NISSAN LIVINA SL 1.8 16V FLEX AUTOMÁTICO

 
 

A "top" que é "pop"
Apesar de mais cara, versão SL 1.8 automática do Livina puxa as vendas do monovolume da Nissan



Auto Press
Texto:Julio Cabral
Fotos: Luiza Dantas/Carta Z Notícias

Dentro dos planos de expansão global da Nissan, o Livina possui um papel de destaque. O monovolume, o primeiro carro de passeio nacional da marca, foi criado como um veículo de bom custo/benefício para países emergentes. Países cujos índices de crescimento se tornaram ainda mais atraentes diante dos impactos da crise nos mercados desenvolvidos. No Brasil, a marca japonesa ainda se valeu da base da plataforma já existente da minivan – que serve ao Renault Logan – para colocar em prática seus objetivos de expansão. E nada melhor que um modelo com custo/benefício atraente como o Livina. Só que, curiosamente, a versão mais vendida do modelo é a "top" SL 1.8 16V flex, que parte de R$ 56.690 e responde por 36% do mix de vendas no país.
É verdade, porém, que o Livina ainda engatinha no mercado brasileiro e mantém vendas tímidas para quem almeja maior participação por aqui. O monovolume médio registrou 169 unidades em abril e 384 em maio – segundo dados do Renavam. Um número crescente, mas que ainda se mostra distante da média prevista de 800 carros mensais. Até porque o fabricante japonês esperava que as vendas fossem puxadas pela configuração de entrada, equipada com motor 1.6 16V flex. Ela custa exatos R$ 10 mil a menos – R$ 46.690 –, mas responde por apenas 17,2% dos emplacamentos. Na gama 1.6, aliás, também é a top SL que vende mais, com 33,2% do mix, enquanto os restantes 13,6% competem à 1.8 "de entrada".
O motor da versão top SL testada é o mesmo 1.8 16V que equipa o hatch médio Tiida, importado do México – que também recebeu o sistema flex. O propulsor conta com recursos modernos, como comando de abertura variável de válvulas na admissão para render 125 cv/126 cv a 5.200 rpm, com gasolina e com álcool, e 17,5 kgfm de torque a 4.800 rpm – com qualquer um dos combustíveis. Atrelado ao propulsor está um câmbio automático de quatro velocidades fabricado no Japão, também encontrado no Tiida.
Na estratégia de conseguir volume, com logística otimizada e bom custo/benefício, a Nissan mirou justamente em um segmento onde o Honda Fit se destacava. E a própria marca não esconde de ninguém que foca no monovolume compacto da marca nipônica rival. Para se diferenciar, a Livina conta com dimensões mais amplas que seus concorrentes diretos em preço. O monovolume tem 4,18 metros de comprimento, 1,69 m de largura, 1,57 m de altura e 2,60 m de entre-eixos. O porta-malas tem 449 litros de capacidade, volume que pode ser ampliado para 769 l com o rebatimento do encosto bipartido do banco traseiro.
O estilo do modelo é sóbrio e marcado pela funcionalidade, sem ousadias. Os faróis ostentam um formato verticalizado e a grade, inspirada na do crossover Murano, é o ponto mais chamativo da dianteira. O capô possui um ressalto central, que se prolonga até a grade. E as laterais são simples, com arcos de rodas ressaltados. A inclinação acentuada da terceira janela busca agregar maior robustez. A porção traseira conta com lanternas verticais e um vidro de grandes proporções. As versões SL tentam acrescentar algum requinte ao design simples, com faróis de neblina e para-choques, maçanetas e carcaças dos retrovisores na cor da carroceria, além de acabamento cromado na grade.
 A lista de equipamentos de série abrange itens como ar-condicionado, direção elétrica, trio elétrico, bancos em veludo, volante revestido em couro com ajuste de altura, travas por comando a distância, alarme e rodas de liga leve aro 15 . Em matéria de segurança, o modelo traz airbag duplo e freios com ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência. O Livina SL 1.8 16V sai por R$ 56.690. Caro se comparado à Chevrolet Meriva Premium 1.8 Easytronic, ao Volkswagen SpaceFox 1.6 e ao Fiat Ideal HLX 1.8, que partem, respectivamente, de R$ 48.240, R$ 46.070 e R$ 47.110, mas são menores e menos equipados. O preço equipara a versão top do Livina ao Honda Fit LX 1.4 16V equipado com câmbio automático, que custa R$ 55.625, mas que não traz freios ABS.
Instantâneas
# O Nissan Livina foi apresentado pela primeira vez em julho 2006, no Salão do Automóvel de Guangzhou, na China.
# No dia 22 de junho será lançado o Grand Livina, que possui 24 cm a mais no comprimento – o entre-eixos é o mesmo do Livina – e comporta sete passageiros.
# O tanque de gasolina para partida a frio da minivan possui bocal junto ao para-brisa, à direita.
# O monovolume possui três anos de garantia.
# O Livina e o Grand Livina também são produzidos na China, Malásia e África do Sul. Na Indonésia, é produzida apenas o Livina, enquanto nas Filipinas é fabricado só o Grand Livina.
# Lá fora, o modelo está disponível em uma versão com estética aventureira, batizada de Livina X-Gear ou Livina C-Gear, que deve ser adotada no Brasil até o ano que vem.
# O Livina possui uma série de acessórios de concessionária, entre eles, um kit aerodinâmico, com spoilers dianteiro e traseiro, saias laterais e aerofólio, frisos laterais – na cor preta ou no tom da carroceria –, ponteira de escapamento cromada – no formato oval ou redondo – e sensor de estacionamento traseiro. 
Ficha técnica - Nissan Livina SL 1.8 16V Flex automático
Motor: A gasolina e álcool, dianteiro, transversal, 1.798 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo de válvulas no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático de quatro marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 125 cv com gasolina e 126 cv com álcool a 5.200 rpm.
Torque máximo: 17,5 kgfm com gasolina e álcool a 4.800 rpm.
Diâmetro e curso: 84 mm x 81,1 mm. Taxa de compressão: 9,9:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora. Traseira semi-independente, com eixo de torção molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Discos na frente e tambor atrás. Oferece ABS e EBD de série na versão.
Carroceria: Monovolume em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 4,18 metros de comprimento, 1,69 m de largura, 1,57 m de altura e 2,60 m de entre-eixos. Oferece airbag duplo frontal de série na versão.
Peso: 1.193 kg em ordem de marcha, com 397 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 449 litros/769 litros com o banco traseiro rebatido.
Tanque de combustível: 50 litros.
Ponto a ponto
Desempenho – O motor 1.8 16V com 126 cv e 17,5 kgfm – com álcool – é esperto em arrancadas e no uso cotidiano, em baixas rotações. A potência e torque são adequados para imprimir ao monovolume de 1.193 kg um desempenho equivalente ao de um sedã médio. De zero a 100 km/h, são necessários 11,5 segundos e a velocidade máxima é de 180 km/h, suficiente para um veículo familiar. O câmbio automático de quatro marchas é bem escalonado e proporciona respostas rápidas quando é requerido. A retomada de 60 a 100 km/h em "Drive" é cumprida em 8,9 segundos, o que garante certa agilidade em ultrapassagens. Nota 8.
Estabilidade – A suspensão do monovolume do Nissan possui um bom compromisso entre a estabilidade e o conforto. O conjunto mostra-se acertado e não deixa o Livina adernar em excesso nas curvas. A direção, com assistência elétrica, é extremamente leve em manobras e em baixas velocidades, mas ganha o peso correto em ritmos mais elevados e não exige correções em retas. Os freios, a disco na dianteira e tambor na traseira, com ABS, EBD e assistente emergência, ajudam a parar o carro de maneira equilibrada. Nota 7.
Interatividade – A ausência de ajuste de altura do banco do motorista e dos cintos dianteiros chega a ser inusitada para um modelo que custa R$ 56.690. E chega a contradizer a própria proposta de modularidade e flexibilidade tão enaltecida pelas minivans. O volante possui ajuste apenas em altura. Ainda assim, a bordo do Livina o motorista conta com pontos positivos, como a ampla área envidraçada e visibilidade desimpedida, auxiliada pela posição alta de condução e pelos retrovisores laterais bem dimensionados. Os botões dos vidros e travas estão posicionados em locais de fácil acesso, nas portas, e o rádio tem comandos de bom tamanho. O quadro de instrumentos, com iluminação alaranjada, é descomplicado e de fácil visualização. Nota 6.
Consumo – O Nissan Livina SL 1.8 16V automático fez a média de 6,7 km/l com álcool e uso 2/3 urbano e 1/3 na estrada. Apenas razoável. Nota 6.
Conforto – A suspensão proporciona um bom nível de conforto de rodagem, sem, contudo, isolar todas as imperfeições do piso. Os bancos são revestidos em um tecido aveludado e os dianteiros apoiam bem o corpo em curvas. Atrás, o espaço é bom tanto para os pés, quanto para os ombros e cabeças. Três ocupantes se acomodam sem sobras, mas também sem passar por apertos. O isolamento acústico é comprometido pelo ronco do motor, que acima das 3.500 rpm invade sem cerimônia o habitáculo, e pelos ruídos de rodagem. Nota 7.
Tecnologia – O monovolume é baseado na plataforma do Dacia/Renault Logan, lançada originalmente em 2004, que não conta com recursos como suspensão traseira independente. O motor 1.8 16V esbanja mais modernidade, como variação de fase na abertura de válvulas. O câmbio automático possui apenas quatro velocidades e o modelo fica devendo em detalhes, como ajustes de altura do banco do motorista, de profundidade do volante, dos cintos dianteiros, além de cinto de três pontos e encosto de cabeça para o passageiro central traseiro. Entre os principais itens de série, o Livina traz ar, direção elétrica, trio elétrico, rádio/CD/MP3 com entrada auxiliar, airbag duplo e freios ABS com EBD e assistência de emergência. Nota 7.
Habitabilidade – O ponto alto do monovolume. Além do espaço suficiente para cinco passageiros, as portas têm bom ângulo de abertura e facilitam o acesso. O porta-malas comporta 449 litros e conta com boa abertura e banco traseiro bipartido. Há um bom número de porta-objetos nas quatro portas e porta-copos à frente do câmbio e no console central para os ocupantes de trás. Nota 8.
Acabamento – Os arremates e encaixes são precisos. Mas, os materiais utililizados são modestos no aspecto. A padronagem do painel, em duas cores, com plástico preto texturizado na parte superior e cinza na inferior, disfarçam um pouco a simplicidade. Há detalhes em plástico metalizado no console central, na manopla do câmbio, nos aros das saídas de ar laterais e no volante, que conta com revestimento em couro. Nota 6.
Design – O Livina é um modelo com desenho atual, mas sóbrio, com painéis laterais planos e faróis que avançam sobre os para-lamas e capô. Os destaques ficam por conta da grade dianteira, com acabamento cromado na versão SL, e da terceira janela lateral, com inclinação acentuada. Nota 7.
Custo/Benefício – Por R$ 56.690 – sem pintura metálica, que sai por R$ 950 –, o Livina SL 1.8 16V oferece uma relação custo/benefício interessante para o segmento, sendo mais barata e potente que o Honda Fit, e mais equipada e maior em dimensões que os Fiat Idea e Chevrolet Meriva. Nota 8.
Total – O Nissan Livina SL 1.8 16V Flex somou 70 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Tudo em família
 Monovolumes em geral são associados a situações cotidianas e de uso familiar. Não são veículos que empolgam pelo desempenho dinâmico, nem atraem pelo estilo e muito menos instigam o motorista a uma condução mais esportiva. O Nissan Livina não foge dessa ideia. O motor mais potente da linha, o 1.8 16V, cumpre o papel de dar à minivan agilidade suficiente no trânsito urbano e, junto com a direção elétrica macia, faz do carro um excelente companheiro diário. Se exigido a fundo em acelerações e retomadas, o propulsor entrega potência de forma plana. Nessas situações, o motor ruge mais alto.
  O câmbio automático de quatro velocidades é competente na maior parte das situações, mas carece de recursos mais atuais, como opções de trocas manuais ou uma simples tecla "sport". As passagens de marchas são marcadas pela suavidade, sem trancos, e o câmbio reduz prontamente ao se aplicar um pouco mais de pressão sobre o acelerador.
 Em curvas, a estabilidade é garantida pelo acerto mais justo da suspensão, que não aposta todas as suas "fichas" no conforto de rodagem. Sem rolar muito nas curvas, o Livina é seguro em todas as situações. E, embora não isole o habitáculo dos buracos de ruas e estradas, a suspensão não repassa solavancos em demasia e poupa os passageiros de oscilações incômodas, comuns em veículos mais altos. Não há sustos em frenagens nem desvios de trajetória, lembrando que a versão top conta com freios com ABS, EBD e assistente de emergência..
 O Livina acomoda bem o motorista, apesar da ausência de ajustes comuns no segmento, como a regulagem de altura do banco e dos cintos de segurança. O volante de três raios revestido em couro possui boa pega. As soluções ergonômicas são boas, com comandos de vidros posicionados nos apoios das portas e rádio em altura elevada.
 O espaço interno é um ponto de destaque. A parte traseira acomoda bem três ocupantes, que não reclamarão de apertos para os ombros, cabeças ou pernas. A sensação de bem-estar é ampliada pelo habitáculo bem iluminado e pelas cores claras do revestimento. E o porta-malas de 449 litros é suficiente para acomodar bagagens e tralhas de quaisquer espécies. A dirigibilidade é facilitada pelo trivial ar-condicionado, direção assistida, rádio/CD/MP3 e trio elétrico.
 Mas a simplicidade do projeto fica evidente em alguns pontos. O interior não é modulável como se espera em monovolumes modernos, com bancos traseiros escamoteáveis no piso, mesas no encosto dos bancos dianteiros ou porta-trecos mais abundantes. Também faz falta um computador de bordo, item comum no segmento. Ausências que não chegam a desmerecer o Nissan, mas que enriquecem a convivência com um veículo familiar.



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