Forma e conteúdo
A5 marca volta da Audi ao universo dos cupês médios com design agressivo e tecnologia embarcada
Auto Press
Texto: Fernando Miragaya
Fotos: Luiza Dantas/Carta Z Notícias
A Audi é uma espécie de novata no restrito grupo das chamadas marcas premium. Por isso mesmo, faz questão de ocupar todos os nichos de mercado onde as suas concorrentes já atuam. É o caso da propícia volta da marca das argolas ao segmento de cupês de quatro lugares com o A5, uma configuração que o fabricante não explorava desde os anos 90, com o S2. Seu lançamento deu à Audi um exemplar para brigar com a variação cupê do BMW Série 3 e com o Mercedes-Benz Classe E Coupé, que chega ao Brasil em outubro. E para o mercado nacional, a Audi tratou de marcar posição. Tanto que só importa para cá a versão mais forte do A5.
A começar pelo preço. O A5 parte dos R$ 254.500. Não por acaso, fica justamente entre os R$ 234 mil do BMW 325 Ci e os R$ 280 mil do Mercedes E350 Coupé. O motor do cupê médio da Audi também diz ao que veio: é um 3.2 litros com seis cilindros em V, 24 válvulas, injeção direta e comando variável de abertura de válvulas na admissão. São 269 cv de potência a 6.500 rpm e torque máximo de 30,7 kgfm disponível desde os 3 mil giros até as 5 mil rotações. A unidade de força em alumínio trabalha em conjunto com a transmissão Multitronic, de oito velocidades, com opção de mudanças através de borboletas atrás do volante. Com isso, o propulsor também se mostra intermediário em relação aos oponentes: é bem mais potente que os 218 cv do 325Ci e próximo do E Coupé, que oferece 272 cv.
O paddle shift, aliás, é outra evidência de como a Audi joga no andar de cima no mercado brasileiro com o A5. A lista de itens de série do cupê é recheada. Na parte de segurança, controles de estabilidade e de tração, seis airbags, freios com ABS, EBD e assistente de emergência, faróis de xênon autodirecionais, espelhos eletrocrômicos e sensores de obstáculos dianteiros e traseiros com grafismos. Além dessas firulas lá estão os previsíveis ar automático com dual zone e sensor de raios solares, direção hidráulica, trio, bancos com ajustes elétricos, retrovisores com desembaçadores e rebatíveis eletricamente, entre outros.
O modelo também vem com chave capaz de armazenar dados do computador de bordo, freio de estacionamento elétrico e o Audi Music Interface, um sistema de som com rádio/CD/MP3, disqueteira para seis discos, entrada para SD card e conexão Bluetooth com informações dispostas em um display no painel. A suspensão independente – na frente em alumínio com cinco braços e atrás com braços sobrepostos em alumínio – pode agregar como opcional o Audi Drive Select, sistema que adapta a direção e os amortecedores ao tipo de condução: automática, conforto – mais macia e elevada – e sport – rebaixada e mais firme.
As tecnologias mais esnobes contudo, estão concentradas na lista de opcionais. Como o controle de cruzeiro adaptativo, que mantém uma distância programada em segundos para um veículo à frente, sensor de ponto cego com avisos sonoros, som premium Bang & Olufsen e rodas aro 18 ou 19, além do pacote S-line, com spoilers laterais, para-choques com difusor, grade frontal esportiva e outros aparatos estéticos. Só que no visual o A5 já dá conta do recado. A começar pela frente com faróis geométricos e um filete de leds que, quando aceso, confere um tom de agressividade ao modelo.
A robustez fica por conta dos vincos no capô inclinado, pela generosa grade em forma de U e pelas encorpadas caixas de rodas, que alargam o cupê. Nas laterais, um sobressalto na parte inferior da carroceria e um vinco na altura da maçaneta das portas confere um visual harmonioso com o caimento da terceira coluna e a linha de cintura em cunha típica dos cupês. Na traseira, corte da tampa do porta-malas em arco, lanternas trapezoidais, duplo escapamento e para-choque bojudo. Ou seja, nenhum ângulo foi esquecido na proposta fashion do cupê da Audi.
Instantâneas
# O Audi A5 foi apresentado mundialmente no Salão de Genebra de 2007. No ano passado, ganhou uma derivação Cabriolet e no início de 2009 surgiu a configuração Sportback, com quatro portas.
# O cupê da Audi usa a mesma plataforma do sedã médio A4 e do utilitário esportivo Q5.
# Na Europa, o A5 é vendido também com motores 1.8 turbo de 170 cv, 2.0 turbo de 180 cv e 211 cv, além das variações turbodiesel 2.0 de 170 cv, 2.7 V6 de 190 cv e 3.0 V6 de 240 cv. Por lá, também há opções de tração integral Quattro.
# O S5, versão preparada do A5, usa tração integral Quattro e motor 4.2 V8 a gasolina com injeção direta e 354 cv.
# A Audi faz parte do Grupo Volkswagen, que inclui as marcas Volkswagen, Seat, Skoda, Bugatti, Lamborghini e Bentley, além da sócia Porsche.
# O A5 foi desenhado pelo italiano Walter De Silva, que definiu o modelo como o carro mais bonito que desenhei. Ex-chefe de Design da Audi, De Silva atualmente comanda o departamento de Design da Volkswagen.
Ficha técnica
Audi A4 3.2 V6 FSI Quattro
Motor: A gasolina, dianteiro, longitudinal, 3.197 cm³, com seis cilindros em V, 24 válvulas, duplo comando de válvulas variável nos cabeçotes, sistema variável de abertura e fechamento das válvulas de admissão. Injeção direta de combustível e acelerador eletrônico.
Transmissão: Automática sequencial do tipo continuamente variável, com oito marchas à frente e uma à ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 269 cv a 6.500 rpm.
Torque máximo: 33,7 kgfm entre 3 mil rpm e 5 mil rpm.
Diâmetro e curso: 84,5 mm X 92,8 mm. Taxa de compressão: 12,5:1.
Suspensão: Dianteira independente com cinco braços em alumínio, subchassi e barra estabilizadora traseira independente do tipo trapezoidal, com braços articulados sobrepostos em alumínio, subchassi e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a discos sólidos. Oferece ABS, EBD e assistente de emergência.
Carroceria: Cupê em monobloco com duas portas e quatro lugares. Com 4,62 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,37 m de altura e 2,75 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina.
Peso: 1.495 kg em ordem de marcha, com 750 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 455 litros.
Capacidade do tanque de combustível: 65 litros.
Ponto a ponto
Desempenho – Sobra disposição no A5. O motor até demora uma fração de tempo a responder ao pedal do acelerador, mas depois que entrega os 269 cv, o desempenho do cupê é instigante. O zero a 100 km/h é cumprido em ágeis 6,7 segundos. O entrosamento com o câmbio de oito velocidades também é perfeito, o que privilegia ainda mais a performance do A5. Em serras e ultrapassagens o propulsor responde prontamente, ainda mais que o torque de 33,7 kgfm já está liberado a partir dos 3 mil e até os 5 mil giros. Com tanta força, não foi difícil alcançar a máxima limitada em 250 km/h. Nota 9.
Estabilidade – O obsessivo equilíbrio do A5 já pode ser conferido em sua construção. O modelo torce bem pouco a carroceria e se mantém no chão tanto nas freadas bruscas como nas arrancadas mais vigorosas. Fruto também de uma suspensão bem calibrada e acertada. Nas curvas, apesar de exigido como merece ser, não desgarra e é possível perceber os controles de estabilidade e tração atuando em situações mais radicais. Nas retas, o comportamento dinâmico é exemplar mesmo em velocidades acima de 200 km/h, com a comunicação entre rodas e volante se mantendo estável. Nota 10.
Interatividade – O Audi A5 parece abraçar o motorista. Os flexíveis ajustes de bancos e volante conferem uma boa posição de dirigir. O quadro de instrumentos é de fácil visualização, mas o computador de bordo não tem uma operação simples e merecia um destaque maior dentro do painel. Os comandos de vidros, travas e retrovisores elétricos são intuitivos e ergonomicamente práticos, mas os botões do sistema de som exigem desvios de atenção por parte do condutor. A visibilidade, como em todo cupê, é deficiente, principalmente devido às largas colunas traseiras e centrais e ao vidro diminuto de trás. Nota 7.
Consumo – O motor V6 de 269 cv entrega a conta. Média de 5,6 km/l com uso 2/3 na cidade e 1/3 na estrada. Nota 6.
Conforto – Cupês privilegiam a esportividade, design e potência do que propriamente conforto. Na frente, os ocupantes gozam de bom espaço para pernas, mas o vão para cabeças é muito limitado. Atrás, apenas dois adultos conseguem viajar, porém o espaço para cabeças e pernas é ainda pior e pessoas com mais de 1,75 m de altura sofrem. A suspensão também privilegia a esportividade e nas buraqueiras os sacolejos dentro do habitáculo são inevitáveis, mesmo com a suspensão ajustada para o modo conforto. O isolamento acústico, em contrapartida, é eficiente, mesmo a 200 km/h. Nota 7.
Tecnologia – Trata-se de um projeto de 2007 com boa dose de tecnologia embarcada, comum aos modelos da Audi. Estão lá um motor V6 com injeção direta, transmissão de oito velocidades, braços de suspensão em alumínio, airbags, controles de estabilidade e tração, além do Audi Drive Select, que adapta a direção e os amortecedores ao tipo de condução – opcional. É verdade que poderia se esperar um pouco mais de equipamentos de entretenimento para um carro de R$ 254.500. Mas talvez o maior equipamento de entretenimento seja o próprio A5. Nota 9.
Habitabilidade – O estilo do cupê, é claro, atrapalha – e muito – os acessos ao veículo. O vão das portas é limitado e os ocupantes são obrigados a se espremerem para entrar no habitáculo. Para quem insiste em acessar o banco de trás a situação é ainda pior. Já o número de porta-objetos é razoável e o porta-malas acomoda bons 455 litros. Nota 7.
Acabamento – Marcas premium que se prezem costumam oferecer acabamento primoroso e com o A5 não é diferente. Os materiais usados no painel e revestimentos de portas, bancos e teto inspira requinte e cuidado quase artesanal. O banco que mescla couro e camurça é um toque a mais de sofisticação. Os encaixes e fechamentos são precisos. Nota 9.
Design – O renomado designer italiano Walter De Silva acertou a mão com o A5. O modelo segue o estilo de cupê, com caimento acentuado da terceira coluna, com toque de arrojo graças ao traços bem definidos no capô e nas laterais. Os leds do conjunto ótico evidenciam ainda mais a esportividade do modelo. Nota 10.
Custo/benefício – Desembolsar mais de R$ 250 mil para ter um cupê para quatro ocupantes é mais para quem procura status e estilo e não está nem aí para a pequeno-burguesa relação custo/benefício. E para tão seleto público, o A5 oferece um bom pacote de itens de série, certa dose de tecnologia embarcada e design. E fica justamente no meio termo entre o Classe E Coupé, que parte dos R$ 280 mil, e o Série 3 Coupé, que fica em R$ 234 mil. Todos disputam o mesmo consumidor bem abonado. Nota 5.
Total – O Audi A5 somou 79 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Estilo e desempenho
O Audi A5 é um daqueles carros para ver e ser visto. Afinal, o cupê médio da marca alemã jamais passa desapercebido por onde passa, graças ao seu design arrojado e instigante. Mas como se trata de um Audi com motor V6, é preciso verificar se o desempenho corresponde à proposta. E o A5 não decepciona. Com 269 cv e 33,7 kgfm, o motor trabalha de forma cheia na maior parte do tempo. Acelerações vigorosas e retomadas convincentes são uma constante no modelo.
A boa performance do A5 pode ser comprovada em trechos de serra. Na subida, o torque disponível já aos 3 mil giros e o câmbio automático de oito velocidades bem sincronizado não deixa o cupê ficar indeciso entre uma curva e outra. As respostas ao pedal do acelerador são quase imediatas e não há qualquer delay entre uma marcha e outra – afinal, trata-se de uma transmissão automática sequencial do tipo continuamente variável. Na hora de descer, a diversão fica por conta das borboletas atrás do volante para fazer as mudanças sequenciais e ter uma maior interação com o carro.
Ainda na descida, também é possível conferir o bom comportamento dinâmico do modelo. O A5 não faz menção de desgarrar e mesmo ao entrar muito agressivo em uma curva é possível perceber os controles eletrônicos de estabilidade e de tração segurando o carro. Nas retas em estradas planas, o ideal é colocar o opcional Audi Drive Select na posição Sport. A direção e a suspensão ficam mais firmes, privilegiando a condução esportiva. Chegar aos 200 km/h vira tarefa fácil e o mais impressionante é que não há sinais de flutuação, comprovando mais uma vez o insano equilíbrio do veículo.
Mas se nas estradas bem pavimentadas o A5 se sobressai, no asfalto esburacado dos grandes centros a suspensão mais enrijecida se faz notar. Mesmo com o Audi Drive Select no modo “Confort”, a suspensão não filtra bem as irregularidades e o cupê “bate” bastante. O conforto também é o normal para um cupê. Entrar no carro exige um certo contorcionismo, principalmente para quem vai atrás. Só na frente há bom espaço para pernas, enquanto o vão para cabeças é limitado para todos os ocupantes. O consumo também não é dos mais alvissareiros. O modelo avaliado anotou a média de 5,6 km/l com uso 2/3 urbano e o restante rodoviário. Ou seja, o A5 é mesmo um carro de rico.