AUDI A3 SPORTBACK 2.0 TFSI S-TRONIC

 
 

De volta para o futuro
Com estilo e muita tecnologia, Audi A3 Sportback tenta resgatar prestígio de outros tempos no Brasil



Auto Press
Texto: Fernando Miragaya
Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

Com o A3, a Audi conseguiu conquistar um posto de vanguarda. Em 1997, o modelo inaugurou um segmento até então inexplorado pelas marcas premium: a dos hatches menores. Tanto que fabricantes rivais resolveram lançar modelos mais compactos, como a BMW com o Série 1, e a Mercedes-Benz, primeiro com o SportCoupé, depois com o CLC. Lançada em 2006, a segunda geração do A3 mantém a aura pioneira e as características básicas. Tem visual arrojado, boa dose de tecnologia e uma parcela de status. Principalmente no Brasil, onde o hatch médio se tornou um caso emblemático. No ano de 2000, sinônimo de carro de jovens abonados e fabricado na Grande Curitiba sobre a mesma plataforma do Volkswagen Golf, o A3 chegou a anotar médias de vendas de quase mil unidades mensais.
Hoje, a nova geração, importada da Alemanha há quase três anos, tenta resgatar o prestígio do passado. Trazido apenas na versão Sportback, o modelo mescla um visual de hatch com station wagon, mas mantém médias tímidas de 70 unidades/mês. Culpa, em parte, do preço, inevitavelmente mais caro que a antiga geração made in Brazil. Começa em R$ 96 mil na versão 1.6. Mas o top 2.0 TFSI S-Tronic custa R$ 124.063. Esta é a que mais vende – 88% – e a que ostenta um nível de equipamentos condizente com o que uma marca premium precisa oferecer. A começar pelo motor. Trata-se do propulsor 2.0 turbo e com injeção direta de combustível. São 200 cv entre 5.100 rpm e 6 mil rpm e um torque de 28,6 kgfm disponível desde os 1.700 até os 5 mil giros. Um propulsor que trabalha em conjunto com uma transmissão igualmente avançada: a S-Tronic, com seis velocidades, dupla embreagem e opção de mudanças sequenciais através de borboletas atrás do volante.
A estrutura do A3 também faz jus à modernidade proposta. O dois volumes conta com suspensão independente, na frente e atrás. Ao mesmo tempo, o hatch ostenta uma lista de itens de segurança interessante. A versão S-Tronic é a única a dispor de série de controles de estabilidade e de tração. Além disso, o modelo oferece freios com ABS e EBD e airbags frontais e laterais dianteiros e apoios de cabeça ativos na frente. No conforto, previsíveis ar-condicionado automático, direção hidráulica, trio elétrico, computador de bordo, rádio/CD/MP3, entre outros. Demais mimos só estão disponíveis como opcionais, como conexão Bluetooth, sensor de estacionamento, entrada para iPod e ajuste elétrico do banco.
O apelo do A3, porém, também é estético. Pelas peculiaridades do mercado brasileiro, a Audi deixou de trazer a versão duas portas e hoje só comercializa a configuração quatro portas, chamada de Sportback e com comprimento de 4,28 m, 8 cm a mais que o A3 duas portas. O que confere um estilo bastante peculiar ao modelo. Visto de perfil, o A3 remete a uma station wagon, justamente pela traseira esticada e pelo caimento inclinado da terceira coluna. Uma saliência corta toda a carroceria no mesmo ângulo da linha de cintura. A esportividade é realçada pelas rodas de liga leve aro 17.
Na frente, o arrojo se apresenta nos faróis retilíneos, com uma fileira de leds na borda superior e interna. O capô tem caimento acentuado e a grade preta em forma de U empresta uma aparência bicuda ao hatch da Audi. Na traseira, os para-lamas e para-choques bojudos deixam a tampa do porta-malas em segundo plano. As lanternas horizontais com contornos irregulares se prolongam até as laterais e completam o visual. Por dentro, detalhes cromados, em aço escovado e revestimento em couro na versão top – com opção de tonalidades claras, como a do modelo testado.
Só que toda essa modernidade do A3 encontra rivais de porte. Por R$ 124 mil, o modelo acaba brigando com o BMW Série 1 na versão 120i 4 portas, de 156 cv, que parte dos R$ 118 mil. Também se apresentam como rivais os cupês Volvo C30 T5, de 230 cv e R$ 119.500, e Mercedes CLC 200 K, de 184 cv, por R$ 128.297. Todos modelos de marcas premium, que também assinalam médias inferiores a 100 unidades mensais. Mas nenhum deles têm um passado de sucesso comercial no Brasil, como o exemplar da Audi.
Instantâneas
# A nova geração do Audi A3 foi lançada no Salão de Genebra de 2003 e a configuração Sportback surgiu um ano depois.
# No Brasil, o hatch médio foi produzido entre 1999 e 2006 na planta da Volkswagen-Audi em São José dos Pinhais, no Paraná, sobre a mesma plataforma do Golf.
# Entre os opcionais do A3 está o teto solar Open Sky, um  sistema de teto composto por três peças de vidro.
# No Brasil, o A3 também é vendido nas versões 1.6 MPI – R$ 96.088 – e 2.0 TFSI manual, que parte dos R$ 117.540.
# A Audi começou suas atividades no Brasil em 1994 através da Senna Imports.
# A marca alemã faz parte do Grupo Volkswagen, cujo maior acionista é a Porsche e que reúne, além da Volks, as marcas Lamborghini, Seat, Skoda, Bugatti e Bentley.
# No Brasil, a Audi comercializa modelos das linhas A4, A5, A6, A8, o cupê TT, os utilitários esportivos Q5 e Q7 e o superesportivo R8.
Ficha técnica
Audi A3 Sportback 2.0 TFSI S-Tronic
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.984 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, duplo comando de válvulas e controle contínuo de abertura e fechamento das válvulas. Injeção direta de combustível.
Transmissão: Câmbio automatizado com dupla embreagem, seis marchas à frente e uma a ré e opção de mudanças sequenciais através de borboletas atrás do volante. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 200 cv entre 5.100 e 6 mil rpm.
Torque máximo: 28,6 kgfm entre 1.700 e 5 mil rpm.
Diâmetro e curso: 92,5 mm X 92,8 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira independente, com quatro braços articulados, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Dianteiros e traseiros a discos ventilados. Oferece ABS e EBD e assistente de emergência.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,29 m de comprimento, 1,76 m de largura, 1,42 m de altura e 2,57 m de entre-eixos. Oferece airbags duplos frontais e laterais dianteiros de série. Airbags laterais traseiros e do tipo cortina como opcionais.
Peso: 1.585 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 370 litros.
Capacidade do tanque de combustível: 55 litros.
Ponto a ponto
Desempenho – A performance do Audi A3 TFSI é instigante. O motor responde prontamente às pisadas no acelerador e, com isso, o ganho de velocidade é vigoroso. Foram 7,2 segundos para sair da inércia e colocar o ponteiro do velocímetro em 100 km/h. O casamento do propulsor com injeção direta e turbo com o câmbio S-Tronic beira a perfeição. Com dupla embreagem, a transmissão automatizada de seis velocidades otimiza o rendimento do motor. Não há delays nem buracos entre as mudanças de marcha, o que privilegia ótimas retomadas, beneficiadas ainda pelo robusto torque de 28,6 kgfm disponível em uma ampla faixa de giros: entre 1.700 e 5 mil rotações. Nota 10.
Estabilidade – O A3 é um modelo que impressiona dinamicamente. Em curvas fechadas, a carroceria torce o mínimo. A suspensão bem acertada e as barras estabilizadoras na frente e atrás favorecem o equilíbrio. Em freadas bruscas, o hatch não mergulha e nas arrancadas, apesar da virilidade do motor, a frente não empina. Em retas, mesmo em velocidades acima de 200 km/h, a impressão é de trafegar a 120 km/h, sem sinais de flutuação e com o carro na mão do motorista. Vale ressaltar a bagagem eletrônica que ajuda a controlar tudo, como controles de estabilidade e de tração e freios com ABS e EBD. Nota 9.
Interatividade – O dois volumes alemão oferece uma boa posição para dirigir e uma ergonomia eficiente. Só mesmo a disponibilidade dos comandos do ar-condicionado é pouco intuitiva, à frente do câmbio, o que obriga certo desvio de atenção por parte do motorista. A alavanca de regulagem de altura do banco também é mal posicionada e é preciso espremer a mão entre o assento e a porta para fazer o ajuste. No mais, a visibilidade dianteira é vasta, enquanto as laterais e traseiras são prejudicadas um pouco pelas largas colunas. O quadro de instrumentos tem leitura otimizada, a direção é suave e precisa, mas os engates do câmbio automatizado são um tanto duros. Nota 8.
Consumo – O consumo de 6,4 km/l, com uso 2/3 na cidade e o restante na estrada, foi apenas regular. Nota 6.
Conforto – A suspensão rígida privilegia mais uma condução esportiva. Por isso, os solavancos em trechos mal pavimentados são inevitáveis. O espaço para pernas para os ocupantes da frente são atrapalhados pelo enorme console central. Atrás, dois adultos e uma criança pequena conseguem viajar sem apertos. O isolamento acústico é quase perfeito e os bancos parecem abraçar os viajantes. Nota 7.

Tecnologia – A nova geração do Audi A3 data de 2003 e a versão top do hatch médio reúne um motor moderno, com turbo, intercooler e injeção direta. O conjunto ainda conta com a avançada transmissão S-Tronic com dupla embreagem. Os itens de conforto e de segurança condizem com os R$ 124 mil pedidos pelo carro, mas há carência de mais itens de entretenimento e conectividade. Nota 9.
Habitabilidade –  Os acessos aos bancos dianteiros do A3 são bons e atrás só são prejudicados pelo caimento da terceira coluna. Há poucos porta-objetos dentro do modelo. O porta-malas de 370 litros impressiona para o segmento e a iluminação interna é eficaz, com diversas luzes de leitura bem posicionadas. Nota 8.
Acabamento – O revestimento em couro claro na versão avaliada e os detalhes cromados reforçam o requinte dentro do A3 S-Tronic. Basta olhar e tocar os revestimentos para se perceber que a qualidade dos materiais usados é alta. Como é de se esperar em um Audi, há um cuidado claro com o acabamento: encaixes e fechamentos precisos, sem nenhum sinal de rebarbas. Apenas a combinação de tons cremes com a carroceria azul do modelo testado é um pouco europeia demais. Nota 9.
Design – O A3 sempre teve um estilo arrojado, que ficou evidenciado ainda mais nessa nova geração. A frente é pouco ousada, mas chamam a atenção o conjunto ótico anguloso e o perfil do carro, que parece um misto de hatch com station wagon. Nota 8.
Custo/benefício – O Audi A3 2.0 TFSI S-Tronic custa R$ 124.063, oferece motor turbo com injeção direta e uma transmissão de seis velocidades com dupla embreagem. No entanto, o BMW 120 e o C30 T5 custam próximo e oferecem airbags e alguns itens a mais que o exemplar da Audi. Mas todos eles, lamentavelmente, custam caro demais no Brasil. Nota 6.
Total – O Audi A3 2.0 TFSI S-Tronic somou 80 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Quatro rodas em fúria
Turbo, injeção direta e 200 cv. Uma combinação que só poderia resultar em um desempenho instigante para o Audi A3. Basta pisar no pedal direito para ver o ponteiro do conta-giros subir em um ritmo frenético, um estímulo inegável a ver do que o hatch médio é capaz. E o carro alemão não decepciona nem um pouco. As arrancadas são para lá de eficientes, graças às ágeis passagens de marcha efetuadas pelo câmbio de seis velocidades com dupla embreagem. Com isso, bastaram 7,2 segundos para fazer de zero a 100 km/h.
As retomadas também são exemplares. Não bastasse a transmissão competente, o motor enche rápido em qualquer situação. Também pudera, o torque de 28,6 kgfm está lá disponível para o motorista desde os 1.700 rpm até 5 mil rpm. Com isso, as ultrapassagens são garantidas e o 60 km/h a 100 km/h em 5ª podem ser conseguidos em 5,3 segundos. Nas subidas, o ritmo se mantém e o modelo enfrenta a serra sem dificuldades. Neste momento, a diversão fica por conta das trocas manuais através das borboletas atrás do volante. Com elas, dá para ter maior autonomia sobre o carro entre uma curva e outra.
É na estrada onde o A3 mostra sua admirável estabilidade. Nas retas, mesmo na máxima de 230 km/h, a comunicação entre rodas e volante se mantém precisa e não há sinais de flutuação. Nas curvas, o carro está sempre na mão do motorista, a carroceria torce pouco e o modelo em nenhum momento faz menção de jogar a traseira. Vale lembrar que o A3 dispõe de controles de estabilidade e de tração, além de freios com ABS e EBD, o que ajuda o motorista a manter a trajetória do carro mesmo em frenagens bruscas. Nessa hora, surge também a suspensão bem acertada, que evita que o A3 levante muito a traseira quando parado repentinamente.
A mesma suspensão, porém, deixa a desejar quando se enfrenta as intermináveis buraqueiras das ruas e avenidas das grandes cidades. O jogo mais rígido acaba por não filtrar bem as irregularidades da pista. Resultado: os ocupantes, principalmente os do banco de trás, sentem incômodos sacolejos. Mas a vida a bordo dentro do A3 compensa esse problema. Os bancos confortáveis parecem abraçar o corpo dos passageiros, há bom espaço para as cabeças e o vão para pernas na frente só é atrapalhado pelo largo console central, o que faz com que os joelhos do motorista e do carona fiquem um pouco prensados.
 
A ergonomia, de modo geral, é satisfatória, com a maioria dos comandos bastante intuitivos – as exceções sãos os botões do ar e a alavanca de ajuste de altura do assento do condutor. A visibilidade é boa na frente e a direção tem boa pegada. No consumo, o A3 se mostrou pouco econômico, mesmo para um modelo com motor turbo e câmbio automatizado: rodou 6,4 quilômetros por litro de gasolina com uso 2/3 urbano e 1/3 rodoviário.



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