VOLKSWAGEN JETTA VARIANT 2010

 
 

Emoções nada baratas
Por R$ 83.990, Jetta Variant 2010 chega ao Brasil com a identidade visual global da Volkswagen e o mesmo motor de 170 cv



Auto Press
Texto: Luiz Humberto Monteiro Pereira
Fotos: Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias

No Brasil, todo carro é caro. Uns culpam a voracidade tributária do governo, outros responsabilizam as elevadas margens de lucro das marcas. O certo é que os automóveis são oferecidos por aqui por valores muito além dos cobrados em outros países. É o caso da Jetta Variant, cujo modelo 2010 a Volkswagen acaba de apresentar no país. O carro estreou mundialmente em outubro, no Salão de Frankfurt. Embora atualizado com a identidade visual global da marca, apresentada em 2008 pelo Golf geração VI, o Jetta Variant utiliza a plataforma do Golf da geração V, de 2003, a mesma adotada no Jetta anterior, lançado em 2007 e importado para o Brasil desde 2008. Na Europa, o Golf está na geração VI, enquanto o Brasil ainda produz o modelo de quarta geração. Para lançar por aqui o novo Jetta Variant, a Volkswagen reduziu o preço inicial de R$ 85.190 para R$ 83.990. No México, único país onde é produzida, a perua é oferecida por valores entre 293 mil pesos e 358 mil pesos – de R$ 42 mil a R$ 52 mil.
Como há um acordo comercial entre os dois países, nem dá para culpar o imposto de importação – que no caso é de apenas 1%. Ao que parece, a Volkswagen realmente acredita que o consumidor brasileiro irá valorizar a linha Jetta como um produto “premium”. Ele chega recheado de equipamentos e por valores acima das versões “top” automáticas dos concorrentes – no caso Renault Mégane Grand Tour Dynamique 2.0 e Peugeot 307 SW Feline 2.0, que começam em R$ 68.550 e R$ 77.390, respectivamente. Com a pequena redução do preço em relação ao modelo anterior – módicos 1,4 % –, a Volkswagen acredita que a nova Jetta Variant vai conseguir incrementar as vendas que, no ano passado, ficaram em 90 unidades mensais.
Um dos elementos onde a marca alemã baseia tal otimismo é o estilo. Com a nova identidade visual global da Volkswagen, de cara já chamam a atenção a nova grade com o logotipo mais vistoso, os faróis com máscara negra e as luzes de neblina integradas ao para-choques. O capô ganhou uma aparência mais musculosa e o conjunto frontal evoca efetivamente mais modernidade que a versão anterior. Por fora, as mudanças praticamente se restringiram a isso. As lanternas também receberam novas máscaras, mas o aspecto geral do perfil e da traseira pouco difere da versão anterior. As rodas de liga leve de 17 polegadas ajudam a compor bem o conjunto.
Por dentro, o painel também foi reestilizado e ficou mais moderninho. O volante multifuncional de três raios, revestido em couro, é o mesmo utilizado no Passat CC e que, aparentemente, vai se alastrar por todos os modelos da marca. A coluna de direção tem regulagem longitudinal e de altura. Sob o console, destaca-se o rádio e CD player MP3 com tela de 6,5 polegadas sensível ao toque, com entrada para iPod e cartões de memória tipo SD. E os bancos de couro agora são de série.
A esportividade é um atributo que o marketing da Volkswagen gosta de valorizar no Jetta Variant, certamente para distanciar o modelo do jeito excessivamente familiar dos monovolumes, que sempre roubam consumidores das stations. Assim como a plataforma, a motorização também é a mesma do modelo anterior. Trata-se de um motor 2.5 litros a gasolina com 5 cilindros e 170 cv, com 24,5 kgfm de torque, conjugado a um câmbio automático Tiptronic com seis velocidades e possibilidade de acionamento manual na manopla. O sistema de direção Servtronic tem assistência elétrica, que se adapta à velocidade do carro. A segurança é reforçada por seis airbags – frontais, laterais e de cortina – e também por controles eletrônicos de tração e estabilidade, além dos freios a disco nas quatro rodas equipados com dispositivo antitravamento ABS.
Num carro tão equipado de série, é natural que os opcionais sejam poucos. Apenas o generoso teto solar panorâmico, faróis bixenon direcionais com lavador e um “pack” eletrônico que agrupa “gadgets” como sensor de chuva, retrovisor interno com antiofuscamento automático e função onde os faróis permanecem acesos por alguns segundos enquanto o motorista de afasta. Com esses opcionais, o preço da perua sobre quase R$ 12 mil e beira os R$ 96 mil. O que agrava um problema que, desde o modelo antigo, já era o grande entrave nas vendas do Jetta Variant – o preço. Se, apesar dele, a perua mexicana de cara nova vai “emplacar” no Brasil, o mercado vai responder nos próximos meses.
Instantâneas
# A primeira geração da versão station wagon do Jetta chegou ao Brasil em abril de 2008, mas o Jetta sedã é vendido no país desde setembro de 2006.
# A perua média da Volkswagen é produzida na fábrica de Puebla, no México, onde também são montados os sedãs Bora e Jetta e os hatches Golf V e New Beetle – esse último em final de produção.
# No México, a Jetta Variant chama-se Bora SportWagen. Já o sedã médio Jetta recebe o nome de Bora, enquanto o sedã médio que o Brasil conhece como Bora é chamado de Jetta.
# Na Europa, a configuração perua é chamada de Golf Estate. Já na Austrália, é conhecida como Jetta Wagon
Ficha técnica
Volkswagen Jetta Variant
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 2.480 cm³, com cinco cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Câmbio automático sequencial Tiptronic de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira e bloqueio eletrônico do diferencial EDL.
Potência máxima: 170 cv a 5 mil rpm.
Torque máximo: 24,5 kgfm a 4.250 rpm.
Diâmetro e curso: 82,5 mm X 92,8 mm. Taxa de compressão: 10,0:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Traseira independente do tipo Multilink, com braço transversal e longitudinal, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Oferece controle eletrônico de estabilidade ESP.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a discos sólidos. Assistente ABS com EBD e BAS de série.
Carroceria: Station wagon em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Medidas: 4,53 metros de comprimento, 1,78 m de largura, 1,50 m de altura e 2,58 m de distância entre-eixos. Airbags frontais, laterais e do tipo cortina de série.
Peso: 1.466 kg.
Capacidade do porta-malas: 505 litros, 690 litros com bagagem até o teto e 1.495 litros com o banco traseiro rebatido.
Tanque de combustível: 55 litros.
Ponto a Ponto
Desempenho ­ Segundo a Volkswagen faz questão de ressaltar sempre que pode, é o grande “appeal” da Jetta Variant. Em conjunto com o esperto câmbio Tiptronic de seis velocidades, a unidade de força 2.5 litros não se inibe em exibir sua força a qualquer pressão que se faça no acelerador. Embora o torque máximo de 24,5 kgfm só apareça aos 4.250 giros, já a partir dos 3 mil giros o carro se move com bastante vigor. Nota 9.
Estabilidade ­ Como o modelo anterior, é uma perua bem equilibrada, que se mantém firme nas mãos do motorista e com uma comunicação precisa entre rodas e volante, mesmo acima dos 160 km/h velocidades. Nas curvas mais fechadas em alta velocidade, a carroceria torce um pouco. Já nas frenagens, o comportamento é exemplar. A perua não faz sequer menção de embicar. Nota 8.
Interatividade ­ No novo painel, os instrumentos são bem legíveis. Botões de som e ar ficam no console central e as alavancas do volante e do câmbio têm operação simples. Com a nova tela “touchscreen”, sensível ao toque, ficou ainda mais fácil e intuitivo operar as funções do rádio e do ar. O câmbio Tiptronic de seis marchas se mostra bastante preciso e oferece trocas ágeis, sem trancos. Mas, pelo preço do carro, os ajustes manuais do banco do motorista deveriam dar lugar a controles eletrônicos. Nota 8.
Consumo ­ Ao final do teste, o computador de bordo indicava um consumo de 7,4 km/l de gasolina, em percurso 80% rodoviário. Nota 6.
Conforto ­ O espaço interno é correto, sem muita sobra. No banco traseiro cabem, com conforto, dois adultos e uma criança. O entre-eixos de 2,58 metros é menor que os 2,71 m da concorrente Peugeot 307 SW. Para permitir melhor desempenho, a opção foi por uma suspensão um tanto rígida. Até que absorve com eficiência as pequenas irregularidades do piso, mas perde um pouco da “elegância” em pistas esburacadas, quando transmite bastante as vibrações para o habitáculo. Nota 7.
Tecnologia ­ Além do motor com cabeçote em alumínio, quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote, aliado a um eficiente câmbio Tiptronic de seis velocidades, o modelo ainda é bem dotado de equipamentos de segurança e conforto. Tem seis airbags, freios com ABS, EBD e BAS, controle eletrônico de estabilidade ESP, sensores de obstáculos dianteiros e traseiros, direção assistida e ar digital. O computador de bordo é bem eficiente e o novo rádio/CD/MP3 com tela sensível ao toque é um inegável reforço tecnológico. Nota 9.
Habitabilidade ­ Com 2,58 metros de entre-eixos e 1,50 metro de altura, o modelo leva 505 litros no porta-malas. O acesso a ele é muito bom, com amplo vão de entrada para a bagagem. No acesso dos passageiros também não se notam maiores dificuldades. O modelo vem com três apoios de cabeça nos bancos traseiros e cintos traseiros de três pontos. A iluminação é bem correta e não faltam porta-objetos a bordo. Nota 8.
Acabamento ­ A impressão é que houve alguma evolução nesse aspecto em relação ao modelo anterior.  No geral, os materiais aparentam boa qualidade, com texturas que agradam aos olhos e ao toque, sem rebarbas que se possam notar. Há cuidado com os detalhes, como no bonito revestimento aveludado do porta-luvas, que faz lembrar uma daquelas caixinhas de joias de antigamente. O vasto porta-malas também é forrado em tecido escuro e elegante. E o revestimento de couro nos bancos, agora de série, ajuda a enobrecer o ambiente. Nota 8.
Design ­ A adequação da Jetta Variant ao atual padrão estético da marca não chegou a ser uma revolução em termos de imagem, mas efetivamente ajudou a dar um aspecto mais moderno ao modelo. Com linhas fluidas e sem vincos ou cortes angulosos, se destaca em relação aos concorrentes Mégane Grand Tour e Peugeot 307 SW, ambos bastante datados. Nota 7.
Custo/Benefício ­ A Jetta Variant é mais recheada e vigorosa que as peruas médias rivais em suas versões topo de linha, ambas com motores 2.0. Traz equipamentos de segurança e conforto ausentes nas outras stations, como controle eletrônico de estabilidade ESP e direção assistida. O fato do revestimento de couro nos bancos, que antes custavam R$ 4.180, agora ser item de série ajuda a tornar o custo/benefício menos hostil. Nota 6.
Total: ­ O Volkswagen Jetta Variant somou 76 pontos em 100 possíveis.
Primeiras impressões - Robustez dinâmica
Para a apresentação do novo Jetta Variant à imprensa especializada nacional, a Volkswagen montou dois circuitos. Um era no kartódromo da Fazenda Capuava e o outro nas estradas da periferia da cidade paulista de Vinhedo. Na pista de kart, foi possível colocar os pneus da perua para “cantar” com vontade e, de quebra, deixar um “rastro” de borracha queimada no ar. Divertido, mas pouco efetivo para uma avaliação dinâmica de um station wagon. Foi na estrada que o Jetta Variant se mostrou mais à vontade e teve a chance de mostrar a que veio.
Já na primeira pisada funda no acelerador, o torque do Jetta compareceu de imediato e fez a perua ganhar velocidade de um jeito determinado. O câmbio de seis velocidades é bastante eficiente e transmite a força do motor às rodas dianteiras de forma progressiva e sem maiores solavancos. Durante o teste de apresentação, o máximo que foi possível atingir foram  170 km/h, mas sobra força para chegar aos mesmos 205 km/h de velocidade máxima aferidos no modelo anterior, que tinha o mesmo motor. E tudo com uma agradável sensação de consistência. Que faz o motorista acreditar que é possível pisar com vontade no acelerador que o conjunto é confiável.
A estrada onde o carro foi testado não tinha muitos pontos de ultrapassagem. Ou seja, para deixar os “morrinhas” para trás era necessário ter capacidade de ganhar velocidade de forma rápida, sempre com equilíbrio e controle. E a nova Jetta Variant se mostrou bastante confiável e permitiu manobras absolutamente seguras, sem sustos nem vacilações. Na hora de testar os freios, a perua se manteve bem elegante e pouco embicou. A sensação de harmonia dinâmica do conjunto impressiona.
Durante um breve passeio pelas estradinhas de terra das fazendas da região, ainda mais esburacadas, que o sofrido asfalto das estradas locais, a Variant trepidou um bocado e o isolamento acústico ficou um tanto comprometido. Mas nada que empane o boa impressão geral causada pela perua mexicana.



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