FORD FUSION 3.0 SEL V6 AWD

 
 

Um mexicano na alta roda.
Motor e equipamentos ampliam o poder de fogo do Ford Fusion na briga entre sedãs requintados



Auto Press
Texto: Fernando Miragaya
Fotos: Luiza Dantas/Carta Z Notícias

Em três anos de Brasil, o Fusion se tornou referência de carro sofisticado. Mesmo assim, faltavam alguns detalhes para encorpar ainda mais a imagem do sedã médio-grande mexicano. A solução veio na renovação da linha 2010. A Ford aproveitou o desenho ainda mais imponente do modelo, no estilo batizado de Bold Design, para importar uma nova configuração com mais equipamentos e tecnologias. Itens que, ausentes, não chegavam a desmerecer a única versão que era vendida no Brasil até então. Mas que limitavam o Fusion a brigas com versão de topo dos sedãs médios nacionais. Daí a decisão de ampliar a pujança da linha com a versão SEL 3.0, um motor V6 de 243 cv, tração integral e um sofisticado sistema multimídia que facilitam a vida do Fusion na hora de trafegar em segmentos superiores.
Com preço a partir de R$ 99.900, o Fusion 3.0 V6 repete a boa relação custo/benefício na disputa com outros sedãs médios-grandes, enquanto a versão “de entrada”, agora com motor 2.5, continua a duelar com os médios topos de linha. Para tal, a versão mais completa do carro da Ford oferece um moderno motor Duratec com seis cilindros em V, bloco e cabeçotes em alumínio, duplo comando no cabeçote com sistema de abertura variável de válvulas na admissão, 243 cv de potência a 6.550 rpm e 30,8 kgfm a 4.300 giros. Aliado a isso, uma tração integral do tipo All Wheel Drive – AWD – e uma transmissão de seis velocidades com opção de mudanças sequenciais.
Ou seja, o Fusion 3.0 oferece um conjunto mecânico mais atraente que seus rivais com motor V6, quase todos com preços superiores. O Volkswagen Passat 3.2 V6 começa em R$ 141.080, o Toyota Camry XLE 3.5 V6 parte dos R$ 145 mil, o Honda Accord EX 3.0 V6 tem preço sugerido de R$ 144.500. Mas o rival que realmente está na mira dessa nova versão é o Hyundai Azera. O modelo coreano, que começa em R$ 93.900, tem um desempenho comercial surpreendente: emplaca, em média, 730 unidades mensais, apesar da falta de tradição e de estrutura de atendimento no pós-venda da marca no Brasil. Para competir, o modelo da Ford oferece o que se espera de um modelo deste porte. Na segurança, oferece seis airbags, controles de estabilidade e de tração, freios com ABS e EBD e sensores de obstáculos traseiros e da pressão dos pneus.
No conforto, previsíveis ar-condicionado automático dual zone, trio elétrico, ajustes elétricos dos bancos dianteiros, retrovisores aquecíveis e com luz de aproximação, revestimento em couro, computador de bordo, controle de cruzeiro, além da nova direção elétrica, entre outros. Um dos destaques, porém, é o sistema Sync de conectividade, o mesmo do Edge. Controles do som, DVD, ar, memória de 10 GB e Bluetooth estão reunidos em uma tela de LCD de 8 polegadas sensível ao toque. Um sistema que ainda pode ser acionado através de comandos no volante ou de voz. Também assim como no Edge, o sistema de navegação ainda não foi habilitado.
Um conjunto de itens de tecnologia que ajuda a manter as vendas do Fusion. No primeiro mês de vendas, a versão V6 respondeu por 42% das 661 unidades comercializadas. Um número ainda distante da média de mil unidades mensais do ano passado e até da expectativa – não oficial – de 20% de incremento nas vendas totais da linha. Mas não foi um mês propriamente completo de vendas. E a impressão que se tem é que nas revendas da Ford o Fusion ainda tem potencial para crescer.
Instantâneas
# O Ford Fusion é fabricado na planta em Hermosillo, no México.
# O sedã foi lançado no Brasil em abril de 2006.
# A versão de entrada custa R$ 84.900 e tem motor 2.5 litros de 173 cv. Antes, o propulsor tinha 2.3 litros e 163 cv.
# O diâmetro de giro da direção do Fusion foi reduzido em 1,4 metro em comparação ao modelo antecessor e foi para 11,4 metros.
# O sistema Ambient Lightning do modelo consiste em um controle de iluminação com sete diferentes cores para o porta copos e para o assoalho dos bancos traseiros.
# A iluminação do quadro de instrumentos do Fusion abandonou a cor verde e adotou um tom azul e superfície tridimensional em um conjunto batizado pela Ford de Ice Blue.
# O único opcional do Fusion, tanto na V6 quanto no modelo 2.5 16V, continua sendo o teto solar, que encarece os modelos em R$ 4 mil.
# O Fusion recebeu classificação máxima do NHTSA – National Highway Transportation Safety Agency –, entidade dos Estados Unidos que avalia a segurança dos veículos vendidos por lá.
Ficha técnica - Ford Fusion SEL 3.0 V6 AWD
Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 2.967 cm³, seis cilindros em “V”, quatro válvulas por cilindro. Comando duplo de válvulas no cabeçote, com sistema variável de abertura das válvulas de admissão. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático de seis velocidades à frente e uma a ré com opção de mudanças sequenciais. Tração integral. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 243 cv a 6.550 rpm.
Torque máximo: 30,8 kgfm a 4.300 rpm.
Diâmetro e curso: 87,4 mm x 94,0 mm. Taxa de compressão: 9,7:1.
Suspensão: Dianteira independente, com braços de comprimento variável, molas helicoidais, amortecedores pressurizados e barra estabilizadora. Traseira independente com braços múltiplos, molas helicoidais e amortecedores pressurizados e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: A discos na frente e atrás. ABS e EBD.
Carroceria: Sedã médio-grande em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 4,84 metros de comprimento, 1,83 m de largura, 1,44 m de altura e 2,72 m de entre-eixos. Airbags frontais, laterais e do tipo cortina.
Peso: 1.650 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 530 litros.
Tanque de combustível: 62 litros.
Ponto a ponto
Desempenho – Vontade é o que não falta ao Fusion V6. As arrancadas são generosas e o motor responde quase imediatamente às investidas no pedal do acelerador. O câmbio bem escalonado de seis velocidades – bastante superior ao de cinco marchas, que se mantém na versão de entrada – beneficia ainda mais a performance do sedã. Não há delays nem indecisões, o que garante ultrapassagens seguras e privilegia também o desempenho em trechos de subida. Alcançar os 100 km/h depois de sair da inércia consumiu bons 8,6 segundos e as retomadas só não são melhores porque o torque surge só depois dos 4 mil giros. Nota 9.
Estabilidade – O modelo top da linha de sedãs médios-grandes da Ford já conta com um conjunto de sistemas que ajudam a segurar o carro. E é possível perceber o controle de estabilidade atuando sobre o Fusion depois de entrar em uma curva mais agressivamente. A alta rigidez torcional também é elogiável. A carroceria torce o mínimo e nas retas não há sinais de flutuação, mesmo na máxima limitada em 180 km/h. Nas freadas bruscas, o sedã se mantém na mão do motorista, ajudado pelo ABS e EBD e pela suspensão bem calibrada, que evita que o modelo embique. Nota 9.
Interatividade – Os ajustes elétricos do banco dianteiro ajudam o condutor do Fusion a encontrar a posição ideal de dirigir. Aliado a isso, uma ergonomia eficiente na maioria das vezes, com diversos comandos ao alcance do motorista. O porém fica por conta dos comandos do computador de bordo e dos faróis, à esquerda da coluna de direção. O volante acaba por atrapalhar a visão dos botões e o motorista ainda é obrigado a deslocar o corpo para acioná-los. Para compensar, há o divertido sistema Sync com comandos de voz e tela sensível ao toque. O quadro Ice Blue tridimensional oferece ótima visualização, mas o display do computador de bordo é diminuto. A visibilidade traseira é prejudicada pelas largas terceiras colunas, o que é compensado na hora das manobras pelo sensor de obstáculos. Nota 8.
Consumo – A média de 6,6 km/l de gasolina pode até ser considerada razoável para um modelo automático com motor V6. Nota 6.
Conforto – Há espaço de sobra dentro do sedã. O vão para pernas e cabeças de todos os ocupantes é generoso e atrás três adultos conseguem viajar sem apertos. A anatomia dos assentos ajudam na sensação de conforto, a suspensão macia e bem ajustada filtra as irregularidades da pista e o isolamento acústico é perfeito. Nota 9.
Tecnologia – A plataforma do Fusion é moderna, tem quatro anos e a versão top reúne um eficiente motor V6 e uma transmissão de seis velocidades. Há vários dispositivos de segurança na versão, mas o diferencial mesmo é o sistema de conectividade, com tela touch screen, memória de 10 Gb, DVD e comando de voz. Peca pela ausência de GPS habilitado. Nota 9.
Habitabilidade – O vão das portas é amplo e facilita o ingresso ao habitáculo do Fusion. Além do mais, há uma boa quantidade de porta-objetos e porta-copos – há um duplo muito bem localizado no console central. A iluminação interna é eficiente, tanto com as luzes de leitura como as do assoalho e das portas. O porta-malas de 530 litros condiz com o segmento e tem uma boa abertura. Nota 8.
Acabamento – Os materiais utilizados nas forrações e painéis do Fusion evidenciam sofisticação e esmero. Os encaixes são precisos, assim como os fechamentos. O revestimento agrada não só aos olhos, mas também ao toque, com a utilização de texturas agradáveis. Nota 8.
Design – O jeito austero e ianque do Fusion ganhou ares mais arrojados e um que de imponência com a nova e generosa grade frontal. Fez bem também ao modelo a abolição dos cromados na traseira. Nota 8.
Custo/benefício – A versão única 2.3 já se valia de um preço competitivo que a colocava para brigar com sedãs médios tops. Já o V6, por quase R$ 100 mil, oferece uma boa quantidade de itens de conforto de segurança e é mais barato que quase todos os médios-grandes com motor V6 do mercado. Nota 8.
Total – O Ford Fusion 3.0 V6 somou 82 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Lazer em movimento
O Fusion 3.0 V6 é diversão na certa. E não trata-se de exagero ou de eufemismo. Antes mesmo de dar a partida para ver do que o propulsor V6 é capaz, é possível aproveitar tudo que o sedã médio-grande da Ford oferece. A grande atração é, sem dúvida, o sistema de conectividade Sync, desenvolvido em parceria com a Microsoft. É só gastar o inglês, o espanhol ou o francês, falar pausadamente e administrar vários equipamentos pelo comando de voz. Desde o viva-voz Bluetooth, até sintonia de uma estação de rádio ou a intensidade do ar-condicionado. Caso as línguas estrangeiras não estejam afiadas – não há disponibilidade de português –, é possível executar todas as funções através da tela sensível ao toque.
Só não dá para se esbaldar mais com o Sync por causa do inoperante GPS, que só localiza o carro no meio do mar do Golfo do México – a Ford diz que está desenvolvendo a habilitação do navegador para o Fusion e para o Edge. Já o motor 3.0 V6 mostra competência absoluta. Os 243 cv jogados nas quatro rodas do sedã se fazem notar logo nas arrancadas. O câmbio automático de seis velocidades faz trocas rápidas, não apresenta delays – há um discreto buraco entre a quarta e a quinta – e ajuda a fazer um zero a 100 km/h em 8,6 segundos.
As retomadas também são beneficiadas pelo bom trabalho câmbio/motor. O 60 km/h a 100 km/h em quinta sequencial foi obtido em 6,4 segundos e em drive foram necessários 8,2 segundos – resultado do propulsor só encher tardiamente, aos 4.300 rpm. Nos trechos planos, foi possível alcançar o limite eletrônico de velocidade, a 180 km/h. Mas é evidente que o Fusion V6 teria apetite e vontade para ultrapassar tranquilamente esta marca.
Com ou sem limite, o comportamento dinâmico do sedã é ótimo. Mesmo em velocidades altas, a comunicação entre rodas e volante se mantém precisa e com 180 km/h no velocímetro a sensação é de estar trafegando a 120 km/h. Ao mesmo tempo, o modelo conta com controles de estabilidade e de tração. Quando o Fusion faz menção de desgarrar depois de entrar agressivo em uma curva, os dispositivos eletrônicos explicitamente entram em ação e corrigem a trajetória do veículo. Ao mesmo tempo em que o ABS e EBD dos freios ajuda a manter o modelo na trajetória nas freadas bruscas.
A suspensão também colabora para a boa estabilidade. A frente não levanta em demasia nas arrancadas, apesar do ímpeto do motor V6 e a traseira também se contém nas paradas bruscas. A calibragem dos amortecedores e molas ainda filtram de forma eficiente os buracos nas ruas, sem refletir em sacolejos no habitáculo, privilegiando o conforto. Conforto, aliás, que é destaque no Fusion, com amplo espaço para pernas e cabeças e bancos que parecem abraçar os ocupantes. Aspectos que, somados à boa dirigibilidade e ao eficiente desempenho, fazem do Fusion um carro atraente. Seja em qualquer velocidade. Ou até mesmo parado.



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