Sem perder a pose
Preço menor que o dos modelos diesel é um dos atrativos da versão V6 a gasolina da Toyota SW4
Auto Press
Texto: Fernando Miragaya
Fotos: Luiza Dantas/Carta Z Notícias
A Toyota acha que pode ampliar a participação da Hilux SW4 no mercado brasileiro. A montadora finalmente percebeu que perdia terreno – e vendas – por só dispor de modelos turbodiesel do utilitário esportivo médio-grande. Por isso, na carona da reestilização de março deste ano, a marca japonesa tratou de lançar logo duas derivações movidas a gasolina. Além da “inicial” 2.7, de 158 cv, estreou a SRV 4X4 com propulsor 4.0 V6 de 238 cv, agora a mais potente e equipada da linha, mas com um preço mais em conta que os modelos turbodiesel. Desta forma, por R$ 149 mil, se posiciona justamente entre a 2.7 gasolina – que parte dos R$ 110.400 – e a derivação 3.0 diesel de 163 cv, que começa em R$ 154.100.
O propulsor 4.0 com seis cilindros em “V” e 24 válvulas da SW4 conta com comando que varia a abertura de válvulas. A unidade gera 238 cv a 5.200 rotações e um torque máximo de 38,3 kgfm disponível nas 3.800 rpm – um pouco maior que a do motor 3.0 turbodiesel, que é de 35 kgfm, mas se apresenta em uma faixa plana e mais baixa, entre 1.400 e 3.200 giros. O propulsor V6 trabalha com uma transmissão automática de cinco velocidades, enquanto nas outras versões a caixa é de quatro velocidades.
O conjunto conta ainda com tração permanente nas quatro rodas. O modelo possui opção de engate de tração reduzida, diferencial central autoblocante e diferencial traseiro com escorregamento limitado. A lista de itens de série segue a receita da configuração SRV turbodiesel. O SUV conta com airbag duplo frontal, freios com ABS e EBD, ar automático, direção hidráulica, trio, computador de bordo, banco do motorista com regulagens elétricas, volante com ajuste de altura, retrovisor eletrocrômico, controle de cruzeiro, rebatimento elétrico dos retrovisores, revestimento em couro, alarme e keyless, entre outros.
Na estética, os controversos detalhes em imitação de madeira no interior, faróis de neblina, carcaças dos retrovisores cromadas e rodas de liga leve aro 17. Na linha 2010, a SW4 passou a oferecer também a terceira fila de bancos. Mas o modelo peca em alguns detalhes. O rádio/CD/MP3, por exemplo, tem disqueteira, mas não dispõe de entrada USB nem de conectividade viva-voz Bluetooth. Além disso, o para-sol do motorista não tem espelho. No visual, o face-lift do modelo incorporou faróis angulosos e barras cromadas, que deixaram o utilitário esportivo com aspecto mais robusto.
Só que a SW4 V6 esbarra também no preço. Por R$ 149 mil, fica mais cara que a maioria dos rivais movidos também a gasolina, como o Kia Sorento EX 3.8 V6 – R$ 121.900 –, Hyundai Santa Fe 7 lugares – R$ 118 mil – e Mitsubishi Pajero Sport 3.5 V6 – R$ 109.900. E fica próximo de modelos mais sofisticados, como o Ford Edge – R$ 149.70 –, Volvo XC60 – que começa em R$ 138.500 – e até Land Rover Discovery 4.0 V6, que parte dos R$ 145 mil. Estes oferecem apenas duas filas de bancos, porém têm mais itens de segurança e de conforto por preços próximos.
Desta forma, a SW4 SRV 4.0 V6 responde por 10% das vendas totais do SUV médio da Toyota no Brasil. Um pouco abaixo das expectativas da marca japonesa, que projetava 15% de mix para a nova versão. O que representa módicas 46 unidades mensais dentro da média de 460 unidades/mês que a linha SW4 registra no ano. E que posicionam o modelo bem no meio dos concorrentes, atrás das 638 unidades mensais do Santa Fe e à frente das 237 do Pajero Sport.
Instantâneas
# A Toyota Hilux SW4 é fabricada na planta de Zárate, na Argentina.
# Nos Estados Unidos o SUV recebe o nome de 4-Runner.
# A linha Hilux começou a ser vendida no Brasil em 1992, importada do Japão. Em 1997, começou a ser importada da Argentina.
# A atual geração do utilitário foi lançada em outubro de 2005.
# No Brasil, a Toyota iniciou suas operações em 1958. A produção do jipe Bandeirante começou no ano seguinte, em uma fábrica em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, a primeira planta da Toyota fora do Japão.
# A marca fabrica no Brasil o médio Corolla, em Indaiatuba, em São Paulo.
# A montadora também vende no mercado brasileiro outros dois utilitários esportivos: o RAV4 e o Land Cruiser Prado.
Ficha Técnica
Toyota Hilux SW4 SRV 4.0 V6
Motor: A gasolina, dianteiro, longitudinal, bloco e cabeçotes em alumínio, 3.956 cm³, com seis cilindros em “V”, quatro válvulas por cilindro e comando variável de abertura de válvulas. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio automático de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração integral nas quatro rodas com diferencial central autoblocante e diferencial traseiro com escorregamento limitado. Não oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 238 cv a 5.200 rpm.
Torque máximo: 38,3 kgfm a 3.800 rpm.
Diâmetro e curso: 94,0 mm X 95,0 mm. Taxa de compressão: 10,0:1.
Suspensão: Dianteira independente com braços duplos triangulares, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira do tipo four-link, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a tambor. ABS e EBD de série.
Pneus: 265/65 R17 em rodas de liga leve.
Carroceria: Utilitário esportivo médio com quatro portas e sete lugares. 4,69 metros de comprimento, 1,84 m de largura, 1,85 m de altura e 2,75 m de entre-eixos. Oferece airbags duplos frontais de série.
Peso: 1.920 kg, com 590 kg de carga útil.
Porta-malas: 900 litros até o teto.
Tanque de combustível: 80 litros.
Capacidade off-road: Ângulo de ataque de 30º, ângulo de saída de 25º e altura livre do solo de 22 cm.
Produção: Argentina.
Lançamento no Brasil: 2005.
Ponto a ponto
Desempenho – O motor V6 se traduz num bom apetite para a Hilux SW4. Basta pisar no pedal do acelerador para o motor roncar e encher rápido. Os 238 cv empurram com vontade o modelo para sair da inércia e alcançar os 100 km/h em 9,6 segundos. As retomadas são eficientes, mesmo com o generoso torque de 38 kgfm disponível só nos 3.800 giros. A performance da SW4 é favorecida também pelo câmbio automático. Apesar de alguns delays entre a terceira e quarta marchas, a caixa é bem melhor escalonada que a de quatro velocidades que equipa o restante da linha. Nota 8.
Estabilidade – As dimensões generosas do utilitário esportivo argentino se fazem perceber. Nas freadas bruscas, o modelo mergulha bastante e nas arrancadas tende a empinar em demasia. Nas curvas, em condução mais agressiva, a carroceria torce e faz menção de rolar. O melhor é dirigir de forma civilizada. Nas retas, a reação das rodas aos comandos do volante começa a ficar lenta aos 150 km/h. Nota 6.
Interatividade – Os ajustes elétricos da versão SRV 4.0 V6 ajudam o motorista a encontrar uma posição boa para dirigir. O volante, por sua vez, tem regulagem de altura limitada e não tem ajuste de profundidade. A ergonomia também é falha, com alguns comandos mal posicionados e pouco intuitivos, como o dos retrovisores elétricos e do computador de bordo, na parte de cima do painel central. A visualização do computador de bordo, aliás, também exige desvios de atenção por parte do motorista. O volante conta com comandos do som e a visibilidade dianteira e lateral são boas, mas a traseira é prejudicada pelas largas colunas. Nota 7.
Consumo – O modelo testado assinalou a pífia média de 5,9 km/l em trecho 2/3 urbano e 1/3 rodoviário. Nota 5.
Conforto – É o ponto forte da SW4. Há espaço de sobra para cabeças e pernas dos ocupantes da primeira e segunda fileiras. Os dois bancos extras atrás, como sempre, são mais recomendados para crianças. A suspensão é bem acertada para os buracos costumeiros das grandes cidades e o isolamento acústico do modelo é eficiente. Mesmo em velocidades acima dos 140 km/h, os barulhos do motor e de rodagem não chegam a incomodar. Nota 9.
Tecnologia – Na reestilização deste ano, o modelo ganhou novo motor e câmbio automático de cinco velocidades. O SUV usa uma plataforma de 2005, o que pode ser considerada nova para estruturas sobre longarinas. Os itens de segurança, contudo, deixam a desejar e o modelo merecia equipamentos como controles de estabilidade e de tração. Também faltam à SW4 mais recursos de entretenimento e de conectividade. Nota 7.
Habitabilidade – Os acessos são complicados devido à altura do modelo. Como todo veículo pensado para os Estados Unidos, há uma fartura de práticos porta-objetos e porta-copos, além de saídas do ar-condicionado para todas as fileiras. O porta-malas de 900 litros – até o teto e com os bancos da terceira fila rebatíveis – chama a atenção. Nota 8.
Acabamento – O couro claro contrastando com o preto do painel confere um ar de requinte ao utilitário esportivo. Os detalhes com imitação de madeira, de gosto duvidoso, são originários do projeto voltado para o público norte-americano, que adora tal revestimento. No mais, a SW4 usa materiais que aparentam qualidade e são agradáveis ao toque e aos olhos. Os fechamentos e encaixes têm ótima precisão e não há qualquer sinal de rebarbas. Nota 7.
Design – A Hilux SW4 já tinha um visual imponente e conseguiu ganhar ainda mais robustez com o face-lift deste ano. Apesar de ter basicamente o mesmo estilo desde 2005, os designers efetivamente rejuvenesceram o modelo. Mas o resultado estético está longe de ser unanimidade. Nota 7.
Custo/benefício – Ao preço de R$ 149 mil, a SW4 4.0 V6 fica mais cara que a grande maioria de seus rivais e até que modelos mais sofisticados, como Discovery, Edge e XC60. Nota 6.
Total – A Hilux SW4 SRV 4.0 V6 obteve 70 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Fôlego extra
Ao arrancar com a Hilux SW4 V6 já se percebe que o modelo tem bastante disposição. Os 238 cv empurram de forma até ágil o utilitário esportivo argentino de quase 2 toneladas e as arrancadas são eficientes. O zero a 100 km/h é feito em interessantes 9,6 segundos. Colabora para isso a transmissão automática de cinco velocidades. Bem escalonada, ela minimiza delays – há apenas um pequeno buraco entre a terceira e a quarta – e otimiza o desempenho. Principalmente nas horas das ultrapassagens e retomadas, quando o torque de 38 kgfm trata de emprestar força de sobra ao veículo.
Basta pisar mais fundo e alcançar a máxima de 180 km/h. Mas, antes disso, o modelo passa a mostrar algumas falhas. Nas arrancadas é possível perceber a frente levantar além da conta. Já aos 150 km/h, o modelo começa a flutuar. Nas curvas acentuadas e em velocidades altas, a carroceria torce bastante, enquanto nas freadas bruscas, o ABS e EBD ajudam a manter a SW4 na trajetória, mas o utilitário acaba por embicar demais a frente.
Ou seja, a SW4 é um veículo para se andar mansinho e curtir sua grande virtude: o conforto. Motorista e ocupantes da segunda e terceira filas de banco têm ótimo espaço para pernas e um generoso vão para cabeças. Na fila do meio, três adultos viajam com sobras, mas a terceira fila é mais apropriada para receber duas crianças. Além disso, há uma infinidade de porta-objetos e porta-copos, a suspensão absorve bem as irregularidades da pista e o isolamento acústico se mostra eficaz, mesmo em velocidades altas.
Na parte de ergonomia, o utilitário esportivo deixa a desejar. Alguns comandos exigem desvio de atenção do motorista. O computador de bordo, mal posicionado no alto do painel central, também é de difícil visualização e manuseio. A retrovisão é prejudicada pelas largas colunas e o modelo não oferece sensor de obstáculos, o que complica na hora de estacionar um veículo grandalhão como a SW4. O consumo também não se mostrou nem um pouco amigável. O modelo avaliado fez a média de 5,9 km/l, em uso 2/3 na cidade e o restante na estrada.