VOLKSWAGEN CROSSFOX 1.6 TOTALFLEX

 
 

Na fronteira do estilo
Volkswagen busca meio termo entre robustez e modernidade com o renovado CrossFox



Auto Press
Texto: Fernando Miragaya
Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

Na carona da reestlização da linha Fox, a Volkswagen tentou dar mais equilíbrio à derivação aventureira do compacto. Ou seja, transformar o CrossFox em um modelo mais moderninho, sem, é claro, abrir mão da faceta lameira – ilustrada pelos diversos apliques estéticos do carro. O estilo, é verdade, continua mais jipeiro. Mas, sem dúvida, a adoção das mesmas mudanças aplicadas no hatch fizeram bem ao off-road light. O modelo manteve a robustez e ainda ganhou um toque um pouco mais fashion para tentar segurar as médias de vendas em duas mil unidades/mês.
Externamente, as principais mudanças se concentraram mesmo no conjunto ótico, que ganhou faróis com cortes mais definidos e ficou mais proeminente. Ao mesmo tempo, a grade ficou mais afilada e evoca aquilo que a Volks chama de sua nova identidade visual. Ainda na frente, o CrossFox ganhou um generoso spoiler com faróis embutidos do tipo canhão – que reúne o farol de neblina e o de milha – e uma enorme entrada de ar. Abaixo, um acabamento na cor prata tenta realçar a robustez do modelo.
Nas laterais, para explicitar as diferenças em relação ao Fox comum, tascaram o nome do carro na parte de baixo das portas. O acabamento na cor preta da moldura das caixas de roda é unido por um estribo lateral também com detalhe em tom cinza. Na traseira, a principal mudança é a base para fixação do estepe. Antes, o suporte era fixado na terceira coluna. Agora, é apoiado em um braço que se projeta do para-choque. Segundo a Volks, imita o estilo do utilitário esportivo grande Touareg.
Por dentro, o CrossFox também passou por melhorias já encontradas no reestilizado Fox. Aliás, é no interior que está o mais significativo upgrade visual da linha. O modelo ganhou novos materiais e revestimentos nos painéis e forros e novo quadro de instrumentos. Além disso, o porta-luvas agora finalmente tem tampa.
A questão custo/benefício, contudo, continua sendo um entrave quando se fala de CrossFox. O modelo parte de R$ 46.090. Fica próximo do Renault Sandero Stepway, que começa em R$ 45.690, e bem mais barato que o Fiat Palio Adventure, que sai por iniciais R$ 56.820 – preços antes do fim do desconto do IPI. Mas, de série, conta apenas com o previsível: direção hidráulica, trio, chave tipo canivete, banco do motorista e volante com regulagem de altura e de profundidade, espelhos iluminados nos para-sóis, computador de bordo, entre outros. Ar-condicionado só como opcional, enquanto nos concorrentes é de série.
 
Os rivais também têm outros itens de série que são opcionais no carrinho da Volks. A lista de equipamentos adicionais disponíveis para o modelo, aliás, é vasta e inclui airbag duplo, freios com ABS, volante multifuncional, teto-solar, rádio/CD/MP3 com entradas SD Card, USB e Bluetooth, rodas de liga leve, sensor de obstáculos traseiro e revestimento em couro. Até mesmo banco traseiro bipartido e rebatível tem de ser pago por fora. Completo, com tudo que lhe é oferecido como opcional, o CrossFox chega a exagerados R$ 62.702.
Isso sem falar que o Sandero usa propulsor 1.6 16V de 107/112 cv e o Palio Adventure tem unidade de força 1.8 de 112/114 cv. Ambos mais potentes que os 101/104 cv a 5.250 rpm do manjado motor 1.6 TotalFlex, oferecido em toda a linha de compactos da marca. O torque máximo de 15,4/15,6 kgfm a 2.500 giros empata com o Renault e perde para o Fiat. Mas, no caso do novo CrossFox, o impulso extra que a Volkswagen espera alcançar não vem do motor. Vem do visual.
 Instantâneas
# O Volkswagen CrossFox foi lançado em 2005, dois anos após o lançamento da linha Fox no Brasil.
# O modelo usa uma plataforma simplificada do também compacto Polo, mesma arquitetura que serve à linha Gol, que inclui Voyage e Saveiro.
# O novo rack de teto do CrossFox é formado por duas barras longitudinais de alumínio, com acabamento fosco.
# A nomenclatura Cross serve para batizar as versões com visual off-road da linha de automóveis de passeio da Volks, que recentemente lançou a Saveiro Cross. Na Europa existem o CrossPolo e o CrossGolf.
# O interior do CrossFox possui 20 porta-objetos ao todo, além de uma gaveta sob o banco dianteiro.
Ficha técnica
Volkswagen CrossFox
Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples de válvulas no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto.
Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Não oferece controle de tração.
Potência máxima: 101 cv com gasolina e 104 cv com etanol, ambos a 5.250 rpm.
Torque máximo: 15,4 kgfm com gasolina e 15,6 kgfm com etanol, ambos a 2.500 rpm.
Diâmetro e curso: 76,5 mm x 86,9 mm. Taxa de compressão: 12,1:1.
Suspensão: Dianteira tipo McPherson, com braços triangulares transversais, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e pressurizados e barra estabilizadora. Traseira interdependente com braços longitudinais, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos e pressurizados. Não oferece controle de estabilidade.
Freios: A discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS como opcional.
Pneus: 205/70 R15 com rodas de aço. Oferece rodas de liga leve como opcional.
Carroceria: Hatch em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Com 4,04 metros de comprimento, 1,67 m de largura, 1,63 m de altura e 2,46 m de entre-eixos. Oferece airbag duplo frontal como opcional.
Peso: 1.130 kg em ordem de marcha, com 440 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 260 / 353 litros com banco traseiro corrediço todo para a frente.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: São José dos Pinhais/PR.
Lançamento: 2005. Última remodelação: 2009

Ponto a ponto

Desempenho – O motor de 104 cv empurra com força suficiente o CrossFox e responde bem ao pedal do acelerador. As arrancadas são eficientes, com um zero a 100 km/h em competentes 11,1 segundos. O câmbio bem escalonado e o torque de 15,6 kgfm disponível em 2.500 giros contribuem para as retomadas. O motor enche rápido e empresta desenvoltura ao compacto em subidas e em momentos de ultrapassagem, sem a necessidade de reduções drásticas e constantes de marchas. Nota 8.
Estabilidade – A linha Fox recebeu uma calibragem diferente na suspensão, o que deixou o modelo menos “bobo”, principalmente em curvas. O CrossFox, que é mais pesado e se comporta melhor que o hatch “normal”, ficou ainda mais “no chão”. O fato do peso do estepe ser projetado além do eixo traseiro também colabora para “assentar” melhor a traseira do carro. Em curvas, a carroceria ainda torce além do desejável, mas só mesmo em velocidades altas o modelo faz menção de desgarrar. Nas freadas bruscas, o hatch mergulha dentro do previsível e nas retas a comunicação entre rodas e volante fica ligeiramente falha a partir dos 130 km/h. Nota 7.
Interatividade – Bem pensado por dentro, o CrossFox tem a maioria dos comandos ao alcance do motorista e ajustes do banco e do volante.  Mas é justamente a alavanca de regulagem de altura do banco que peca pela posição e obriga o motorista a espremer a mão entre o assento e o painel da porta. A visibilidade é satisfatória na maior parte das vezes e a posição elevada de dirigir favorece ainda mais a condução. O câmbio oferece engates pouco macios e precisos. O quadro de instrumentos também é de fácil visualização. Assim como o display com as informações do computador de bordo, padrão na linha Volks. Nota 7.
Consumo – O modelo anotou a média de 7,1 km/l com etanol e uso 2/3 urbano e 1/3 rodoviário. Nota 7.
Tecnologia – A linha Fox utiliza uma plataforma simplificada do Polo, que data de 2001, já em desuso na Europa. Por aqui, ainda deve perdurar por mais alguns anos, já que serve também à linha Gol. O motor 1.6 também é velho conhecido dentro da marca alemã. O CrossFox só recebe os itens mais interessantes de segurança e de conforto como opcionais, o que encarece bastante seu preço final. Nota 6.
Conforto – A altura elevada do modelo contribui para a sensação de amplitude do habitáculo. Por esta razão, ainda, o espaço para cabeça é generoso para todos os ocupantes. O vão para pernas é normal para um compacto, tanto na frente quanto atrás. A suspensão reforçada absorve bem os buracos da pista e até estimula o uso do carrinho em uma estrada de terra não muito maltratada. O isolamento acústico é ineficiente e a partir dos 90 km/h os ruídos de motor e rodagens são bastante percebidos no interior do carro. Nota 7.
Habitabilidade – Um dos pontos altos do CrossFox. A boa altura do carrinho e o generoso vão das portas favorecem o acesso aos bancos dianteiros ou traseiros. No habitáculo, há uma boa quantidade de porta-objetos e porta-copos. O porta-malas com seus 260 litros é um pouco restrito, mesmo para o segmento de compactos. Nota 8.
Acabamento – A Volks melhorou significativamente o interior da linha Fox/CrossFox. O hatch passou a adotar revestimento em tecido nos painéis das portas e os bancos e forrações do teto ganharam novas texturas. Mesmo assim, os plásticos ainda predominam no habitáculo do modelo. A maioria dos encaixes e fechamentos é precisa, mas há sinais de rebarbas no teto e no revestimento do porta-malas. Nota 7.
Design – O CrossFox adotou os novos faróis da linha Fox. No hatch até ficaram mais harmoniosos, só que na configuração “metida a off-road” ficou com aspecto um tanto ou quanto abrutalhado. A mudança do suporte do estepe, que saiu da coluna traseira e passou para o para-choques, deixou a roda sobressalente meio perdida no visual, em um estilo bastante controverso. Nota 6.
Custo/benefício – O modelo começa em R$ 46.090 sem nenhum item relevante de conforto ou de segurança. Completo com todos opcionais possíveis como a versão testada chega a salgados R$ 62.702. Nota 6.
Total – O Volkswagen CrossFox somou 69 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir - Trilhas urbanas

O Volkswagen CrossFox segue a receita típica dos chamados off-road lights. Tem suspensão elevada e recalibrada, pneus de uso misto e uma infinidade de detalhes estéticos que tentam evocar uma aptidão fora-de-estrada. Com direito até ao chamado “crachá de off-road”: o indefectível estepe pendurado na tampa do porta-malas. Alguma destas mudanças até são bem-vindas. Com mais peso atrás e suspensão melhor calibrada, o CrossFox é mais equilibrado que o Fox “comum”.
Isso é percebido logo em situações como arrancadas e freadas bruscas. O CrossFox não levanta nem mergulha em demasia nessas situações. Nas curvas acentuadas o modelo também se mostra mais no chão e a carroceria torce dentro da normalidade. Só mesmo nas retas em altas velocidades a sensação de flutuação surge aos 130 km/h e o compacto fica um pouco bobo.
A suspensão também se mostra eficiente para filtrar bem os buracos das ruas sem refletir em sacolejos dentro do habitáculo. O que até anima em colocar o CrossFox em estradas de terra “normais”, onde o carro mais uma vez demonstra desenvoltura. Performance essa apoiada de forma eficiente pelo motor 1.6 e seus 104 cv, que garantem arrancadas bastante competentes para o uso urbano.
As retomadas são ainda mais eficazes. O motor enche rápido logo nas 2.500 rpm, o que otimiza o desempenho do CrossFox em situações de ultrapassagens. Pisando mais fundo e com uma bela e desimpedida estrada pela frente, é possível colocar o velocímetro nos 175 km/h. Já o consumo se mostra dentro do cotidiano perdulário dos motores flex. Média de 7,1 km/l com puro etanol, com uso 2/3 na cidade.



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