FIAT PALIO ELX 1.4 8V FLEX

 
 

Um novo olhar
Frente herdada do sedã Siena conduz o Palio 2010 a uma consistente retomada nas vendas



Auto Press
Texto: Diogo de Oliveira
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

Difícil imaginar que a simples modificação de um conjunto de faróis baste para elevar significativamente as vendas de um veículo. Mas aconteceu com o Palio. Modelo mais emplacado da Fiat no país há anos, o hatch compacto vivia uma má fase desde a terceira reestilização, promovida em março de 2007. As vendas estavam em franco declínio, a ponto do modelo ser superado pelo veterano companheiro de vitrine, o Uno Mille. Mas, em janeiro, a montadora italiana trocou os faróis de refletor simples pelos de dupla parábola, iguais aos do Siena. A modificação incluiu ainda a grade frontal, que ganhou uma moldura cromada, também aplicada no sedã compacto. E o efeito foi imediato. Já em fevereiro, o Palio reassumiu a segunda colocação nos emplacamentos gerais de automóveis, superou o Uno e retomou a vice-liderança, atrás do Volkswagen Gol.
E não foi uma retomada tímida. O Palio subiu das 10.766 unidades comercializadas em janeiro, para 12.754 unidades em fevereiro. Em março, deu um grande salto até 19.640 emplacamentos. E, em abril e maio, o hatch da Fiat somou 16.297 e 16.612 unidades, respectivamente, estabelecendo uma nova – e competitiva – média mensal. O pivô das vendas do Palio continua a ser a versão Fire, que mantém o desenho da segunda reestilização do modelo, lançada em 2003. No mix de vendas, a configuração mais básica responde por 69% das vendas, com preços a partir de R$ 24.490.
Na recente reestilização, a Fiat manteve intocado o desenho do Palio Fire, mas aplicou o nome Economy, já adotado no Uno. Apenas o motor 1.0 litro 16V flex foi modificado para atender às novas regras do Proconve – Programa de Controle das Emissões de Poluentes por Veículos. Com pequenas alterações nos coletores, pistões e válvulas e uma tímida elevação da taxa de compressão, a unidade de força ganhou 8/9 cv de potência e gera 73/75 cv aos 6.250 rpm, além de 9,5/9,9 kgfm de torque aos 4.500 giros – com gasolina/álcool. Já o novo Palio, que parte de R$ 28.790, também dispõe de uma configuração de entrada equipada com o mesmo motor 1.0 8V flex. Esta versão concentra 11% das vendas.
Mas, no modelo com o visual mais recente, é a configuração intermediária do Palio ELX, equipada com o propulsor 1.4 8V flex, que puxa as vendas. São 18% do mix de emplacamentos e preço a partir de R$ 33.110. A unidade de força também recebeu ajustes para atender as últimas exigências do Proconve. Com novos pistões e coletores de admissão e de escape, o propulsor 1.4 litro ganhou 5 cv de potência e passa a desenvolver 85/86 cv a 5.750 rpm e um torque máximo de 12,4/12,5 kgfm aos 3.500 giros. A Fiat passou a oferecer também no Palio ELX a opção do motor 1.8 8V flex fornecido pela General Motors e antes exclusivo das versões esportiva R e a topo de linha HLX – que saiu de linha. O propulsor tem potências de 112/114 cv aos 5.500 rpm e torque de 17,8/18,5 kgfm aos 2.800 giros. Com ele, o Palio ELX parte de R$ 34.800 e de R$ 39.390, na configuração "top" R – juntas, elas têm apenas 2% do mix de vendas.
A ligeira repaginação do Palio também envolveu alguns itens de série. Além dos faróis de dupla parábola e da grade com moldura cromada, os faróis de neblina passaram a ser equipamento de série em todas as versões, assim como o brake-light e um aerofólio traseiro, fixado no teto. No interior, o quadro de instrumentos tem agora fundo preto e mantém velocímetro, conta-giros, marcador da temperatura da água, relógio digital e a pequena tela em cristal líquido à direita onde são exibidas informações do computador de bordo e as barrinhas que indicam o nível de combustível.
Entre os equipamentos mais importantes, quase tudo é opcional. De série, a versão ELX oferece basicamente direção hidráulica, computador de bordo, regulagem de altura da coluna de direção e para-choques, maçanetas e retrovisores externos na cor da carroceria. Com todos os opcionais, entre eles ar-condicionado, trio elétrico, airbags frontais, freios com ABS e o sistema de som Blue&Me, com rádio/CD/MP3, conexão Bluetooth e entradas USB e iPod, o preço na versão 1.4 flex chega a elevados R$ 45.119. Não por acaso, embora as vendas do Palio tenham crescido com a nova frente, é a versão de entrada Fire que mais impulsiona a forte arrancada nos emplacamentos do hatch compacto.
Instantâneas
# O Palio é fabricado pela Fiat na planta de Betim, em Minas Gerais, desde abril de 1996. Na época, o modelo era equipado com motores 1.5 litro 8V e 1.6 litro 16V.
# Desde que foi lançado no Brasil, o Palio já passou por quatro reestilizações. A primeira foi em 2000, com desenho assinado pelo designer italiano Giorgeto Giugiaro. A segunda foi em 2003. E o terceiro e o quarto face-lift foram em 2007 e no início de 2009.
# Na última reestilização do Palio, de 2009, a Fiat criou a versão ELX 1.8 flex. O motor antes era disponibilizado nas versões de apelo esportivo R e na extinta top HLX. E a principal diferença da configuração R agora são as máscaras negras dos faróis.
# A Fiat oferece atualmente um leque de 11 cores para a carroceria do Palio. São quatro sólidas – azul, branco preto e vermelho – e mais sete metálicas, com azul, bege, prata, preto, verde e dois tons de cinza. As metálicas adicionam R$ 848 ao preço final.
Ficha técnica - Fiat Palio ELX 1.4 flex
Motor: Gasolina e álcool, dianteiro, transversal, 1.368 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples de válvulas no cabeçote. Injeção de combustível multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 85 cv com gasolina e 86 cv com álcool aos 5.750 rpm.
Torque máximo: 12,4 kgfm com gasolina e 12,5 kgfm com álcool aos 3.500 rpm.
Diâmetro e curso: 72,0 mm x 84,0 mm. Taxa de compressão: 10,3:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços oscilantes inferiores transversais, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira independente por eixo de torção, com braços oscilantes inferiores longitudinais, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a tambor. Oferece ABS com EBD como opcional.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Dimensões: 3,85 metros de comprimento, 1,64 m de largura, 1,44 m de altura e 2,37 m de entre-eixos. Oferece airbags duplos frontais como opcional.
Peso: 981 kg em ordem de marcha, com 400 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 290 litros.
Tanque de combustível: 48 litros.
Ponto a ponto
Desempenho – O propulsor 1.4 flex produz uma quantidade de energia apenas razoável para o Palio. Os 86 cv de potência e o torque de 12,5 kgfm com álcool empurram o hatch compacto com vigor comedido. No trânsito urbano, o Palio é até esperto. O zero a 60 km/h é cumprido em 5,4 segundos e o zero a 100 km/h é feito em 12,1 s. Mas o desempenho do motor é afetado mesmo pela falta de sintonia do câmbio manual de cinco marchas. A caixa de transmissão tem a primeira relação muito curta, para compensar o baixo torque, despejado por inteiro somente aos 3.500 rpm, faixa de giros elevada dentro das cidades, onde os motores geralmente trabalham com rotações entre 1.500 e 3 mil rpm. E há um degrau muito grande entre a primeira e a segunda marchas, o que exige que o condutor mantenha os giros sempre elevados para o motor não perder a força, principalmente em ladeiras. Nota 6.
Estabilidade – Enquanto nas retas a sensação de flutuação surge logo após os 120 km/h, nas curvas mais fechadas a estrutura em monobloco torce excessivamente. Já a suspensão mais macia interfere nas frenagens. A dianteira embica bastante, mesmo em paradas mais amenas e fica instável em situações extremas. Durante a avaliação, o sistema ABS com EBD, opcional no modelo, mostrou-se fundamental, sendo constantemente acionado. Nota 6.
Interatividade – A versão intermediária ELX é bem dosada neste quesito. Os comandos em geral ficam bem posicionados, com acessos intuitivos. E o assento do condutor tem regulagem de altura, também disponível na coluna de direção. Assim, é fácil encontrar a melhor posição de dirigir. O novo quadro de instrumentos, agora com fundo preto, mantém a iluminação em âmbar e tem boa leitura, com os numerais grandes. Um pequeno visor no canto direito inferior traz informações do computador de bordo e hodômetro, além do indicador do nível de combustível no tanque, exibido no confuso padrão de barrinhas empilhadas verticalmente. O que desagrada no Palio é o câmbio. A alavanca fica bem posicionada, próxima ao volante, mas tem engates esponjosos e cursos demasiadamente longos. É preciso esticar totalmente o braço para acoplar a quinta marcha. Nota 7.
Consumo – O Palio abastecido com álcool registrou um consumo elevado para um modelo com um motor pequeno. A média foi de 6,4 km/l num percurso com 2/3 de cidade e 1/3 de estrada. Nota 6.
Conforto – O espaço para pernas é reduzido tanto na frente quanto atrás, como na maioria dos compactos. Os bancos também não colaboram para o bem-estar a bordo. Além de terem tamanho limitado pelo espaço físico do hatch, com 2,37 metros de entre-eixos, as espumas têm densidade elevada e causam desconforto em viagens longas. O isolamento acústico também é apenas razoável. Os ruídos externos e o ronco áspero do motor invadem o habitáculo o tempo todo. Nota 6.
Tecnologia – A plataforma do Palio sofreu um reforço em 2003, mas é basicamente a mesma há 14 anos. Já o motor 1.4 8V flex, da versão avaliada ELX, é mais recente, do início da década. De moderno mesmo, o Palio traz alguns equipamentos de fábrica, que na versão ELX 1.4 nem são tantos. Na verdade, os destaque são os freios com ABS e EBD e os airbags frontais, que são opcionais. O sistema de som Blue&Me, outro opcional, também merece referência, com a integração de rádio/CD/MP3, conexão bluetooth e entradas USB e para iPods. Nota 6.
Habitabilidade – Os acessos ao interior do Palio não são muito amplos. Nos bancos dianteiros, há até um vão mais convidativo, com boa amplitude. Mas atrás o espaço é apertado. O porta-malas também sofre do mesmo mal. O vão tem boa altura, mas é espremido nas laterais. Já a capacidade de 290 litros está dentro da média do segmento. E as regulagens ficam bem posicionadas. As únicas exceções são as alavancas de abertura da tampa do porta-malas e do tanque de combustível no assoalho, próximas dos pés do motorista. Nota 6.
Acabamento – Os plásticos rígidos em duas cores no painel – preto e cinza metálico – e tecidos nas forrações das portas tentam dar algum requinte ao Palio. Mas trata-se de um carro básico. As texturas não impressionam aos olhos e ao toque e os encaixes são apenas razoáveis. Há espaços entre algumas peças e falta precisão de montagem. Também há rebarbas aparentes, embora o conjunto não incomode tanto. De qualquer forma, a versão ELX 1.4, mais adornada por dentro, é superior a concorrentes como Chevrolet Corsa e Ford Fiesta. Nota 7.
Design – A nova frente copiada do Siena, com os faróis em dupla parábola e a grade com moldura cromada, fez bem ao Palio. O hatch compacto da Fiat está mais atraente. Os vincos nas laterais também realçaram as linhas. Mas as lanternas traseiras encorpadas não têm tanta harmonia com as linhas dianteiras. Nota 7.
Custo/Benefício – A versão ELX 1.4 tem um preço interessante. É vendida por R$ 33.110. O problema é que a lista de série é muito enxuta. Entre os itens, há basicamente a direção hidráulica e computador de bordo. É preciso pagar para ter ar-condicionado, vidros, travas e espelhos laterais elétricos, o sistema de som Blue&Me, além de regulagem de altura para o assento do motorista, entre outros. E com todos os opcionais da versão avaliada, o preço chega a elevados R$ 45.119 e esbarra nos compactos premium. Nota 6.
Total – O Fiat Palio ELX 1.4 flex somou 63 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Em nome da beleza
 O upgrade recente do Palio foi exclusivamente estético. Por isso, a bordo do hacth compacto da montadora italiana, tudo continua igual. A maciez e boa ergonomia são quase uma marca registrada do hatch fabricado em Betim, na grande Belo Horizonte, em Minas Gerais. Tanto a suspensão, quanto os engates do câmbio ou mesmo o giro do volante nas manobras são extremamente amaciados. No interior, a aplicação de tecidos no forro das portas e peças de plástico rígido em duas cores no painel – preto e cinza metalizado – tentam fazer do ambiente compatível com a proposta de conforto, acabamento estiloso e algum requinte. No conjunto, o Palio até é simpático.
 Em movimento, porém, o hatch compacto revela limitações naturais para um modelo que está em linha de produção há 14 anos, entre mudanças visuais e ligeiros aprimoramentos mecânicos. Nas retas e curvas, o Palio tem pouco equilíbrio e que não aceita abusos. Após ultrapassar os 120 km/h, surge uma sensação de flutuação, transmitindo insegurança e falta de precisão na comunicação entre as rodas e o volante. Também é comum no dia-a-dia o motorista ter de corrigir constantemente a trajetória em retas, a velocidades de 60 km/h.
 Já nas curvas, sobretudo nas mais fechadas, basta entrar mais agressivo para as rodas traseiras ameaçarem se desgarrar da pista. A carroceria torce bem nas manobras. Durante as frenagens também falta rigidez à estrutura em monobloco. A dianteira embica com vontade e afeta diretamente o equilíbrio. Na versão ELX 1.4 flex avaliada, estavam instalados freios com ABS e distribuidor eletrônico de frenagem EBD, além de airbags frontais. E durante toda a avaliação, o sistema antitravamento dos freios foi acionado constantemente, mesmo nas frenagens não tão intensas, demonstrando ser um item de segurança de grande importância no Palio.
 Já em relação ao desempenho, o motor 1.4 8V flex mostrou alguma evolução. A unidade de força oferece respostas razoáveis ao pedal do acelerador, com seus 86 cv de potência e o torque de 12,5 kgfm com álcool. Em geral, boa parte do torque é liberada a partir dos 2.500 rpm, o que deixa o modelo até um pouco ligeiro no trânsito urbano. Foram necessários 5,4 segundos para arrancar de zero a 60 km/h. Já para ir de zero a 100 km/h, o hatch compacto levou 12,1 segundos, desempenho não muito entusiasmante, assim como a máxima de 167 km/h. Também faltou energia nas retomadas. Foram necessários 13,5 segundos para recuperar o fôlego de 60 km/h aos 100 km/h em quarta marcha.
 A explicação do rendimento comedido do Palio é o difícil entrosamento do motor com o câmbio manual de cinco velocidades. A primeira marcha é excessivamente curta para compensar a falta de torque em baixos giros. O que acaba provocando um buraco entre a primeira e a segunda marchas. Os 12,5 kgfm são liberados integralmente apenas aos 3.500 rpm, o que força o motorista a manter os giros do propulsor elevados para não perder força. Os engates do câmbio ainda são esponjosos e imprecisos. E o curso é demasiadamente longo. No caso da versão ELX avaliada, a ergonomia agrada, com ajustes de altura para o assento do condutor e a coluna de direção. Mas é preciso pagar à parte pela regulagem no banco, assim como pela grande maioria dos equipamentos.



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