SMART FORTWO COUPÉ

 
 

A chave do tamanho
Apesar do preço salgado, Smart Fortwo se vale do charme e da praticidade no uso urbano



Auto Press
Texto: Fernando Miragaya
Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias

A lógica original do Smart Fortwo é bem direta. Ser um carrinho prático, com dimensões enxutas, fácil de transitar e estacionar nas caóticas ruas das grandes metrópoles. A lógica indireta é esbanjar charme. Daí as primeiras revendas da marca suíça, que pertence à Daimler, terem sido aberta em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre: cidades com trânsito pesado e um mercado de luxo respeitável. Na Europa, é comum se deparar com vários exemplares nas ruas das principais cidades do continente onde, inclusive, há vagas específicas para o pequeno modelo. Por aqui, o caráter exclusivista é reforçado pelo desenho bastante peculiar, mas também por conta do preço.
O Fortwo Coupé começa em R$ 57.900. Ou seja, custa o mesmo ou até mais que muitos hatchs e sedãs médios. Ou seja: não é um modelo indicado para quem quer comprar carro a metro. Com 2,69 metros de comprimento, 1,56 m de largura, 1,54 m de altura e 1,87 m de distância entre-eixos, tem a limitação imposta pelas dimensões enxutas: carrega apenas duas pessoas e oferece um porta-malas com apenas 220 litros. Com isso, acaba por se tornar um carro de nicho. Ou seja, o tal lado racional acaba suplantado pelo design.
Mas o carrinho da Smart também tem as virtudes peculiares dos modelos vendidos na Europa. Por conta disso, ele chega ao mercado brasileiro com controles eletrônicos de estabilidade e de tração, freios com ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência, assistente de arrancada em subidas e airbags frontais, laterais e do tipo cortina. Além disso, para compensar as diminutas dimensões em colisões, o carro conta com estrutura em monobloco batizada pela montadora como “crash management system”, com 50% da estrutura reforçada em aço de alta resistência e célula de segurança tridion, um sistema onde até as rodas são utilizadas como zona de deformação.
A modernidade do carrinho também está no motor. O Fortwo conta com um propulsor 1.0 com três cilindros em linha, 12 válvulas e turbocompressor. A unidade de força fica posicionada à frente do eixo traseiro, sob o piso do pequeno porta-malas, inclinada em 45º. O motor trabalha em conjunto com um câmbio automatizado sequencial de cinco marchas, com borboletas atrás do volante para trocas manuais. Ele fornece 84 cv de potência aos 5.250 rpm e 12,2 kgfm de torque máximo aos 3.250 giros às rodas de trás do carrinho.
Trata-se de um motor compacto, para poupar espaço e peso no Fortwo e torná-lo mais eficiente para emissões e consumo, duas virtudes bastante exploradas pelo modelo. Segundo a Smart, o Fortwo emite 116 g de CO2 por quilômetro rodado e alcança um consumo médio de 20,4 km/l – o modelo testado obteve média de 12,7 km/l com uso 2/3 na cidade e 1/3 na estrada. Na busca por eficiência, conta com direção elétrica, outro bom aliado na redução de peso.
Mas no mercado brasileiro, um carro de R$ 57.900 tem que vir bem fornido também em itens de conforto. O Fortwo que chega ao mercado brasileiro tem ar-condicionado automático, trio elétrico, rádio/CD/MP3 com subwoofer, sensor de chuva, travamento das portas na chave, entre outros. Na parte estética, além do visual peculiar, rodas de liga leve aro 15 e teto panorâmico. Isso sem falar da possibilidade de várias combinações bicolores na carroceria, no chamado sistema bodypanels, onde é possível encaixar painéis de fibra de cores diferentes na carroceria. Afinal, para um carro de nicho, personalizar é preciso.
Instantâneas
# O Smart Fortwo foi mostrado pela primeira vez no Salão de Frankfurt de 1997 e começou a ser fabricado em julho do ano seguinte.
# O subcompacto ganhou uma derivação Cabriolet em 2000, que também é vendida no Brasil por R$ 64.900.
# A nova geração do Fortwo surgiu em 2006 com 20 cm a mais no comprimento e o câmbio automatizado de cinco velocidades para substituir a caixa de seis marchas.
# Na Europa, o modelo também é oferecido com motores a gasolina 1.0 de 61 cv e 71 cv e 0.8 diesel de 45 cv, além da configuração preparada Brabus, com turbo e 98 cv.
# O sistema de bodypanels, que permite mesclar tons diferentes na carroceria, usa as seguintes cores: preto intenso, vermelho rallye, branco cristal, prata metalizado, cinza metalizado e azul metalizado.
Ficha técnica
Smart Fortwo 1.0 12V Turbo
Motor: A gasolina, traseiro, transversal, 999 cm³, três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, turbocompressor e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio automatizado sequencial de cinco marchas à frente e uma a ré, com opção de acionamento através de borboletas no volante. Tração traseira. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 84 cv a 5.250 rpm.
Torque máximo: 12,2 kgfm a 3.250 rpm.
Diâmetro e curso: 72 mm X 81,1 mm. Taxa de compressão: 10,0:1
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira independente por eixo de torção, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos sólidos e traseiros a tambor. Oferece ABS com EBD e assistente de emergência.
Carroceria: Monovolume em monobloco com duas portas e dois lugares. Com 2,69 metros de comprimento, 1,56 m de largura, 1,54 m de altura e 1,87 m de distância entre-eixos. Oferece duplo airbag frontal, lateral e do tipo cortina.
Peso: 1.050 kg, com 280 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 220 litros.
Tanque de combustível: 33 litros.
Ponto a ponto
Desempenho – Os 84 cv do motor turbo emprestam certa desenvoltura ao carrinho de pouco mais de uma tonelada. Mas trata-se de uma performance adequada para a proposta urbana do Fortwo. As respostas ao pedal do acelerador são um pouco tímidas, mas assim que o turbo entra o modelo fica mais esperto e consegue arrancadas eficientes, com um zero a 100 km/h em 11,1 segundos. As retomadas são um pouco mais morosas e o propulsor só enche mesmo depois dos 3 mil giros. Nota 8.
Estabilidade – Neste quesito fica claro que o carrinho da Smart foi feito para se andar na cidade e principalmente em velocidades civilizadas. Em trecho plano e reto, acima de 100 km/h a comunicação entre rodas e volante começa a vacilar e o Fortwo passa a flutuar bastante. A sensação de imprecisão fica ainda mais gritante quando um veículo de grande porte, como caminhões ou ônibus, passa ao lado do carrinho na estrada. Nas curvas, a carroceria torce pouco e não faz menção de rolar, como era de se esperar para um carrinho pequeno, com entre-eixos curto e controles de estabilidade e tração. Nas freadas, o ABS e o EBD ajudam a manter o carro na trajetória, mas nas arrancadas o modelo levanta um pouco a carroceria. Nota 7.
Interatividade –  Com dimensões enxutas e um interior bastante prático, o Fortwo privilegia a ergonomia. A maioria dos comandos são bastante intuitivos, estão ao alcance das mãos e não requerem grandes desvios de atenção por parte do motorista. A visibilidade é satisfatória e estacionar um modelo tão pequenino é o grande trunfo do Fortwo no cada vez mais disputado espaço das grandes cidades. A visualização do quadro de instrumentos é clara e objetiva, mas o tom âmbar confunde um pouco e o carrinho peca pela ausência de um computador de bordo. Os bancos estreitos, por sua vez, não seguram bem o condutor e com pessoas maiores, em uma curva para a esquerda, corre-se o risco de esbarrar com a perna na manopla do câmbio e colocá-la em neutro. Nota 7.
Consumo – O modelo testado fez a média de 12,7 km/l em uso 2/3 na cidade, longe dos 20,4 km/l alardeados pela Smart, mas louváveis em uma época de modelos compactos beberrões. Nota 9.
Tecnologia – O carrinho ganhou uma nova geração em 2006 e conta com estrutura em aço reforçado, além de um moderno sistema de absorção e distribuição de impactos. O motor turbo e o câmbio automatizado também merecem elogios e o Fortwo conta com vários itens de segurança indispensáveis para um carro pensado para o mercado europeu. Nota 8.
Conforto – É um carro para apenas duas pessoas e pessoas de estatura normal. Motoristas com mais de 1,80 m tendem a raspar a cabeça no teto, enquanto condutores obesos inevitavelmente vão esbarrar joelhos e pernas por painéis e alavanca do câmbio. O espaço para pernas do carona é um pouco melhor, mas nada notável. O carro leve com suspensão rígida ainda sofre nas debilitadas ruas brasileiras, sem absorver bem os buracos. O isolamento acústico também é falho. Nota 6.
Interatividade – Para compensar os pífios 220 litros de espaço para bagagens, o carrinho conta com tampa do vidro traseiro com abertura independente e um compartimento de organização adicional na tampa do porta-malas, que serve, como um bagageiro para pequenos objetos. Os porta-trecos e porta-copos são escassos e os acessos são dificultados pelo estreito vão das portas. A chamada tampa de manutenção, à frente do veículo, é de difícil manuseio e encaixe. Nota 6.
Acabamento – Apesar das muitas peças em plástico, o Fortwo conta com revestimentos que aparentam qualidade. Os tecidos nas portas e bancos são de boa qualidade e o volante conta com acabamento em couro. Não há sinais de rebarbas aparentes e os fechamentos e encaixes se mostram precisos. Nota 8.
Design – É um carro que pela sua proposta já chama a atenção. Com dois lugares, tem desenho incomum e ainda oferece combinações moderninhas de cores. E no mercado brasileiro se tornou um carro de nicho, ou seja, chama a atenção por onde passa. Nota 8.
Custo/benefício – O subcompacto da Smart parte dos R$ 57.900, mais caro que hatches médios com motores mais potentes e muito mais espaço interior. Mas não seria mesmo o custo/benefício que motivaria a compra de um modelo que oferece prioritariamente design, charme e requinte. Nota 6.
Total – O Smart Fortwo Coupé somou 73 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Música urbana
O Smart Fortwo é um carro que exige tempo de adaptação. A começar pelo espaço. Entrar no habitáculo do carrinho devido ao pequeno vão das portas e se acomodar no estreito banco requer certo contorcionismo. Também é preciso se habituar à dimensões enxutas, à área envidraçada bem limitada e ao modernoso quadro de instrumentos em mostrador circular na cor âmbar. Mas logo o condutor se sente mais à vontade justamente pelo espaço interior reduzido. O Fortwo é um carro bem pensado, com ergonomia facilitadora e comandos que estão ao alcance das mãos.
 Depois de virar a chave na inusitada ignição posicionada no meio do console central – outra característica que demanda certo tempo para habituar-se –, o subcompacto da Smart mostra sua vocação urbanóide. Antes de mais nada, pela facilidade de se estacionar em qualquer vaga, com um bom jogo da direção elétrica, extremamente suave. Além disso, o motor 1.0 turbo com três cilindros gera 84 cv suficientes para mover o carrinho nas congestionadas vias das grandes cidades. Sem arroubos de arrojo, a performance do Fortwo é condizente com seu peso e seu propulsor. Arrancadas competentes com 11,1 segundos para sair da inércia e alcançar os 100 km/h.
 Na estrada, a proposta urbana do Fortwo fica ainda mais evidente. O modelo está longe de ser um carro para pisar fundo. Alcançar a máxima de 145 km/h, limitada eletronicamente, além de requerer pé fundo e paciência, deixa à mostra a falta de equilíbrio do carrinho. A partir dos 100 km/h o Fortwo entrega uma incômoda sensação de flutuação e próximo da máxima não é exagero afirmar que parece que o carro vai desgrudar do chão, tamanha instabilidade.
 Pelo menos nas curvas o Smart se mostra mais no chão. Os controles de estabilidade e de tração ajudam a segurar o modelinho, mesmo ao entrar mais agressivamente, e o carro não faz menção de desgarrar. Mas o ideal é mesmo andar de forma mansa com o Fortwo. Até para poder usufruir mais uma de suas qualidades: o baixo consumo. Com uso 2/3 na cidade e o restante na estrada, o modelo testado obteve média de 12,7 km/l.



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