço e nos itens de fábrica. Os concorrentes Chevrolet Corsa Joy 1.0, Ford Fiesta 1.0, Fiat Palio 1.0 e Volkswagen Gol 1.0, todos flex, têm preços entre R$ 29 mil e R$ 31 mil. Só o Peugeot 206 Sensation, que é 1.4, parte mais de cima, por R$ 32.790.
O Sandero tem ainda como pontos positivos o maior espaço interno do segmento, com 2,59 metros de distância entre-eixos, 320 litros de porta-malas e o motor 1.0 16V flex, um dos mais fortes. A unidade de força rende 76/77 cv de potência com gasolina/álcool a 5.850 rpm e torque máximo de 9,9/10,1 kgfm aos 4.350, na mesma ordem. E o hatch da Renault é atualmente um dos compactos mais recentes do mercado. Sem dúvida, aspectos considerados pelos brasileiros. Depois do preço.
Ficha Técnica
Renault Sandero Authentique 1.0 16V Flex
Motor: A gasolina e álcool, dianteiro, transversal, 999 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 76 cv com gasolina e 77 cv com álcool, ambos a 5.850 rpm.
Torque máximo: 9,9 kgfm com gasolina e 10,1 kgfm com álcool a 4.350 rpm.
Diâmetro e curso: 69 mm X 66,8 mm . Taxa de compressão: 10.1:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com triângulo inferior, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Traseira semi-independente, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos sólidos e traseiros a tambor. Não oferece ABS.
Carroceria: Hatch compacto em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Dimensões: 4,02 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,53 m de altura e 2,59 m de entre-eixos. Não oferece airbags.
Peso: 1.025 kg, com 445 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 320 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Preço: R$ 29.290.
Preço Completo: R$ 34.320.
Ponto a ponto
Desempenho – O motor 1.0 16V da Renault agrada no Sandero, apesar de não esbanjar vigor. Seus 76/77 cv com gasolina/álcool são suficientes para enfrentar o trânsito com agilidade, sem que seja necessário subir os giros para obter arrancadas decentes. O bom escalonamento do câmbio ajuda, principalmente nas primeiras marchas, quando o propulsor libera boa parte dos seus 10,1 kgfm de torque com álcool, a partir dos 2.800 rpm. O zero a 100 km/h é cumprido em 14 segundos e a máxima é de 160 km/h . Nota 6.
Estabilidade – O comportamento equilibrado do Sandero é a característica mais marcante ao volante. O hatch compacto tem postura firme no solo, com boa estabilidade em retas. A flutuação só surge após os 140 km/h. A carroceria também torce pouco nas curvas e transmite segurança mesmo nas manobras mais intensas. Nas frenagens, o equilíbrio também prevalece. Nota 8.
Interatividade – A versão básica Authentique 1.0 flex não dispõe de muitos recursos para o motorista, mas os comandos, em geral, são bem dispostos. Outro aspecto positivo é a caixa de câmbio, com engates suaves e precisos. Nota 7.
Consumo – O Sandero obteve média razoável de 8,1 km/l com álcool, num percurso que mesclou 2/3 de cidade com 1/3 de estrada. Nota 7.
Conforto – O espaço interno é o grande atrativo do Sandero. Seu entre-eixos de 2,59 metros é o maior do segmento, com tamanho equivalente ao dos carros médios.  Embora a versão Authentique careça de alguns itens de série fundamentais, o comportamento equilibrado da suspensão, aliado ao espaço interno farto, torna a vida dos passeios dentro do hatch agradável. Nota 7.
Tecnologia – O Sandero foi concebido para ser um carro de baixo custo, mas sua estrutura em monobloco é recente, com dois anos de Brasil, e uma das mais modernas entre os compactos. O motor 1.0 16V flex também é destaque, por ser um dos mais potentes do segmento. Já a versão Authentique peca pela lista de série enxuta demais. Nota 7.
Habitabilidade – O porta-malas do Sandero também é destaque, com 320 litros de capacidade. Há ainda bom número de porta-objetos dentro do habitáculo e os acessos são amplos. Nota 8.
Acabamento – É talvez o aspecto mais carente do Sandero na versão Authentique 1.0. As peças se encaixam com boa precisão, mas a qualidade dos materiais não agrada olhos e tato. As texturas dos plásticos transmitem certa fragilidade, apesar das poucas rebarbas. Nota 5.
Design – O Sandero tem um desenho meio quadradão, com chapas retas e vincos pouco harmônicos. Mas os faróis arqueados que sobem em diagonal fazem um conjunto interessante com a tomada de ar ampla no para-choques. Nota 7.
Custo/Benefício – O preço é o principal atrativo da versão de entrada Authentique 1.0 flex. Só que os R$ 29.290 pedidos pela Renault são elevados diante da lista de série demasiadamente enxuta. Com ar-condicionado, pintura metálica e outros itens mais básicos, o valor sobe para R$ 34.360 e compromete o custo/benefício. Nota 6.
Total – O Sandero Authentique 1.0 16V flex somou 68 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Básico ao extremo
O Sandero é um carro básico por natureza. Foi projetado para ser simples em todos os aspectos. Mas no dia-a-dia, o hatch compacto se mostra eficiente no seu propósito: ser um veículo urbano e prático. O motor 1.0 16V com 76/77 cv com gasolina/álcool funciona bem, com respostas interessantes e até um consumo razoável com álcool, de 8,1 km/l.
O bom comportamento do câmbio é outro ponto positivo. As trocas de marcha são suaves e precisas, com destaque para o curso mais curto e a liberação de parte dos 10,1 kgfm de torque com álcool aos 2.800 giros. O zero a 100 km/h é feito em 14 segundos, com  máxima de 160 km/h. O bom equilíbrio do hatch em retas e curvas é notável. A carroceria torce pouco e transmite segurança.
Dos aspectos mais marcantes, porém, o espaço interno amplo é que mais chama a atenção. Além dos 2,59 metros de entre-eixos, o porta-malas leva até 320 litros. São as maiores medidas do segmento. Na versão Authentique, o único porém é a lista de série demasiadamente enxuta. Não há direção hidráulica sequer como opcional e é preciso pagar para ter ar-condicionado e outros itens. E ter de usar o dedo diretamente no espelho para ajeitá-lo é indiscutivelmente anacrônico.



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