NISSAN GRAND LIVINA SL 1.8 FLEX AUTOMÁTICO

 
 

Na medida familiar
Versão "top" SL 1.8 flex com câmbio automático puxa as vendas da Nissan Grand Livina



Auto Press
Texto: Diogo de Oliveira
Fotos: Luiza Dantas/Carta Z Notícias

As versões topo de linha normalmente são as que menos vendem. Justamente porque são as mais caras. Mas no caso da Grand Livina acontece o oposto. Enquanto a configuração básica da minivan de sete passageiros da Nissan concentra 31,6% do mix de vendas, a versão superior, SL, tem absolutos 69,4% dos emplacamentos. E até dentro do mix da própria SL, a configuração com câmbio automático – mais cara, vendida a partir de R$ 65.390 – é a mais procurada, com 38,4% das vendas – 31% são do modelo com câmbio manual. O preço competitivo é uma das razões do bom desempenho da versão top do monovolume. As rivais com sete lugares têm preços superiores. A Chevrolet Zafira Elite 2.0 automática custa R$ 73.050, enquanto a sul-coreana Kia Carens tem preço sugerido de R$ 75 mil em sua única configuração EX 2.0 – mas chegou a ser vendida por R$ 69.900 em setembro, último mês de redução do IPI.
O amplo domínio da versão SL também explicita uma certa predileção do público familiar por veículos melhor equipados e com maior nível de acabamento e conforto. É exatamente o que a Grand Livina "top" oferece. No interior, bancos, volante e parte dos apoios de braço do forro das portas são revestidos em couro, enquanto o painel traz detalhes – pintados na cor prata. A lista de série é outro atrativo. A Grand Livina mais cara traz de fábrica ar-condicionado automático, direção elétrica progressiva, trio, travamento automático das portas com o carro em movimento, airbags frontais duplos, freios com ABS e EBD, além de alarme perimétrico, rodas de liga leve aro 15, faróis de neblina e sistema de som com rádio/CD/MP3 e entrada auxiliar para players de música.
Para agregar mais algum status e modernidade, a versão SL é a única equipada com a chave I-Key. Ela contém um sensor eletrônico que reconhece a uma distância de até 80 centímetros e permite ao motorista abrir a porta pressionando um pequenino botão junto à maçaneta. E também dar a partida no motor – tudo com a chave guardada, por exemplo, no bolso. Na ignição, em vez da fechadura para inserir a parte metálica do segredo, há uma peça giratória que faz o mesmo movimento mecânico necessário para ligar o motor na maioria dos carros.
Na Nissan Grand Livina, porém, o grande atrativo é que o modelo comporta até sete passageiros. Entre as minivans médias do mercado com preços até R$ 80 mil, apenas Zafira e Carens oferecem uma configuração similar – as outras, como Citroën Grand C4 Picasso e Renault Grand Scénic, custam acima de R$ 85 mil. No monovolume da Nissan, a carroceria é alongada em relação à Livina de cinco passageiros, para receber os dois bancos adicionais que ficam atrás do eixo traseiro. Por isso, o modelo tem um porte mais agigantado. São 4,42 metros de comprimento, 24 cm a mais que a Livina menor. No mais, o modelo tem 1,58 metro de altura – 1 cm maior –, além de iguais 1,69 metro de largura e 2,60 m de entre-eixos. O porta-malas é menor que na Livina. Leva 123 litros, enquanto a configuração de cinco lugares comporta 449 litros no bagageiros. Obviamente, com os dois assentos adicionais escamoteados, esse volume cresce para 607 litros.
Na parte mecânica, os modelos se equivalem, com uma diferença. A Grand Livina é oferecida somente com o motor 1.8 16V flex, igual ao do Tiida, dotado de comando variável de válvulas. O propulsor gera 125 cv e 126 cv aos 5.200 rpm com gasolina e álcool e um torque de 17,5 kgfm aos 4.800 giros com ambos os combustíveis. Em potência, perde para a concorrência. A Chevrolet Zafira tem motor 2.0 flex oferece 133/140 cv, enquanto a Carens tem propulsor 2.0 só a gasolina com 149 cv.
Nos preços, contudo, a Grand Livina leva vantagem. O monovolume da Nissan é mais em conta em todas as versões. E a maior diferença de valores fica justamente entre as configurações topo de linha. Embora mais caras, as rivais trazem airbags a mais, controle de cruzeiro e até ajustes do volante. E nas vendas, a Grand Livina também tem muito o que evoluir. A minivan da Nissan começou a ser vendida na metade de julho e em agosto somou 173 emplacamentos, volume que representa apenas 12,5% do total de vendas da linha Livina. Mais que as 120 unidades mensais da Carens. Mas bem distante da líder Zafira, com média mensal de 730. Mas como única novata e pela relação custo/benefício que oferece, a Grand Livina ainda pode ser uma opção em um nicho carente de novidades.
Instantâneas
# A Grand Livina, assim como as outras configurações da minivan, é fabricada na planta do grupo Renault-Nissan em São José dos Pinhais, no Paraná.
# A Grand Livina é vendida em quatro versões. São elas a 1.8 flex básica, com opções de câmbio manual de cinco marchas ou a caixa automática de quatro velocidades, e a top SL, equipada com o mesmo motor e as duas opções de transmissão. Os preços são de R$ 54.890 e R$ 59.490 no modelo de entrada e R$ 61.190 e R$ 65.390 nos SL.
# O único opcional da Grand Livina é a pintura metálica, que adiciona R$ 1 mil.
# A Nissan oferece nas revendas autorizadas um pacote de acessórios para a linha Livina. Estão disponíveis o Aerokit, que reúne duas saias laterais e spoilers dianteiro e traseiro e aerofólio, faróis de neblina e sensores de obstáculos traseiros.
# Além da Grand Livina e da Livina de cinco lugares, a Nissan lançou no início de setembro a Livina X-Gear, versão com visual "aventureiro" baseada na configuração cinco passageiros. A X-Gear é vendida nas versões 1.6 básica, 1.6 SL e a top 1.8 SL automática, por R$ 51.700, R$ 57.900 e R$ 63.700, respectivamente.
Ficha técnica
Nissan Grand Livina SL 1.8 flex automático
Motor: Álcool e gasolina, transversal, 1.798 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando variável de válvulas na admissão. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Automática de quatro marchas à frente e uma a ré. Não oferece controle de tração.
Potência máxima: 125 cv com gasolina e 126 cv com álcool a 5.200 rpm.
Torque máximo: 17,5 kgfm com gasolina e álcool a 4.800 rpm.
Diâmetro e curso: 84,0 mm X 81,1 mm. Taxa de compressão: 9,9:1.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a tambor. Oferece sistema ABS com EBD de série na versão.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, subchassi com sistema antivibração, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Não oferece controle de estabilidade.
Carroceria: Monovolume em monobloco com quatro portas e sete lugares. Com 4,42 metros de comprimento, 1,69 metro de largura, 1,58 metro de altura e 2,60 metros de entre-eixos. Oferece airbag duplo frontal de série na versão.
Peso: 1.306 kg em ordem de marcha, com 562 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 123 litros/607 litros com a terceira fileira de bancos rebatida.
Tanque de combustível: 50 litros.
Ponto a ponto
Desempenho – O motor 1.8 16V oferece uma quantidade de força mais apropriada para o uso urbano. Afinal, em ladeiras íngremes, o monovolume parece não ter força, ainda mais prejudicado pelo câmbio de quatro velocidades mal escalonado. Em trechos planos, contudo, os 126 cv com álcool são suficientes para empurrá-lo com certa desenvoltura. E 90% dos 17,5 kgfm de torque estão disponíveis já a partir dos 2.400 rpm, o que otimiza as retomadas. Só que a transmissão mais uma vez desafina o conjunto. A caixa fica constantemente indecisa sobre o momento certo de trocar as relações e, quando se pressiona mais fundo o pedal do acelerador, geralmente engata a segunda marcha, ainda que com o veículo a velocidades superiores a 60 km/h, levando os giros quase ao limite de 6.500 rpm e fazendo o motor berrar intensamente. Nota 6.
Estabilidade – A Nissan ajustou bem o conjunto de suspensão da Grand Livina. O modelo se mantém seguro sobre o asfalto praticamente o tempo todo, sem pregar susto no condutor. Até mesmo nas curvas mais acentuadas a carroceria torça dentro da normalidade, mesmo com a altura elevada. Já nas frenagens, a minivan compacta mergulha um pouco além da conta e perde parte do equilíbrio. Mas o ABS e EBD nos freios, disponível de série na versão, minimiza a instabilidade. Nota 8.
Interatividade – Os comandos na Grand Livina, em geral, ficam bem posicionados. Os botões dos vidros elétricos, por exemplo, são grandes e intuitivos – ficam nos apoios de braço das portas. Porém, somente a janela do condutor tem acionamento por um toque. Já a manopla do câmbio tem altura elevada e boa empunhadura, mas os engates são um tanto duros. Em ladeiras muito íngremes, a caixa dá um tranco quando se acessa a marcha ré. O quadro de instrumentos com três relógios e o velocímetro centralizado é de fácil leitura, mas o padrão de cor, com o fundo preto e grafismos em laranja, é escuro demais. Para uma minivan, um conceito de carro concebido para exaltar a flexibilidade, é incompreensível a ausência de ajustes de profundidade para a coluna de direção e de altura no assento do motorista e no cinto de segurança. Nota 6.
Consumo – A Grand Livina não foi tão comedida na queima de combustível. A média foi de 6,6 km/l com álcool, num percurso mesclado com 1/3 de estrada e 2/3 de cidade. Nota 6.
Conforto – É um dos aspectos mais exaltados na versão topo de linha SL. Os bancos largos são revestidos em couro, assim como o volante e parte do apoio de braços do forro das portas. Há bom espaço para pernas e cabeças e até a terceira fila de bancos acomoda razoavelmente adultos. Porém, é importante ressaltar que a minivan acomoda bem seis pessoas. Inusitadamente, o assento do meio da segunda fila se torna quase impraticável devido ao calombo formado no encosto por conta do descansa-braço embutido. A ausência do encosto de cabeça também não recomenda viajar ali. O isolamento acústico é até eficiente, apesar de o câmbio automático contribuir para o motor roncar muito alto toda vez que se pisa mais fundo no acelerador. De todos os aspectos, a suspensão bem acertada é o que mais agrada. O conjunto filtra bem a buraqueira das ruas e oferece um rodar sereno a bordo do modelo. É macio na medida certa, sem afetar o comportamento dinâmico. Nota 8.
Tecnologia – A minivan é feita sobre uma estrutura derivada da plataforma B0 – zero –, também utilizada nos Renault Logan e Sandero, que data de 2004. Na parte mecânica, o motor 1.8 litro de quatro cilindros em linha e 16 válvulas tem comando variável de válvulas e tecnologia flex. Porém, na versão top SL o câmbio é um ultrapassado automático de quatro velocidades com função overdrive. A lista de equipamentos de série é interessante. Há ar automático, direção elétrica, freios com ABS e EBD e airbag duplo frontal. A versão ainda oferece a chave I-Key, que permite acessar o veículo e dar a partida no motor sem manipular a chave. Nota 8.
Habitabilidade – A Grand Livina tem aqui um de seus maiores trunfos. A minivan da Nissan oferece boa quantidade de porta-objetos e uma iluminação suficiente. Os acessos ao interior são bastante amplos. Até mesmo a entrada para os dois bancos adicionais, geralmente complexa nos monovolumes, é razoável e não exige grandes contorcionismos. A terceira fila utilizada compromete a capacidade do porta-malas, que acomoda exíguos 123 litros. Nota 7.
Acabamento – Dentro da linha Livina, a configuração de sete lugares é a que oferece o melhor padrão de acabamento. As peças em maioria são de plásticos rígidos, mas têm texturas que agradam tanto os olhos quanto o toque. A maior parte dos encaixes são precisos, mas há algumas rebarbas aparentes. Também chama a atenção os detalhes na cor prata no painel, que tentam emprestar um ar mais requintado. E, no caso específico da Grand Livina SL top, há cobertura em couro nos bancos, volante e parte das portas. Nota 7.
Design – A beleza não é o forte das minivans, que trabalham melhor o espaço interno. E a Grand Livina não foge ao padrão. Apesar de a dianteira ter a grade cromada, que tenta emprestar algum glamour, as linhas em geral são ovaladas, quase sem vincos e pouco atraentes. Nota 6.
Custo/Benefício – Das minivans nacionais com sete lugares, a Grand Livina é a que tem o menor preço, mesmo na versão topo de linha SL, oferecida por R$ 65.390. Na versão top, a lista de série é bem interessante e competitiva, mas carece de alguns itens de segurança e de conforto existentes nas rivais Carens e Zafira. Nota 8.
Total – A Nissan Grand Livina SL 1.8 automática somou 70 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Pilares em movimento

As minivans, em geral, oferecem conforto e espaço. Com a Grand Livina, o conceito é exatamente o mesmo. E o modelo agrada logo de cara por valorizar justamente estas duas características importantes. O espaço é o destaque. O habitáculo oferece ótimos vãos para pernas e cabeças e até mesmo na terceira fileira há um espaço razoável para adultos com estatura média. Os acessos aos bancos extras também não são tão ruins, mas as amplas portas favorecem mesmo a entrada nas duas primeiras filas.
Mas é bom salientar que o monovolume paranaense é mais indicado para transportar seis passageiros. A culpa é do descansa-braço da segunda fileira, que forma um calombo no banco do meio e torna desconfortável a acomodação de uma pessoa em trajetos mais longos. E nem apoio de cabeça o lugar do meio oferece. Fora isso, a Grand Livina dispõe de boa quantidade de porta-objetos, sempre bem-vindos nas minivans. Só que o conceito de um monovolume, que deveria primar pela flexibilidade e ergonomia, peca em alguns detalhes. O modelo, por exemplo, não tem ajuste de profundidade para o volante. E nem mesmo simples regulagens de altura para o cinto de segurança e para o banco do motorista.
Falhas que a Grand Livina tenta compensar com alguns itens de série. Há airbag duplo frontal, freios com ABS e EBD e itens de conforto e conveniência, como ar automático, direção elétrica e previsíveis trio e rádio/CD/MP3 com entrada auxiliar. No caso da versão topo de linha SL automática, há ainda a chave inteligente I-Key, que permite ao motorista acessar o interior do veículo e ligar o motor sem utilizar a chave – basta carregá-la.
Com o motor ligado, a Grand Livina impressiona por oferecer bom acerto de suspensão e, ao mesmo tempo, força suficiente sob o capô. Nas curvas mais fechadas, a minivan torce dentro da normalidade e no geral o modelo se mantém neutro e seguro sobre o asfalto, sem chacoalhar ou transmitir insegurança. Até a máxima de 180 km/h, não houve sinais de flutuação. O equilíbrio só foi afetado nas frenagens mais intensas. Nessas situações, o peso da minivan se faz sentir na frente e o modelo mergulha além do recomendável.
Já o motor 1.8 litro 16V flex mostrou-se eficiente. Aos 2.400 giros, o propulsor libera 90% do torque máximo de 17,5 kgfm e a unidade de força enche rapidamente, com arrancadas consistentes. Foram necessários bons 10,9 segundos para arrancar de zero a 100 km/h. Só que a transmissão automática de quatro velocidades destoa. A caixa reduz e estica em excesso as relações quando se pisa mais fundo o pedal do acelerador e faz o motor berrar. Com isso, os 6,7 segundos para retomar a velocidade de 60 km/h aos 100 km/h com o overdrive do câmbio automático desligado, poderia ser até melhor. No trânsito mais comedido da cidade, aliás, o melhor mesmo é esquecer o overdrive e trabalhar com três velocidades. Nada, porém, que comprometa de fato o conforto, o principal chamariz da Grand Livina.



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