SUZUKI SX4

 
 

Elemento surpresa
O compacto SX4 mostra uma faceta urbana da Suzuki sem abandonar as raízes off-road



Auto Press
Texto: Fernando Miragaya
Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias

No mundo todo, a imagem dos automóveis da Suzuki sempre esteve muito ligada a veículos pequenos, apropriados para o uso urbano. No Brasil, porém, os modelos da marca que mais fizeram sucesso foram os que, além de compactos, tinham boa capacidade off-road. Casos do jipinho Samurai, sucedido pelo Jimny, e do Vitara/Side Kick, sucedidos pelo Grand Vitara de duas e de quatro portas. Foi esta imagem aventureira que a Suzuki privilegiou nesta nova empreitada no mercado brasileiro. E o SX4 é a síntese disso. Ele é o único veículo da Suzuki classificado como automóvel de passeio por aqui – ainda são trazidos o Jimny e o novo Grand Vitara. O SX4 é um hatch altinho com jeito de jipinho urbano. Isso permitiria até que fosse confundido com um desses off-road-lights que infestam as ruas brasileiras. A diferença é ser dotado de uma tração 4X4 de verdade, com direito a distribuição automática da tração e bloqueio do diferencial traseiro.
O porte um pouco mais jipeiro deve-se à altura do SX4. O modelo tem 1,58 metro de altura e 17,5 cm de vão livre do solo. No mais, são 4,13 metros de comprimento, 1,73 m de largura e 2,50 m de entre-eixos em um visual bem comportado, mas harmonioso. Na frente, o capô abaulado e bastante inclinado é interrompido por uma grade trapezoidal com tela do tipo colmeia. Ao centro, o “S” da logomarca da Suzuki. Os faróis sobem pelas laterais, têm desenhos levemente irregulares e cantos arredondados. O para-choques tem seções mais bem definidas, com uma entrada de ar na parte inferior e faróis de neblina redondos nos cantos.
Visto de perfil, o SX4 ostenta uma cintura em cunha, bagageiro no teto e linhas predominantemente lisas. Chama a atenção o vidro espia, de formato triangular, logo após a coluna dianteira do carro, como o que costuma existir nas minivans. Na carroceria, caixas de roda bastante salientes. Um vinco na altura das maçanetas parte do para-lamas dianteiro e corta toda a lateral. Na traseira, o hatch médio da Suzuki tem um visual com cortes mais secos. No vidro inclinado e na tampa do porta-malas predominam traços mais definidos, que contrastam com as lanternas trapezoidais com contornos arredondados. O para-choques traseiro é bem encorpado e traz dois refletores em forma de filete.
As origens off-road da marca também ganham eco no sistema i-AWD – Intelligent All Wheel Drive. A tração é sempre dianteira, mas através de um pequeno interruptor no console central do carro é possível acionar a tração nas quatro rodas integral com distribuição automática. Há ainda, no mesmo comando, opção de bloqueio do diferencial traseiro. O conjunto inclui um motor 2.0 16V com 145 cv de potência a 5.800 rotações e torque máximo de 18,7 kgfm aos 3.500 giros - o mesmo que equipa a versão de entrada do SUV Grand Vitara por aqui. A transmissão é manual de cinco velocidades – o automático de quatro velocidades é opcional.
A lista de opcionais, por sinal,  é enxuta e privilegia a estética. O Sport Pack inclui rodas na cor grafite, faixas esportivas, ponteira do escapamento cromada, teto pintado na cor preta, bancos em couro, soquete para conexão com iPod e aerofólio traseiro. No geral, toda a linha SX4 chega ao Brasil bem recheadinha. Na parte de segurança, airbag duplo frontal e freios com ABS e EBD. No quesito conforto, ar-condicionado automático, direção elétrica, trio, computador de bordo, banco e volante com regulagem de altura, rodas de liga leve aro 16, abertura interna da tampa do reservatório de combustível e rádio/CD/MP3 com comandos no volante em couro.
O SX4 parte dos R$ 62.490 e completo, com o Sport Pack, chega a R$ 68.490, um preço dilatado pelas taxas de importação, mas que ainda deixa o modelo japonês competitivo diante dos rivais nacionais. O Volkswagen CrossFox 1.6 e o Fiat Idea Adventure 1.8 Locker, com os mesmos equipamentos, chegam a respectivos R$ 57.860,00 e R$ 58.678,00. Os R$ 4 mil ou R$ 5 mil de diferença para o exemplar da Suzuki dão em troca um sistema 4X4, que o credencia a enfrentar melhor um off-road, e um motor bem mais potente, de 145 cv – contra 102/104 cv do carro da Volkswagen e 112/114 cv do modelo da Fiat.
Instantâneas
# O Suzuki SX4 foi lançado mundialmente no Salão de Genebra de 2006.
# O hatch compacto da marca japonesa compartilha plataforma com o Fiat Sedici, modelo que já foi cotado para vir para o Brasil.
# Na Europa, o SX4 tem uma derivação sedã chamada SX4 Limusine, que é 47 cm mais comprida que o hatch. Por lá, o compacto também usa motores 1.6 a gasolina de 107 cv e 1.9 turbodiesel de 120 cv.
# A divisão de automóveis da Suzuki chegou a encerrar suas atividades comerciais no Brasil em 2003 e só retornou em setembro de 2008.
# Em 2010, a Suzuki comercializou entre janeiro e abril, 1.266 unidades. Desse total, 275 foram do SX4, 839 do Grand Vitara e 152 do Jimny. A marca estuda trazer ainda a nova geração do Swift e o SUV XL7.
# Atualmente a Suzuki tem 25 concessionárias em 13 estados brasileiros e no Distrito Federal.
Ficha técnica
Suzuki SX4 2.0 16V AWD
Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 1.995 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro com comando duplo de válvulas no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira com opção de tração 4X4 com distribuição automática entre as rodas e bloqueio do diferencial traseiro.
Potência máxima: 145 cv a 5.800 rpm.
Torque máximo: 18,7 kgfm a 3.500 rpm.
Diâmetro e curso: 84 mm X 90 mm. Taxa de compressão: 10.5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com batente progressivo, braços triangulares transversais, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais. Traseira independente, com barra de torção, amortecedores hidráulicos, molas helicoidais e barras estabilizadora. Não oferece controle de estabilidade.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS com EBD de série.
Pneus: 205/60 R16 92H em rodas de liga leve.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,13 metros de comprimento, 1,73 metro de largura, 1,58 metro de altura e 2,50 metros de entre-eixos. Airbag duplo frontal de série.
Peso: 1.130 kg em ordem de marcha.
Tanque de combustível: 45 litros.
Porta-malas: 270 litros.
Lançamento mundial: 2006. Lançamento no Brasil: 2009.

Ponto a ponto

Desempenho – O SX4 surpreende com respostas rápidas ao pedal do acelerador. Os 145 cv conferem boa agilidade aos pouco mais de 1.100 kg do compacto da Suzuki, o que resulta em acelerações bastante competentes e um zero a 100 km/h quase esportivo, em 9,5 segundos. O câmbio é bem acertado, principalmente nas primeiras marchas, com relações curtas. As retomadas em quarta são eficientes, com boa parte do torque de 18,7 kgfm já oferecido aos 3 mil giros. A quinta marcha funciona como um overdrive e o ímpeto do SX4 tende a esmorecer. Nota 8.
Estabilidade – As dimensões enxutas contribuem para um carrinho muito bem comportado. Nas curvas, a carroceria torce dentro da normalidade, mas em velocidades um pouco mais vorazes o hatch faz menção de desgarrar. Com a tração acionada, o modelo fica mais grudado no chão. Nas arrancadas, a suspensão e carroceria bem acertadas não permitem que a frente levante em demasia. Já nas freadas bruscas, o carro mergulha dentro do previsível, enquanto o ABS ajuda a manter o modelo na trajetória. Nas retas, uma ligeira sensação de flutuação só surge a partir dos 130 km/h, o que é aceitável para um hatch altinho como ele. Nota 7.
Interatividade – A dirigibilidade é um dos destaques do SX4. O motorista fica em uma posição elevada ao dirigir, tem boa visibilidade lateral e traseira, quadro de instrumentos de fácil visualização e ainda conta com ajustes do banco e da coluna de direção, além de comando do som no volante. A maior parte dos botões é intuitiva e está ao alcance das mãos e dos olhos do condutor. O câmbio tem cursos curtos, mas os engates são pouco suaves, apesar de serem precisos. A direção elétrica facilita as manobras. Nota 8.
Consumo – O modelo avaliado registrou a média de 8,1 km/l bebendo apenas gasolina, com uso 2/3 na cidade e pontuais acionamentos da tração 4X4. Nota 7.
Tecnologia – O SX4 usa uma plataforma de 2006, que estreou com o Fiat Sedici. Conta com um simples, mas eficiente sistema de tração e suspensão traseira independente. Na parte de itens de segurança e conforto, equipamentos previsíveis para um carro de R$ 62 mil. Os itens de entretenimento, porém, são escassos. Nota 8.
Conforto – O carro oferece um ótimo vão para cabeças para todos os ocupantes. Na frente, motorista e carona contam com um espaço razoável para pernas e ombros, mas o joelho direito do motorista tende a esbarrar no console central. Atrás, o espaço para pernas também é limitado e só dois adultos viajam com folgas. O isolamento acústico falha a partir dos 110 km/h, enquanto a suspensão absorve bem as irregularidades do asfalto e também trabalha com destreza no off-road leve, sem sacolejar os ocupantes. Nota 7.
Habitabilidade – A altura relativamente elevada do SX4 favorece o acesso ao carro, mas o vão estreito das portas atrás obriga os passageiros a certos contorcionismos para entrar no hatch. No habitáculo, o compacto da Suzuki oferece boa quantidade de porta-objetos com práticos porta-copos no console central. A iluminação é eficiente na frente e atrás e o porta-malas de 270 litros está dentro dos padrões do segmento. Nota 8.
Acabamento – Os materiais dentro do SX4 aparentam bastante simplicidade e rusticidade. Há muito plástico no painel e nos revestimentos. Os encaixes e fechamentos são precisos na maior parte das vezes e só há sinais de rebarbas em alguns detalhes no acabamento do teto e do porta-malas. Nota 6.
Design – O compacto da Suzuki tem um porte robusto de jipe devido à altura um pouco maior que os compactos em geral. Na frente, capô abaulado e faróis com cortes irregulares, laterais com linhas predominantemente limpas e uma traseira com seções mais definidas. Um visual previsível, sem ousadias, mas bastante harmonioso. Nota 7.
Custo/benefício – O modelo parte dos R$ 62.490 e fica entre R$ 4 mil e R$ 5 mil mais caro que o rivais nacionais assemelhados com os mesmo equipamentos, como Volkswagen CrossFox 1.6, a R$ 58.678, e Fiat Idea Adventure, a R$ 57.860. Oferece, no entanto, tração 4X4 com bloqueio, motor bem mais potente, de 145 cv, e o status de importado. Nota 8.
Total – O Suzuki SX4 somou 74 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir - Entre dois mundos

A tradição da Suzuki em veículos fora-de-estrada se impõe ao SX4. Com um leve jeito de jipinho e tração 4X4, o hatch compacto instiga a que se descubra como ele se comporta não só no asfalto, como na terra. E, em trechos sutilmente elameados e com buracos, o modelo mostrou que é valente. Com a tração integral acionada, o SX4 exibiu força e disposição para encarar o off-road – leve, diga-se de passagem. Já ao enfrentar lama mais carregada, o bloqueio se mostrou eficiente e a suspensão bem acertada. Trabalhou bem e mostrou flexibilidade para copiar as ondulações do terreno.
Uma performance na terra obtida graças também ao eficiente motor 2.0 16V de 145 cv do SX4. O propulsor responde bem às investidas no pedal do acelerador e, com isso, o desempenho no asfalto é ainda mais competente. O zero a 100 km/h é feito em 9,5 segundos, graças também ao câmbio bem escalonado e com as primeiras relações mais curtas, o que privilegia maior agilidade nas arrancadas. Depois dos 100 km/h, contudo, é preciso pé pesado e paciência, pois o carrinho demora a colocar o ponteiro nos 180 km/h.
Nos trechos de subida e em situações de ultrapassagens o SX4 também se sai bem. O torque já se apresenta de forma quase integral antes dos 3 mil giros, mantendo o motor cheio em uma boa faixa de rotações para efetuar as retomadas. Ainda nas estradas de serra, em curvas sinuosas o dois volumes se mostra bem equilibrado em velocidades baixas, torcendo o mínimo a carroceria. Com o pé mais em baixo, porém, o modelo faz menção de rolar. Nas retas, a estabilidade é boa até os 130 km/h, quando a comunicação entre rodas e volante passa a ficar imprecisa e a exigir correções a todo momento por parte do motorista.
A bordo do hatch, a vida é quase tranquila. O modelo dispõe de ergonomia eficiente, posição elevada de dirigir e boa visibilidade externa e do quadro de instrumentos. O espaço está de acordo com os compactos do mercado, com vão limitado para pernas, dois adultos bem acomodados atrás, mas com um vão para cabeças interessante, que aumenta a sensação de amplitude do habitáculo. No consumo, uma média também normal, com 8,1 km/l com gasolina em itinerário 2/3 urbano e o restante rodoviário.



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