FIAT 500 LOUNGE 1.4 16V

 
 

Sem pensar pequeno
Visual retrô é o grande apelo do Fiat 500, mas subcompacto também oferece boa dose de tecnologia



Auto Press
Texto: Fernando Miragaya
Fotos: Divulgação Fiat

Fiat Cinquecento é um daqueles carros emblemáticos da indústria automobilística. Com visual retrô, o subcompacto importado da Polônia agrada em cheio aos vanguardistas e moderninhos de plantão. Ou seja, sem qualquer proposta funcional, ataca justamente no apelo emocional e de exclusividade de suas linhas. O suficiente para fazer sucesso na Europa e estabelecer média de 150 unidades mensais no Brasil. Nada mal para um carrinho 2+2, com pouco espaço no porta-malas e preços que começam R$ 63.860 e chegam a R$ 65.920, como na versão testada, Lounge com câmbio mecânico. Preços de sedãs médios bem equipados.
Mas o custo/benefício está longe de ser importante para o nicho onde o Fiat 500 tenta se inserir: o de modelos conceituais. Mesma estratégia “emocional” que carros como Volkswagen New Beetle e Chrysler PT Cruiser adotaram – e até o Smart ForTwo e o Mini Cooper. Para isso, se inspira claramente no carro original do pós-guerra, nos anos 50 – que se tornou mundialmente famoso através de suas aparições em clássicos cinematográficos do chamado neorealismo italiano. Abusa das formas abauladas na carroceria e conjunto ótico com faróis redondos e faróis de neblina ovais. Nas laterais, uma saliência na altura da maçaneta das portas empresta uma aparência levemente musculosa ao subcompacto. Já a traseira, com corte inclinado, traz lanternas verticais.
 Além dos cromados nas maçanetas, na grade frontal, na ponteira do escapamento e na barra da tampa do porta-malas, o 500 conta com teto panorâmico de vidro e rodas de liga leve aro 15. Também pode receber adesivos como acessórios de concessionária, desde uma faixa zebrada um tanto “kitsch” na lateral até o número que batiza o modelo com detalhes em verde e vermelho, as cores da Itália, país de origem da montadora. Por dentro, as modernidades continuam. Botões e quadro de instrumentos que seguem o estilo retrô e revestimento bicolor, com contrastes de tons claros no volante, por exemplo, com o painel repetindo a cor da carroceria, além detalhes cromados e na cor preta.
 Mas, por baixo da casca estilosa do hatch, há uma boa dose de modernidade e tecnologia embarcada. Até porque, o 500 é um carro voltado para o mercado europeu. Com isso, estão lá vários itens de segurança. O 500 chega com sete airbags, controles eletrônicos de estabilidade e de tração, freios com ABS e EBD, itens quase obrigatórios na Europa. Além disso, o modelo oferece encostos de cabeça dianteiros ativos, sensores de obstáculos traseiros, regulagem elétrica de altura dos faróis e controle de assistência para arrancada em subidas.
 Na parte de conforto, itens obrigatórios para um modelo de R$ 65 mil. Ar-condicionado automático com duas zonas, direção elétrica com dois programas de condução, trio elétrico com vidros com sistema um toque e travamento automático das portas, rádio/CD/MP3 com entrada USB e Bluetooth, computador de bordo, chave do tipo canivete com keyless, banco do motorista e volante com regulagens de altura são alguns dos itens de série do carrinho. Sob o capô está o motor 1.4 16V de 100 cv combinado com uma transmissão mecânica de seis marchas – há também versão com câmbio automatizado.
 Como únicos opcionais, teto solar panorâmico, retrovisor eletrocrômico, rodas aro 16 e bancos de couro. O que faz o modelo chegar a salgados R$ 74.121. Mas preço é mero detalhe para um carro com tal proposta como o 500. Afinal, seus rivais virtuais, com preço próximo, também estão longe de serem carros com custo/benefício atraente. O New Beetle vai dos R$ 59.109 a R$ 63.030 e o PT Cruiser vai de R$ 56.900 a R$ 65.900. Mas indiscutivelmente, o 500 é o mais moderninho entre os modernosos.
 
Instantâneas
# A nova geração do Fiat Cinquecento foi lançada em julho de 2007.
# O modelo é feito na Polônia e usa a mesma plataforma do Fiat Panda e da nova geração do Ford Ka europeu – o Ka brasileiro utiliza a antiga plataforma.
# O 500 também é vendido no Brasil com câmbio automatizado de cinco velocidades, nas versões Sport – R$ 67.980– e Lounge – R$ 70.040.
# Na Europa, o subcompacto é vendido também com motor 1.2 gasolina de 69 cv e 1.3 turbodiesel de 75 cv.
# O 500 é atualmente o único modelo importado pela Fiat do Brasil fora do Mercosul.
# O pequenino carro deve ser vendido nos Estados Unidos a partir do ano que vem, só que com logomarca Chrysler, montadora norte-americana da qual a Fiat detém 20% atualmente.
Ficha técnica
Fiat 500 Lounge 1.4 16 V
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.368 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo de válvulas no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 100 cv a 6 mil rpm.
Torque máximo: 13,3 kgfm a 4.250 rpm.
Diâmetro e curso: 72,0 mm X 84,0 mm. Taxa de compressão: 10,8:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços transversais oscilantes inferiores, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira interdependente por eixo de torção, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Oferece controle de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a discos sólidos. Oferece sistema ABS com EBD de série na versão.
Pneus: 185/55 R15 na frente e atrás em rodas de liga leve. Estepe 135/80 R14.
Carroceria: Hatch em monobloco com duas portas e quatro lugares. Com 3,54 metros de comprimento, 1,62 metro de largura, 1,48 metro de altura e 2,30 metros de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais, do tipo cortina e para o joelho do motorista.
Peso: 930 kg em ordem de marcha, com 320 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 185 litros.
Tanque de combustível: 35 litros.
Produção: Polônia.
Lançamento mundial: Julho de 2007. Lançamento no Brasil: Outubro de 2009.
Ponto a ponto
Desempenho – Os 100 cv dão conta de mover os 930 kg do Cinquecento com certa desenvoltura pelo trânsito urbano. É verdade que o motor demora um pouco a responder ao pedal do acelerador, mas nada que comprometa um desempenho satisfatório nas arrancadas. O zero a 100 km/h é feito em 10,6 segundos. As retomadas já são mais complicadas. O propulsor demora a encher – só acima de 4 mil giros o torque é oferecido plenamente – o que atrapalha nas ultrapassagens e o desempenho do modelo em subidas, onde é preciso reduzir as marchas a todo instante. Nota 7.
Estabilidade – Carro com dimensões enxutas e cheio de sistemas eletrônicos, o 500 se mostra grudado no chão. Mesmo em velocidades mais altas, em curvas ou retas, o modelo se comporta bem em asfalto bem liso. A falta de peso, porém, se faz sentir nas curvas com alguma irregularidade no piso – como desnível no acostamento, por exemplo – quando o modelo tende a saltar, por causa da suspensão excessivamente firme. Este acerto, por outro lado, equilibra o 500 em arrancadas e frenagens bruscas, sem deixá-lo levantar ou mergulhar demais a carroceria. Nas retas, uma sensação de flutuação só surge mesmo depois dos 170 km/h, bem próximo da máxima de 180 km/h. Nota 7.
Interatividade – As dimensões enxutas favorecem a ergonomia do Cinquecento. A maioria dos comandos é bastante intuitiva e ao alcance das mãos. O modelo oferece regulagens de altura do volante e do banco e a posição de dirigir é elevada e agradável. O câmbio, contudo, é bem áspero e tem engates pouco precisos. A visibilidade, como não poderia deixar de ser, é bastante limitada devido à restrita área envidraçada e às largas colunas do meio e traseiras. O desenho do quadro de instrumentos prejudica a leitura e os reflexos provocados pelos acabamento em cores claras impedem a visualização do computador de bordo. Nota 7.
Consumo – O modelo anotou a média de 9,3 km/l com gasolina e uso 2/3 na cidade. Nota 6.
Tecnologia – O subcompacto usa uma plataforma recente, de 2007, e traz vários itens de segurança, como controles de estabilidade, sete airbags, freios com ABS e EBD, encostos de cabeça ativos, entre outros. Também conta com um motor relativamente moderno e uma lista de itens de conforto condizente para um carro de R$ 65 mil. Nota 9.
Conforto – É um daqueles carros que privilegia o design e compromete o conforto. O espaço para pernas e cabeças é reduzido na frente e piora para quem se aventura no banco de trás, onde dois adultos de estatura mediana conseguem viajar com certo aperto. A suspensão dura, principalmente a traseira, não filtra bem os buracos da pista. Já o isolamento acústico é eficiente, mesmo acima de 120 km/h. Nota 6.
Habitabilidade – O desenho modernoso também compromete o 500 neste quesito. Os acessos são complicados, devido à baixa altura do modelo. Acessar o banco traseiro é ainda mais complicado, mesmo com o sistema easy-entry com memória. Os porta-objetos são poucos e raramente práticos e o porta-malas de 185 litros é praticamente “simbólico”. Pouco cabe ali. Nota 5.
Acabamento – O 500 mescla tons no interior e, apesar de controverso, trata-se de um acabamento muito bem cuidado. As portas são revestidas com tecidos e os encaixes e fechamentos são precisos. Não há sinais de rebarbas e os materiais empregados aparentam qualidade aos olhos e ao tato. Nota 8.
Design – É a razão de ser do carrinho retrô polonês. As linhas arredondadas e abauladas, os faróis redondos e a carroceria com músculos reforçam o tom exclusivista do modelo. E mantém as referências com o 500 original dos anos 50. Nota 9.
Custo/benefício – A versão Lounge custa R$ 65.920 e oferece uma boa lista de equipamentos. Mas está longe de ser um carro funcional. É pequenos e custa mais que muitos sedãs médios do mercado. Nota 5.
Total – O 500 lounge somou 69 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Polaquinho exibido
O principal objetivo em desembolsar R$ 65 mil e ter um Cinquecento na garagem é logo percebido ao se transitar pelas ruas. O pequeno automóvel da Fiat chama a atenção por onde passa e atrai olhares cobiçosos, principalmente do público feminino. E realmente o subcompacto é um modelo simpático, com um design diferenciado, capaz de mesclar um visual retrô com traços modernos. Passado o aspecto emocional, porém, é preciso conferir a faceta racional do modelo.
 E o 500 já começa a deixar suas falhas aparentes logo de cara. Entrar no modelo, mesmo na frente, não é tarefa fácil. A curvatura do carro e o espaço diminuto para pernas criam dificuldades. O vão para cabeças também não é dos mais generosos e o modelo ainda peca por ter poucos porta-objetos. No caso do motorista, é frequente esbarrar com o joelho direito no console central do painel. Pelo menos, a ergonomia é eficiente e a parca visibilidade é compensada pelo sensor de obstáculos, que ajuda ao motorista na hora de estacionar, apesar das dimensões enxutas do automóvel.
 Outro problema de visibilidade está no painel. Com a ideia de tentar preservar o design do modelo original, que tinha apenas marcador de velocidade, a Fiat decidiu instalar velocímetro e conta-giros concêntricos, com o miolo preenchido por um display para computador de bordo, hodômetros e luzes-espia. A distribuição cria um grafismo confuso e os acabamento em creme do volante e das bordas do cluster refletem no painel e impede totalmente a leitura dos dados.
 Em movimento, o modelo se sente mais à vontade. O motor de 100 cv cumpre bem a tarefa de locomover o carrinho pela cidade. As arrancadas não são tão imediatas, mas é possível fazer um zero a 100 km/h em razoáveis 10,6 segundos. O câmbio, porém, atrapalha um pouco a performance. O escalonamento não é dos melhores e, para piorar, os engates são pouco precisos. As retomadas também deixam a desejar, já que o motor enche só aos 4.250 giros. Mesmo assim, foi possível pisar fundo e alcançar a final de 180 km/h.
 Nesta velocidade, o 500 deixa aflorar parte dos seus dispositivos de controle de estabilidade. A comunicação entre rodas e volante só começa a vacilar em 170 km/h, mas nas curvas a carroceria torce muito pouco e o modelo não faz qualquer menção de desgarrar. Nas freadas bruscas, o motorista mantém o carro sob controle e na trajetória, auxiliado pelo ABS e EBD dos freios. No consumo, uma média razoável de 9,3 km/l com gasolina e uso 2/3 na cidade e 1/3 na estrada.



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