JEEP GRAND CHEROKEE LIMITED 3.0 V6 DIESEL

 
 

Um nome a zelar
Grand Cherokee Limited evoca a tradição lameira da Jeep com boa dose de conforto e tecnologia



Auto Press
Texto: Fernando Miragaya
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

A Jeep sempre foi uma espécie de ícone americano do fora-de-estrada. Mas como muitas montadoras passaram a explorar o rentável segmento dos utilitários esportivos, aliando mecânica 4X4 com conforto, a marca do Grupo Chrysler se viu obrigada a aumentar a dose de requinte em seus modelos. Por isso, a cada geração, a Jeep trata de aprimorar ao máximo o seu maior utilitário esportivo: o Grand Cherokee. No Brasil, a marca também resolveu dançar conforme a música. Começou a vender a versão turbodiesel do modelo, antes só disponível em configurações a gasolina.
 O raciocínio da Jeep foi rápido e lógico. No nicho de utilitários esportivos grandes, 60% dos modelos vendidos têm motorização diesel. A nova versão é uma tentativa de melhorar o desempenho de 40 unidades/mês do Grand Cherokee no ano. Para tal, a engenharia dotou o modelo com generosos recursos. O propulsor é um 3.0 com turbo de geometria variável e seis cilindros em “V”. A unidade trabalha com uma caixa automática de cinco velocidades e gera 215 cv de potência a 3.800 rpm e torque máximo de 51,8 kgfm disponível entre 1.600 e 2.100 rotações.
 A tradição off-road é ressaltada com vários equipamentos. O Grand Cherokee diesel tem estrutura em monobloco e conta com o sistema de tração Quadra Drive II com opção de 4X4 integral e reduzida. Além disso, tanto os diferenciais dianteiro, central e traseiro são autoblocantes e têm escorregamento limitado. Segundo a marca, esse sistema permite que 100% do torque possa ser direcionado para uma única roda. O veículo também oferece controle de velocidade em descidas e assistência de arrancada em subidas.
 Na parte de segurança, o Grand Cherokee conta com controles eletrônicos de estabilidade e de tração, freios com ABS e EBD, sensores de obstáculos dianteiros e traseiros com câmara de vídeo, monitoramento da pressão dos pneus, entre outros. São oito airbags no total, sendo que as bolsas dianteiras possuem sistema de múltiplos estágios. Já os airbags laterais trabalham com sensores de rolagem e anticapotamento. Caso o modelo venha a capotar, as bolsas permanecem infladas por cinco segundos – o padrão é que o airbag fique cheio por apenas 1,5 segundo.
 Mas a Jeep teve mesmo de caprichar na parte de conforto para brigar na nova era dos SUVs. Tanto que o Grand Cherokee oferece sete lugares e depois da reestilização do início deste ano passou a oferecer o sistema de entretenimento My Gig. O equipamento reúne em uma tela sensível ao toque as informações do ar-condicionado e de um sistema de som com rádio/CD/MP3 com seis alto falantes, amplificador de 276 W e entrada USB, além de DVD player e disco rígido de 20 Gb.
 No mais, itens previsíveis para um modelo de R$ 179.900. Estão lá trio elétrico, bancos dianteiros com ajustes elétricos – o do motorista com memória combinada com os espelhos externos –, retrovisor eletrocrômico, direção hidráulica, computador de bordo, controle de cruzeiro, sensor de chuva, bancos revestidos em couro bicolor, alarme e travamento na chave, teto solar elétrico, entre outros. Farto recheio para tentar vender uma imagem de sofisticação. E colocar o Grand Cherokee também como um SUV de passeio e não simplesmente como um jipão.
Instantâneas
# O Jeep Grand Cherokee surgiu em 1992, no Salão de Detroit. Depois, novas gerações foram lançadas em 1999 e 2005. No início deste ano, o SUV passou por um face-lift.
# O modelo começou a ser vendido no Brasil em 1996, mesmo ano em que passou a ser feito na fábrica de Gatz, na Áustria, de onde é importado até hoje.
# No mercado brasileiro, o utilitário esportivo é vendido também nas versões a gasolina: 4.7 V8 de 303 cv, Overland, com um HEMI 5.7 V8 de 360 cv e SRT8 com um 6.1 V8 de 426 cv.
# O bloco do motor turbodiesel do SUV é da Mercedes-Benz, resquício da época da holding DaimlerChrysler, extinta em 2007. Os componentes, porém, são da Chrysler.
# No Brasil, a assistência para socorro em caso de pane ou acidente dos veículos Jeep ainda é feita pela Mercedes-Benz.
Ficha técnica
Jeep Grand Cherokee 3.0 V6 TD
Motor: A diesel, dianteiro, transversal, 2.987 cm³, turbocompressor, seis cilindros em “V”, quatro válvulas por cilindro e comando duplo de válvulas no cabeçote. Injeção direta de combustível do tipo common rail e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração traseira com opção de tração 4X4 e reduzida. Bloqueio eletrônico automático dos diferenciais dianteiro, central e traseiro e eixos dianteiros e traseiro com escorregamento limitado. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 215 cv a 3.800 rpm.
Torque máximo: 51,8 kgfm entre 1.600 e 2.100 rpm.
Diâmetro e curso: 83,0 mm x 92,0 mm. Taxa de compressão: 18,0:1.
Suspensão: Dianteira independente, com braços sobrepostos, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira por eixo rígido, com braços múltiplos, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Discos ventilados na frente e discos sólidos atrás. Oferece ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência.
Pneus: P245/65 R17 atrás e na frente em rodas de liga leve 17 X 7,5.
Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,75 metros de comprimento, 1,87 m de largura, 1,78 m de altura e 2,78 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de múltiplos estágios, laterais dianteiros e traseiros e do tipo cortina com sensor anticapotamento.
Peso: 2.750 kg em ordem de marcha com 615 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 455 litros em posição normal e 1.554 litros até o teto com a terceira fila de bancos rebatida.
Tanque de combustível: 83,3 litros.
Capacidade off-road: Ângulo de entrada de 23,3º, ângulo de saída de 27,1º e ângulo de rampa de 20,8º. Altura livre do solo de 21 cm, capacidade de submersão de 50,8 cm a 8 km/h e capacidade de reboque de 3,5 toneladas.
Produção: Gatz, Áustria.
Lançamento: 2005. Lançamento no Brasil: 2006.
Ponto a ponto
Desempenho – O motor turbodiesel de 215 cv oferece a força necessária para mover o Grand Cherokee com desenvoltura. Nos trechos asfaltados, o desempenho é bom, com arrancadas eficientes, mas sem grande esportividade. Contribui para a performance competente um câmbio bem escalonado de cinco velocidades, que apresenta poucos delays. As retomadas também merecem elogios, com um rotundo torque de 51,8 kgfm já oferecido aos 1.600 giros. Mas o motor é pouco elástico: a faixa de giros para receber esta força é curta, até 2.100 rpm. Só que isso favorece na hora de enfrentar trechos fora-de-estrada, como lamaçais e areia, onde se costuma trabalhar em velocidades mais baixas. Nota 8.
Estabilidade – O Grand Cherokee está longe de ser aquela banheirona dos anos 90, mas mesmo assim ainda mostra algumas deficiências. Em retas acima dos 130 km/h, começa a ficar meio “bobo”, balançar e dá sinais de flutuação – em parte, por culpa dos pneus de perfil 65, bem alto. De qualquer forma, o aparato de controles eletrônicos dão conta do recado e deixam o modelo mais no chão em curvas acentuadas. Nas freadas bruscas, apesar do peso de mais de 2,7 toneladas, o modelo mergulha dentro da normalidade, se mantém na trajetória e sob o controle do motorista. Nota 7.
Interatividade – Os ajustes elétricos do banco favorecem a posição ideal de dirigir. A visibilidade para a frente é boa, mas as largas colunas laterais e traseiras atrapalham o restante da visão. Em compensação, o SUV oferece sensores de obstáculos na frente e atrás, que ajudam na hora de estacionar. A visualização do painel é clara e simples, mas a tela central com o sistema de entretenimento tem algumas operações confusas que exigem certo tempo para se adaptar. No mais, a maioria dos comandos é bastante intuitiva e bem posicionada. Nota 8.
Consumo – A média de 7,4 km/l em uso 2/3 na cidade 1/3 na estrada é sofrível para um motor turbodiesel. Nota 6.
Tecnologia – O SUV está em sua terceira geração, com quatro anos de existência. O modelo adotou uma suspensão traseira multilink, um conjunto de tração avançado com diferenciais autoblocantes, além de um sistema de entretenimento modernoso. Oferece uma vasta lista de itens de segurança e conforto condizente com seu preço. Nota 8.
Conforto – O Grand Cherokee tem um espaço generoso por dentro. Há vão para cabeças e pernas de todos os ocupantes e na fileira do meio três adultos viajam bem. Os dois assentos extras acomodam bem pessoas de estatura mediana. Já a suspensão absorve de forma eficaz as irregularidades da pista e o isolamento acústico se mostra eficiente mesmo em velocidades altas. Nota 9.
Habitabilidade – Como um carro de marca norte-americana que se preze, o utilitário esportivo oferece uma boa quantidade e variedade de porta-copos e porta-objetos. O porta-malas de 455 litros não deixa de ser interessante, já que esse volume é oferecido com os bancos da terceira fila acionados. Nota 8.
Acabamento – Os materiais chamam a atenção pela qualidade. Há detalhes em madeira e cromados, o que confere requinte e sofisticação. Os encaixes e revestimentos são precisos e os materiais usados nos painéis, bancos e forros agradam ao tato e aos olhos. Nota 9.
Design – Utilitários costumam não fugir ao desenho quadradão e na Jeep isso é até sinônimo de robustez. Na reestilização, a grade frontal foi alongada e o conjunto ótico ganhou elementos mais circulares, que suavizaram o jeito jipão. Mas estão longe de conferir ousadia e arrojo. Nota 7.
Custo/benefício – Ter um SUV de quase R$ 180 mil é para poucos. E seus rivais ficam próximos. O Toyota Land Cruiser Prado custa R$ 179.800, enquanto o Mitsubishi Pajero Full HPE 3.2 parte dos R$ 189.990. O Land Rover Discovery SE 2.7 V6 7 lugares é mais caro, custa R$ 205.900, mas oferece suspensão a ar. Nota 7.
Total – O Jeep Grand Cherokee turbodiesel somou 77 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Tamanho é documento
O Jeep Grand Cherokee impressiona pelas dimensões generosas e pela performance do seu motor 3.0 V6. Além de silencioso para um propulsor turbodiesel, a unidade de força originária de um bloco Mercedes-Benz movimenta bem as mais de 2,7 toneladas do parrudo utilitário esportivo. Nada de arrancadas arrojadas, é claro, mas o carro responde bem às investidas no pedal do acelerador e os giros sobem rapidamente. E os 9,8 segundos para cumprir o zero a 100 km/h não são nada desprezíveis para um veículo deste porte.
 Na hora de pegar a estrada e fazer ultrapassagens, o Grand Cherokee transmite segurança. Os 51,8 kgfm já se apresentam aos 1.600 giros, empurrando as retomadas com desenvoltura. No entanto, o modelo demonstra força mesmo é no off-road. Esse mesmo torque trabalha em uma faixa de giros mais seleta, até 2.100. Uma curva bem adequada para o fora-de-estrada, onde os veículos trafegam em velocidades mais baixas, só que forçando bem o motor.
 Tanto que o SUV não esmorece em trecho de lama densa. Com a reduzida engatada, o Grand Cherokee percorre a “trilha” com valentia. Méritos também do sistema Quadra Drive II, que distribui a força entre os eixos sob demanda e bloqueia cada diferencial automaticamente conforme a necessidade do terreno. No declive em terreno de pouca aderência, o sistema de assistência em descidas ajuda a segurar o jipão, sem pregar sustos no motorista.
 De volta ao asfalto, o Grand Cherokee só se mostra pouco equilibrado em altas velocidades. Bem antes de cravar o ponteiro nos 200 km/h, lá pelos 120 km/h, o modelo passa sinais de flutuação e a comunicação entre rodas e volante fica lenta. A má impressão é apagada nas curvas. Como é projetado para enfrentar o fora de estrada, o modelo obviamente torce a carroceria. Mas é possível perceber os controles eletrônicos agindo e corrigindo qualquer escapada a mais do utilitário esportivo. Nas arrancadas e frenagens bruscas, a suspensão bem calibrada evita empinos e mergulhos exagerados da carroceria. Ainda nas paradas, o modelo se mantém na trajetória, auxiliado pelo ABS e EBD dos freios.
 O SUV grandalhão também agrada pelo conforto. Há espaço de sobra para todos os ocupantes, a suspensão traseira multilink filtra bem os buracos e a ergonomia é bastante eficiente. O nível de acabamento também impressiona, apesar dos apliques de madeira de gosto duvidoso para os padrões brasileiros – na verdade, é uma predileção norte-americana. No consumo, os 7,4 km/l com uso 2/3 na cidade e o restante na estrada deixam a desejar.



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