CHEVROLET AGILE LTZ 1.4

 
 

Promessa de vida
Eleito "Carro do Ano" e com bom início de vendas, Agile ajuda GM a esquecer a crise



Auto Press
Texto: Fernando Miragaya
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

O filme publicitário do Chevrolet Agile retrata bem a expectativa da General Motors em relação ao seu novo compacto. Afinal, depois da crise financeira do fim do ano passado, era difícil imaginar se a montadora, já combalida financeiramente, teria forças para prosseguir – apesar de a filial brasileira sempre ressaltar que, por aqui, a empresa estava saudável. Por isso, o novo hatch pode se tornar uma espécie de redenção da GM. Afinal, de certa forma, confirma que o fabricante vai manter os investimentos no Brasil e se configura como primeiro modelo da marca no mercado nacional com um jeito realmente de novo. E, pelos primeiros passos do Agile no Brasil, a GM pode até se animar. Em 20 dias de mercado, o compacto já soma quase 4 mil unidades vendidas. E, de quebra, acaba de arrebatar o título de "Carro do Ano" na votação organizada pela revista "Auto Esporte".
Um desempenho elogiável para um carro que inicialmente dispõe de apenas duas versões de acabamento e uma única motorização. Mas ambas bem equipadas. A derivação top LTZ, por exemplo, custa R$ 40.020. Recebe a mais que a versão de entrada LT itens como retrovisores e vidros traseiros elétricos, rádio/CD/MP3 com Bluetooth e entradas auxiliar e para USB, faróis de neblina, limpador do vidro traseiro, protetor do cárter e rodas de liga leve aro 15. Equipamentos que se juntam a uma lista já interessante, que inclui ar, direção hidráulica, vidros dianteiros e travas elétricas, controle de cruzeiro, computador de bordo, banco traseiro bipartido, alarme e travamento na chave, sensor de luminosidade, regulagens de altura do banco do motorista e do volante e para-sóis com espelhos, entre outros.
Como opcionais, o dois volumes ainda pode receber itens de segurança. Airbag duplo frontal e freios com ABS e EBD – disponíveis só na LTZ – fazem a versão saltar para R$ 43.158. O que o deixa em condições razoáveis para brigar com seus rivais, os tais "compactos altinhos". O Volkswagen Fox, que recebeu uma reestilização em outubro, parte dos R$ 36 mil na versão Prime 1.6, mas com itens similares ao LTZ passa dos R$ 40 mil. Já o Renault Sandero Expression 1.6 Hi-Torque, também com quase a mesma lista de equipamentos, chega a R$ 41.540.
A seu favor, o Agile tem a vantagem de ser o modelo mais novo do "subsegmento". E com um visual que pode não ser unanimidade, mas segue a tendência da montadora no mundo – e que faz bem para um fabricante que há poucos meses admitiu publicamente que não deu a devida atenção ao design de seus produtos. A frente remete ao crossover mexicano Captiva, com faróis angulosos que lembram o bico de uma águia e a grade pontuda e trapezoidal com uma barra horizontal e a gravatinha dourada da marca. De perfil, as janelas em forma de parábola recebem um acabamento em preto, que avança sobre a coluna traseira. Um conjunto que faz o Agile parecer maior do que seus 3,99 metros de comprimento, 1,68 m de largura, 1,47 m de altura e 2,54 m de entre-eixos.
O compacto também começa a ser vendido apenas com motor 1.4 Econoflex retrabalhado, que agora gera 97 cv de potência com gasolina e 102 cv com etanol, a 6 mil rpm, e torque máximo de 13,2/13,5 kgfm disponível em 3.200 giros. Ele fica exatamente no meio termo entre os 92/95 cv do Sandero e os 101/104 cv do Fox. É aguardada uma versão com propulsor 1.0, mas motorizações maiores só devem vir da nova unidade de motores que a empresa está erguendo em Joinville, Santa Catarina. Tempo para que o Agile se consolide no mercado. E para a GM brasileira esquecer de vez os difíceis tempos recentes.
Instantâneas
# O Agile faz parte do Projeto Viva, que prevê ainda derivações sedã, jipinho – baseado no conceito G-Pix, apresentado no Salão de São Paulo de 2008 –, pick-up, monovolume e uma outra ainda a ser definida.
# O compacto é produzido na planta da General Motors em Rosario, Argentina.
# O quadro de instrumentos do Agile adota o sistema Ice Blue, de iluminação azul, já adotado na última reestilização da pick-up média S10.
# A Chevrolet desenvolveu um test drive a domicílio para o Agile nas cidades do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte até o dia 5 de dezembro através do site www.chevrolet.com.br/agile.
# Os outros veículos premiados na eleição "Carro do Ano" foram Audi A5 na categoria "Carro Premium", Toyota SW4 gasolina como "Utilitário", Audi Q5 como "Utilitário Premium", Fiat Strada Adventure Cabine Dupla na categoria "Picape" e  Renault Sandero 1.0 16V Authentique como "Carro Verde".
Ficha técnica
Chevrolet Agile LTZ 1.4
Motor: Gasolina ou etanol, dianteiro, transversal, 1.389 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando de válvulas simples no cabeçote. Injeção multiponto de combustível e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio mecânico de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.
Potência máxima: 97 cv com gasolina e 102 cv com etanol a 6 mil rpm.
Torque máximo: 13,2 kgfm com gasolina e 13,5 kgfm com etanol a 3.200 rpm.
Diâmetro e curso: 77,6 mm x 73,4 mm. Taxa de compressão: 12,4:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados a gás e barra estabilizadora. Traseira semi-independente com braços oscilantes, molas tipo barril com diâmetro variável, amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados a gás. Não oferece controle de estabilidade.
Pneus: 185/60 R15 na frente e atrás em rodas de liga leve.
Freios: Dianteiros com discos ventilados e traseiros a tambor. Oferece ABS e EBD como opcional.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Dimensões: 3,99 metros de comprimento com 1,68 m de largura, 1,47 m de altura e 2,54 de entre-eixos. Oferece airbag duplo frontal como opcional.
Peso: 1.075 kg em ordem de marcha, com 425 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 327 litros.
Tanque de combustível: 54 litros.
Produção: Rosário, Argentina.
Lançamento: Setembro de 2009.
Ponto a ponto
Desempenho – Com puro etanol no tanque, os 102 cv de potência do Agile garantiram respostas satisfatórias e arrancadas apenas competentes, com 12,8 segundos para o zero a 100 km/h. As retomadas são um pouco mais espertas. O motor enche já aos 3.200 giros e, combinado com o câmbio bem escalonado, ajuda em ultrapassagens mais ágeis. Pisando mais fundo foi possível colocar o ponteiro do acelerador nos 160 km/h. Nota 7.
Estabilidade – O novo compacto da General Motors se mostrou um carro bem acertado quando exigido. Nas curvas, apesar de altinho, torce a carroceria dentro do esperado e só mesmo em velocidades exageradas faz alguma menção de desgarrar. Nas freadas bruscas, o modelo avaliado com ABS e EBD se mantém na trajetória e sob as ordens do motorista. Já a suspensão bem acertada na frente evita que o hatch mergulhe em demasia em paradas bruscas. A comunicação entre rodas e volante, por sua vez, se mostra eficaz até os 140 km/h, quando a carroceria começa a flutuar. Nota 7.
Interatividade – O quadro de instrumentos com mostradores azuis é interessante e inovador, apesar de causar estranhezas em um primeiro momento. De qualquer maneira, oferece leitura fácil, clara e objetiva. A visualização como um todo dentro do Agile é satisfatória e apenas as largas colunas traseiras atrapalham na hora de estacionar de ré. A ergonomia é eficiente, com vários comandos bastante intuitivo e de fácil alcance e manuseio – só mesmo os botões do ar exigem um desvio de atenção além da conta. Os ajustes de altura do banco do motorista e do volante ajudam na melhor posição de dirigir. Os engates do câmbio são precisos e razoavelmente suaves, mas o curso poderia ser um pouco mais curto. Nota 8.
Consumo – O Agile se mostrou mais comedido que seus companheiros de vitrine que usam a mesma linha de motores Econoflex. O exemplar testado marcou 8,7 km/l rodando apenas com etanol e uso 2/3 urbano e o restante rodoviário. Nota 8.
Tecnologia – Apesar da casca nova, o compacto usa elementos das plataformas das duas gerações do Corsa brasileiro: a primeira, que data de 1994, e a segunda, de 2001. O motor 1.4 Econoflex foi retrabalhado e teve a potência elevada. A versão LTX só recebe airbag duplo e freios com ABS como opcionais. O GPS é vendido como acessório. Nota 6.
Conforto – O espaço para pernas condiz com o segmento de compactos: é apenas razoável e apenas dois adultos viajam com folgas no banco traseiro. O vão para cabeças, no entanto, é bem mais generoso. Já a suspensão absorve e filtra bem as irregularidades da pista e o isolamento acústico se mostra eficiente até os 120 km/h. Nota 7.
Habitabilidade – O Agile traz uma nova filosofia da GM que parece por fim à sensação de claustofobia que marcou os últimos modelos da marca. Além do teto elevado que aumenta a sensação de amplitude interna, o modelo dispõe de uma boa quantidade de porta-objetos, porta-copos e porta-revistas. Os acessos são eficientes, graças ao vão das portas e, mais uma vez, à boa altura do carro. O porta-malas acomoda 327 litros, normal para o segmento. Nota 8.
Acabamento – O interior do compacto está longe de ser um primor de acabamento. Mas, em seu segmento se destaca pelas texturas agradáveis e pelo uso de tecido nas forrações das portas. No mais, predominam os plásticos, que não agridem aos olhos e ao tato. Os encaixes e fechamentos se mostram precisos na maioria das partes, mas há alguns sinais de rebarbas nas forrações do teto e do porta-malas. O acabamento do nicho que acomoda o GPS – disponível apenas como acessório – tem aspecto bastante frágil. Nota 7.
Design – O Agile tem um estilo controverso. Mas, a verdade é que seus faróis angulosos, sua linha de cintura em cunha e seu porte o fazem parecer um modelo maior do que realmente é. Além de utilizar elementos estéticos que seguem a tendência mundial de design da marca, já observada no crossover Captiva e no sedã Cruze. Nota 7.
Custo/benefício – A versão LTZ do hatch da GM parte dos R$ 40.020 com um bom nível de equipamentos e chega a R$ 43.158 com os itens de segurança disponíveis. Desta forma, fica um pouco mais caro que as versões similares de Fox e Sandero. Mas leva a vantagem de ser um carro com jeito de novo. Nota 7.
Total – O Chevrolet Agile LTZ somou 72 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Era de Aquário
O Chevrolet Agile impressiona primeiro pela sensação de amplitude que transmite por dentro. Até porque, trata-se de um modelo da General Motors, que nos últimos anos desenvolveu carros apertados por dentro, com raros porta-objetos e sensação de claustofobia – até mesmo no médio Vectra. No novo hatch, apesar do espaço diminuto para as pernas – normal no segmento –, há um bom vão para as cabeças, interessantes e eficientes porta-trecos. Além disso, o Agile dispõe de uma ergonomia eficiente, com os principais comandos ao alcance das mãos, e livra a linha de compactos da GM do desagradável volante torto que persegue a marca desde o Chevette até o Corsa de segunda geração.
Motor ligado, o Agile mostra que é um modelo mais voltado para o uso urbano. O motor responde de maneira um pouco tímida às investidas no pedal do acelerador, mas arrancadas são competentes. Para sair da inércia e alcançar os 100 km/h, o modelo precisou de 12,8 segundos. Na estrada, na hora de ultrapassar, passa boa dose de segurança. Com o torque de 13,5 kgfm – com etanol – disponível quase totalmente já aos 3 mil giros, o dois volumes ganha fôlego para retomadas e para encarar trechos de subida. O 60 km/h a 100 km/h em quarta, por exemplo, foi obtido em 7,9 segundos.
O comportamento dinâmico do Agile surpreende mais. Nas retas, em altas velocidades, a sensação de flutuação só surge aos 140 km/h, próximo da máxima de 160 km/h. Nas curvas, em velocidades civilizadas, o modelo não faz menção de jogar a traseira. Nas frenagens bruscas também se mantém nas mãos do condutor, sem mergulhar em demasia a frente, fruto também de uma suspensão bem acertada, a mesma que absorve com garbo as irregularidades da pista e não as reflete em forma de solavancos no habitáculo.
No mais, o Agile tem tudo para agradar, apesar do design controverso. Conforto normal para o segmento, ergonomia eficiente, desempenho satisfatório e até velhos hábitos e falhas da montadora que parecem ter ficado para trás. Mesmo o consumo pode sinalizar para novos tempos. O modelo testado fez a elogiável média com puro etanolde 8,7 km/l, com uso 2/3 na cidade e 1/3 na estrada.



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